Todos os passos para emitir o primeiro passaporte

Ainda não tem passaporte? Como dizia a canção de Raul Seixas, Plunct Plact Zum não vai a lugar nenhum… Pelo menos, não fora da América do Sul. O caderninho azul é mais que um mero espaço para colecionar carimbos. Fora do Brasil, ele será o documento oficial de identificação do  viajante.

CPF, Carteira de identidade e CNH não tem validade para as autoridades da maioria dos países estrangeiros. Então, se está pensando em fazer uma viagem internacional, é hora de tirar o passaporte. Veja as respostas para principais dúvidas sobre a emissão do documento:

Quanto custa o passaporte e como faço para solicitar?

O processo é relativamente simples e pode ser feito por conta própria sem problemas. O primeiro passo começa com uma visita ao site da Polícia  Federal. Na página inicial, vá até a barra lateral e clique em REQUERER PASSAPORTE, depois preencha o formulário com informações pessoais e documentos. Lembrete: revise os dados antes de confirmar e evite erros de digitação ou de ortografia.

Em seguida, será gerado o boleto com a taxa de R$ 257,25. Faça o pagamento e aguarde. A compensação no sistema da Polícia Federal não é feita de forma automática. O procedimento pode demorar entre 24h e 72h.

Passado o prazo, volte ao site da Polícia Federal e selecione a opção “Agendar Atendimento“para apresentar pessoalmente a documentação, tirar a foto e continuar com a emissão do passaporte. Será preciso informar o CPF e o número de protocolo (confira no boleto pago) para escolher o dia, horário e delegacia mais próxima da PF. Atenção:cidades menores geralmente não tem o serviço e será preciso se deslocar para o município pólo da região.

Quais documentos são necessários para emitir o passaporte?

Com o agendamento feito, é preciso comparecer à unidade e levar os seguintes documentos originais:

  • CPF;
  • Comprovante bancário de pagamento da taxa para a emissão do passaporte;
  • Documento de Identificação (RG, carteira nacional de habilitação expedida pelo DETRAN junto com outro documento para comprovar local de nascimento, carteira funcional expedida por órgão público, carteira de identidade expedida por comando militar, passaporte brasileiro anterior (ainda que vencido), carteira de identidade expedida por órgão fiscalizador do exercício de profissão regulamentada por lei, carteira de trabalho e previdência social-CTPS);
  • A pessoa que já teve o nome/sobrenome alterado, a qualquer tempo, em razão de casamento, separação ou divórcio, deve apresentar, além do documento de identidade, TODAS AS CERTIDÕES DE DIVÓRCIO e CASAMENTO para a comprovação de todos os nomes/sobrenomes anteriores;
  • Título de eleitor e comprovantes de votação/justificativa/pagamento de multa da última eleição (dos dois turnos, se houve). Na falta dos comprovantesou do título, pode ser a certidão de quitação eleitoral; 
  • Requerentes do sexo masculino devem ainda apresentar documento que comprove quitação com o serviço militar obrigatório. 

Não será preciso levar foto 3×4. A fotografia para o passaporte será tirada durante o atendimento na Polícia Federal, logo após a conferência de toda a documentação.

Que roupa usar para a foto do passaporte?

O site da Polícia Federal não traz muitas orientações sobre cores de roupa, mas perguntei ao atendente quando fui tirar o meu passaporte e o ideal é vestir blusas de cores neutras mais escuras porque a foto será tirada com um fundo branco.

Sobre o uso de brincos, colares e acessórios, não é proibido. Porém, o atendente pode pedir para retirar qualquer objeto que prejudique sua identificação. O mesmo vale para os óculos de grau.

Quanto a bonés, chapéus ou lenços de cabelo, melhor nem colocar para o dia da foto. São peças que dificultam a identificação e, provavelmente, será preciso tirar tudo para bater a foto do passaporte.

Além disso, tenha sempre em mente que a foto será sua identificação fora do Brasil e existem países bastante conservadores. Por isso, bom senso na hora de escolher o look e nada de regatas ou decotes muito exagerados.

Quanto tempo de demora para o passaporte ficar pronto? 

A previsão inicial de entrega é de 6 (seis) dias úteis, mas a data exata para coleta será informada quando apresentar a documentação. Como processo de confecção envolve o fabricante da caderneta e empresas entregadoras, o prazo pode variar. O passaporte não será enviado para o seu endereço e deve ser retirado no mesmo posto onde foi o primeiro atendimento.

E o visto?

A solicitação de visto para os Estados Unidos ou outros países que exigem autorização prévia para entrada no território não é feita na Polícia Federal. Para as informações sobre o visto, será necessário consultar o site do consulado do país e verificar todos os procedimentos e taxas.

Calcule quanto dinheiro levar para sua viagem ao exterior

Conhecer outros países é o que todos queremos, mas é preciso ser consciente para não extrapolar o orçamento e o sonho virar um pesadelo de dívidas. O maior erro ao planejar uma aventura internacional é se empolgar com um pacote em promoção e levar em conta só a despesa com passagens aéreas e hospedagem, esquecendo os gastos para se locomover, comer, visitar atrações e fazer passeios no lugar.

É claro que não é algo simples calcular o gasto médio de viagem. Os destinos são inúmeros e até mesmo dentro do Brasil os preços variam de uma cidade para outra. A indicação básica do site especializado Viaje na Viagem é o gasto médio de 60 a 75 dólares por dia para se bancar fora do país. Considero uma boa referência, mas não significa que seja uma regra para todo mundo.

Estabelecer uma quantia fixa é bastante complicado porque depende do perfil de cada viajante. Tem gente que quer fazer todos os passeios possíveis ou não resiste a uma balada durante a viagem e ainda há pessoas que só gostam de comer nos restaurantes mais sofisticados.

Por isso, ao invés de simplesmente jogar aqui um valor específico, vou te dar um parâmetro para calcular as suas despesas de acordo com as suas preferências. Para estimar o quanto de dinheiro levar na viagem ao exterior, baseie-se no preço da hospedagem.

calcule quanto dinheiro levar na sua viagem internacional

No meu caso, sou uma viajante econômico-moderada. Geralmente, não animo dividir quartos em hostel, mas sou totalmente a favor de ficar em pequenos hotéis sem firulas. Sou defensora de transporte público e evito, ao máximo, táxi ou uber. Não vou a baladas, mas sempre tento incluir uma programação de teatro no meu roteiro.

Então, somando todos os custos com alimentação, transporte e os rolezinhos, o meu gasto médio por dia é, no máximo, correspondente ao valor que pago de diária no hotel. Já quem tem um perfil mais luxuoso pode calcular um gasto médio por dia equivalente até ao dobro do valor pago na diária da hospedagem.

Por exemplo, uma pessoa com perfil econômico-moderado igual ao meu escolheu um hotel simples e pagou 60 libras na diária do hotel. Então, pode utilizar o mesmo valor para o gasto médio por dia com alimentação, passeios e deslocamento. Já quem tem um estilo mais cinco estrelas e pagou 100 libras na diária pode ter como parâmetro até o dobro dessa quantia para as despesas por dia, já que haverá uma preferência por restaurantes mais caros e pelo uso de táxi ou uber.

Assim, fica mais fácil calcular quanto dinheiro levar para qualquer lugar do mundo, pois geralmente o preço do hotel é compatível ao custo da cidade. É óbvio que, se comprar antecipado no Brasil ingressos e excursões, você pode abater e levar uma quantia de dinheiro menor.

Sites para te ajudar no cálculo dos gastos de viagem internacional

Para quem ainda ficar um pouco inseguro sobre os cálculos, recomendo três sites que reúnem informações sobre o gasto médio de viagem em várias cidades do mundo. Faça a pesquisa e confira se a sua estimativa está compatível com valores apresentados nas plataformas:

  • Quanto Custa Viajar – site totalmente em português que traz a média de gasto diário em cidades do Brasil e do mundo, considerando alimentação, transporte, passeios e hospedagem. Os valores já são mostrados em real. Também existe uma ferramenta que permite inserir o montante que você tem disponível para investir na viagem e o site apresenta uma lista de destinos que cabe no seu orçamento.
  • Expatistan – plataforma colaborativa com preços médios de alimentação, transporte público, entretenimento e aluguel de diversos locais do mundo. O site é totalmente em inglês. Não há muitas informações sobre destinos no Brasil.
  • Numbeo – banco de dados global alimentado de forma colaborativa por pessoas de todo mundo. Além de preços de comida e transportes, reúne taxas de criminalidade, qualidade dos cuidados de saúde, entre outras estatísticas. O site é totalmente em inglês. Não há muitas informações sobre destinos no Brasil.

Como montar um roteiro de viagem com a sua cara

Montar um roteiro personalizado de viagem é uma tarefa que demanda dedicação assim como encontrar passagens com bons preços para o destino desejado e na data que você precisa. Talvez por isso há quem prefira contratar um pacote e só seguir o fluxo da programação proposta para o grupo.

Mas a verdade é que o passeio fica muito mais gostoso quando tem a sua cara e reflete as suas paixões. Então, vale a pena investir tempo para pesquisar e organizar um roteiro personalizado para a próxima viagem.

A primeira etapa é pensar o tipo de destino que está interessado em conhecer. Podem ser praias paradisíacas, cidades históricas, lugares culturais exóticos, passeios de aventura, rotas religiosas, turismo gastronômico, arquitetura, metrópoles cosmopolitas, vilarejos românticos, paisagens com neve, contemplação da natureza e vida selvagem, e assim por diante.

Uma vez definido o estilo da viagem é começar uma lista de lugares que se encaixam no perfil, seja no Brasil ou em outros países. Com isso,  você terá um leque de opções e flexibilidade para encontrar o destino que cabe no orçamento e até aproveitar as promoções de passagens aéreas que surgirem.

Com a escolha feita, é a hora de buscar inspiração. Comece, por exemplo, olhando no Instagram fotos do destino, detalhes da arquitetura das cidades, monumentos, paisagens, comidas típicas… Se veja naquele local e encha a cabeça de ideias para organizar a futura visita.

Outra dica é abrir o mapa e checar se é possível combinar destinos para multiplicar a viagem. Ao invés de conhecer apenas Curitiba, o roteiro pode ser estendido para o litoral paranaense ou um bate-volta até o Parque Estadual Vila Velha. Ou pense em casar Buenos Aires com Colônia de Sacramento, apenas incluindo um passeio de barco no roteiro.

monte um roteiro de viagem enxuto

Para montar o roteiro final com as atividades previstas a cada dia, identifique os lugares indispensáveis para a você e priorize colocando na programação dos primeiros dias de viagem. Assim, se algo der errado, ainda terá tempo para reorganizar a agenda e conhecer em outro dia. Em seguida, pode encaixar os locais que acha interessantes,  mas não são essenciais. Por último, se sobrar tempo, as atrações que não faz tanta questão.

Agora não se preocupe em marcar ponto em todas as atrações turísticas de cada cidade que escolher visitar.  A proposta é fazer a viagem para relaxar e não se estressar correndo de um lado para outro para cumprir uma agenda apertada de “compromissos”. Até porque tem locais famosos e que não tem nada a ver com a gente, né?!

Para ter uma noção, Wembley está entre os pontos turísticos perto de Londres, mas nem passei perto porque simplesmente não tenho o mínimo interesse em tênis. Por outro lado, eu aluguei um carro e despenquei até o vilarejo de Chawton para conhecer o museu de Jane Austen.

Então, o meu conselho é: no lugar de uma série de check-ins em atrações aleatórias que não representam nada para você, pesquise se o destino não tem passeios alternativos relacionados ao seu livro, filme, seriado ou banda favoritos.

No meio da empolgação com o destino só não esqueça de ter equilíbrio: é preciso tempo para descansar. Então, deixe espaço no roteiro para relaxar, curtir um pouco mais seu jantar, se demorar em um local que gostou ou mesmo para incluir programações de última hora. É bom estar livre, caso a cidade te surpreenda!

Guia para organizar a primeira viagem ao exterior

Você finalmente juntou dinheiro, arranjou uma companhia animada e decidiu que 2019 será o ano para dar o play na sua primeira viagem internacional. Mas aí surgiu aquela dúvida: por onde eu começo a planejar o passeio fora do Brasil? Pode ficar tranquilo! Já enfrentei a mesma coisa e preparei um passo a passo para te ajudar até o embarque no aeroporto.

Então, prepare papel e caneta para anotar cada etapa do checklist primeira viagem internacional 2019:

  1. Tire o passaporte:

Você pode até explorar os países do Mercosul só com a carteira de identidade, mas por que perder a oportunidade de começar a colecionar carimbos no passaporte? Apesar de parecer pequeno, cada figura faz parte das lembranças de viagem. Então, acesse o site da Polícia Federal para dar início ao procedimento de solicitação do documento. Será preciso preencher o formulário, pagar uma taxa de R$ 257,25 e agendar o atendimento na unidade da PF.

  1. Verifique se o destino escolhido exige visto e vacinas

Com o passaporte em mãos, é a hora de escolher o país (ou países!) que pretende visitar e checar se a imigração exige visto prévio para autorizar a entrada no destino. A consulta pode ser feita no site da embaixada ou do consulado. Até o momento, não existe essa obrigatoriedade para visitar como turista a Europa, parte da África e da Ásia, pois o visto será concedido na chegada ao aeroporto. Veja a lista com os lugares que não exigem pré-visto para brasileiros.

Além disso, é preciso verificar se o país requer a imunização de vacina contra a febre amarela para liberar a entrada do visitante. A pesquisa deve ser feita diretamente no site da Anvisa. Caso seja necessária a comprovação da vacina, será preciso emitir o certificado internacional de vacinação ou profilaxia (CIVP). Veja como providenciar o documento.

  1. Faça o seu orçamento de viagem e compre moeda

Com a burocracia resolvida, é a hora de conferir a média de custos com alimentação, transporte e passeios no destino escolhido. O portal Quanto Custa Viajar oferece informações detalhadas de despesas em várias cidades do Brasil e do mundo para ajudar com a tarefa. Depois de definir o gasto médio por dia e fazer as contas da quantia total necessária para se bancar, programe-se para comprar aos poucos a moeda estrangeira até a data da viagem.

Caso decida levar o cartão de crédito para emergências, não esqueça de entrar em contato com o banco para avisar sobre a viagem e liberar o uso do cartão fora do país. Do contrário, a tarjeta pode ser bloqueada e te deixar na mão.

  1. Pesquise atrações turísticas para montar seu roteiro

Anote os pontos turísticos que sempre sonhou em conhecer no destino de viagem. Procure outros passeios na internet que tenham a ver com seu perfil e acrescente na lista. Depois verifique no mapa da cidade as atrações próximas para programar as visitas por região e assim organizar cada dia de roteiro. Na empolgação, cuidado para entulhar cada minuto com atividades. Deixe tempo livre para programações inesperadas!

  1. Comprar passagens

Após tanto planejamento, chegou o momento de abrir os sites de busca e começar a caça por passagens para o período da viagem. Consulte em várias plataformas, pois os bilhetes e horários disponíveis variam em cada um. Lembre-se de utilizar uma janela anônima para os melhores preços não fiquem escondidos e tenha flexibilidade em relação às datas de embarque.

  1. Reserve a hospedagem

Se já sabe o dia de chegada e retorno, agora só resta encontrar a acomodação perfeita para o seu estilo de viagem. Use sites de reserva como o Booking e Hoteis.com para checar as opções disponíveis e salve os favoritos. Depois verifique críticas, avaliações e até fotos reais de clientes no TripAdvisor para evitar cair em alguma espelunca.

Além dos hotéis tradicionais, hoje também existe a alternativa de se hospedar na casa de outra pessoa pelo AirBnB. O site permite alugar só um quarto na casa do anfitrião, mas também tem opções para alugar um imóvel inteiro. Se ainda não tem cadastro, acesse por este link e ganhe crédito de R$ 130!

  1. Veja o clima na época da viagem e prepare roupas

Saber a estação do ano, temperatura média e a previsão de chuvas é essencial para não errar na hora de arrumar a mala. Pesquise essas informações com antecedência para ter tempo de pedir emprestado ou mesmo comprar os itens necessários, especialmente se a viagem for para locais frios. Uma boa opção para comprar roupas especiais de frio aqui no Brasil sem pagar caro é procurar nas seções de trekking e ski da Decathlon.

  1. Prepare seus equipamentos eletrônicos

Cada país funciona com uma voltagem diferente e tem um padrão de tomada próprio. Para conseguir carregar o seu celular, câmera fotográfica e demais aparelhos eletrônicos será preciso um adaptador universal. Nem precisa sair de casa para procurar. É possível comprar baratinho aqui no Brasil por sites como Americanas e Submarino.

Além disso, como você vai ficar a maior parte do dia turistando na rua compensa investir em um carregador de bateria portátil para não ficar sem o celular durante as suas andanças. Nunca se sabe quando aquele clique perfeito de viagem vai acontecer ou quando será preciso de uma mãozinha do Google Maps para se localizar na cidade!

  1. Reunir a documentação necessária para imigração

Antes de embarcar, junte toda a papelada que deverá ser apresentada na imigração do aeroporto de destino para comprovar que deseja visitar o país a turismo e por tempo limitado. Além do passaporte, os documentos mais pedidos são:

  • passagens de ida e volta;
  • reserva de hotéis ou carta convite da pessoa que vai te receber;
  • holerites (para quem tem emprego fixo);
  • contrato social ou registro da empresa (para empresários);
  • declaração ou matrícula da escola (para estudantes);
  • dinheiro local;
  • extratos bancários para comprovar recursos suficientes para bancar a viagem.

A lista varia de país para país. Então, sempre confira as principais orientações no site da embaixada ou consulado. Coloque todos os documentos em uma pasta e carregue com você a cabine do avião. Não guarde esse material na mala despachada, porque só depois de passar na imigração é que terá acesso à bagagem, okay!?

  1. Adquirir seguro viagem

A gente nunca sabe quando um acidente vai acontecer ou quando vamos ficar doentes, né!? Esses são imprevistos que podem ocorrer durante uma viagem. Então, é sempre bom ter um suporte para nos ajudar fora do país. Até porque, fora do Brasil, nem todo país dispõe de sistema público gratuito de saúde.

Para entrar em qualquer país da União Européia, por exemplo, é exigido um seguro de saúde com cobertura mínima de 30 mil euros. Óbvio que a gente contrata para não usar, mas se precisar o serviço está à disposição. Faça a cotação e contrate o seu seguro antes de embarcar!

  1. Fazer as malas e embarcar!

Ufa! Depois de tantos preparativos, agora é só fazer as malas, seguir para o aeroporto e se jogar na sua aventura fora do Brasil. Só não esquece de deixar nos comentários se essa lista te ajudou ou alguma outra dica bacana para compartilhar, okay?! Boa viagem!

Estratégias para viajar fora do Brasil com dólar alto

O avanço do dólar, do euro e da libra vem nos fazendo arrepiar os cabelos desde o fim do ano passado. As moedas utilizadas nos destinos mais procurados no exterior entraram em uma tendência de alta alarmante e os picos assustadores levaram muita gente a desistir de viajar para fora do Brasil por achar que não cabe no orçamento.

Existem projeções de queda ao longo dos próximos meses com o resultado das eleições, mas, se não acontecer, será que a única solução é mesmo abortar o projeto de conhecer outros lugares do mundo? Eu acredito que não.

Apesar do real estar bem desvalorizado (atualmente perde até para o novo sol do Peru), há estratégias para conseguir driblar o câmbio, economizar e se aventurar fora do país. Afinal, a gente é brasileiro e o que não nos falta é jogo de cintura. Então, confere uma lista de dicas para te ajudar a planejar sua viagem internacional.

  1. Tenha flexibilidade

    Sabe a famosa lei do desapego? Então, não ter exigência quanto a um país específico é a forma mais simples de se jogar no mundo. As promoções de passagens aéreas aparecem todos os dias para diversos lugares e quem está com o coração aberto pode aproveitar entre os descontos disponíveis no período em que planeja viajar. Antes de comprar, só é interessante conferir se alimentação e hospedagem não são exorbitantes no local escolhido. Do contrário, a economia com o bilhete vai por água abaixo.

    Para quem sonha com um destino em particular, ter flexibilidade de datas facilita encontrar bons preços.  Uma estratégia eficaz é viajar fora da alta temporada do verão no Hemisfério Norte.  No período do outono-inverno na Europa e Estados Unidos (outubro a março), é comum achar preços atrativos de passagens e ainda gastar menos com hospedagem. O único contra é que nem todos os passeios funcionam na baixa estação.

    Quem só pode viajar nas férias de dezembro, janeiro ou julho tem alternativa de apostar em companhias aéreas novas e menos badaladas para conseguir voos mais baratos. Ao invés de focar a busca na TAM ou outra gigante, por que não voar de Air Europa, Alitalia ou Royal Air Maroc? É claro que o serviço tem falhas, mas, no geral, as empresas cumprem a obrigação de te levar ao destino.

  2. Dê preferência a redes locais de hotelaria

    Ao visitar um lugar pela primeira vez no exterior, é normal procurarmos por marcas conhecidas e acabamos indo atrás de hotéis de grandes redes consagradas no Brasil, como Ibis, Pullman, Hilton e Marriot. Só que os preços, infelizmente, ficam mais caros ao converter para a nossa moeda. Por isso, uma dica é pesquisar por pequenos hotéis e pousadas locais no destino da viagem.

    Pense bem: se em nossa cidade tem aquele hotelzinho aconchegante, limpo e barato que recomendamos para todo mundo, o mesmo acontece em Londres, Paris, Roma, Nova York e qualquer lugar do globo. Basta só um pouco mais de tempo e dedicação para descobrir.

    Uma mão na roda para evitar cair em alguma espelunca é consultar o site TripAdvisor, que traz avaliações de estabelecimentos e fotos reais tiradas por hóspedes.

    Além disso, os hotéis tradicionais não são o único tipo de acomodação. Hoje o AirBnB  permite alugar o quarto no apartamento de alguém (ou até o imóvel inteiro) em várias cidades do mundo.

    Para o viajante solo, o dormitório compartilhado dos hostels/albergues são também uma alternativa econômica. Nessa modalidade, você reserva apenas uma cama no quarto e divide o espaço com outras pessoas pagando super barato. Para viagem com grupo de amigos ou família, é possível  fechar um quarto por um preço mais barato que o hotel e repartir o valor. Fica a dica!

  3. Ande de ônibus e siga os hábitos locais

    Deslocamento e alimentação são dois itens que podem pesar os gastos de viagem em qualquer cidade, inclusive no Brasil. Por isso, imitar os moradores locais é uma dica para não extrapolar o orçamento. Ainda mais quando as despesas serão feitas em moeda estrangeira.

    Pesquise destinos com um bom sistema de transporte público e escolha hotéis com fácil acesso às linhas para se aventurar de metrô ou ônibus ao explorar a cidade. O táxi ou uber podem ser extremamente práticos e te deixar na porta das atrações, mas o valor que você gastaria em três ou quatro corridas é praticamente o mesmo de comprar um passe ilimitado para utilizar o transporte público por uma semana.

    Além de utilizar o sistema de transporte local, procure dicas de restaurantes, lanchonetes e cafeterias frequentadas pelos próprios moradores da cidade que você pretende visitar. Esses tesouros cotidianos tem um sabor mais verdadeiro e também oferecem preços reais, sem a inflação que tempera os famosos pega-turista.

    Na atual era da informação, temos o benefício de contar com grupos nas redes sociais e fóruns na internet onde viajantes compartilham vários detalhes sobre diversos lugares do mundo para se ajudar. Aproveite! E fique atento aqui ao blog porque sempre vou indicar os achados também.

  4. Trave cotações

    Pior do que o dólar caro, é a instabilidade do câmbio no Brasil. Não tem como prever o que vai acontecer com a cotação e, mesmo quando estamos numa tendência de baixa, pode surgir um novo escândalo político para bagunçar o cenário.

    Agora imagine programar uma viagem ao exterior e reservar hospedagem antecipadamente com o dólar a R$ 3,40 (saudades!), mas no dia de desembarcar no destino e efetivamente passar o cartão para pagar a reserva o dólar estar valendo R$ 4? Na conta final, essa diferença vai pesar no orçamento.
    Como não gosto de surpresas assim, sempre busco travar cotações para contornar a variação cambial e manter o controle do orçamento. Existem sites que permitem pagar o hotel em real ainda no Brasil e até parcelar o valor em suaves prestações.

    Uso o Hotéis.com e recomendo a ferramenta, pois os preços são competitivos em relação aos outros sites de reserva, o suporte é bastante dinâmico e ainda tem um programa de fidelidade que permite ganhar diárias de graça.

    Somado a isso, é oferecida a opção de comprar com cancelamento grátis. Então, se o câmbio baixar e os preços ficarem mais em conta, é possível cancelar sem estresse e receber o dinheiro de volta para refazer a reserva com economia.

    Pela minha filosofia viajante, também utilizo a lógica de travar o câmbio comprando em real os passeios com valores a partir de US$ 70 dólares (em torno de R$ 280). Os sites Decolar.com e Expedia oferecem diversas excursões em diferentes cidades do mundo e o custo, geralmente, é compatível.  Sempre compare com o preço na moeda original para checar se não estão cobrando a mais, okay?!

  5. Não compre seus dólares todos de uma vez

    parte mais chata da viagem e justamente o dinheiro para levar. Fora do país, são poucos os bancos que oferecem saque de recursos na conta corrente para socorrer em eventual emergência. Então, será preciso se organizar para definir a quantia necessária para se bancar no dia-a-dia.

    Como já temos vários detalhes para acertar, é comum deixarmos para comprar a moeda estrangeira na última hora. Só que podemos dar azar dias antes do embarque e estarmos em um dos picos do câmbio. Para driblar a situação e tirar o melhor proveito do sobe-desce, compre a moeda estrangeira aos poucos, com pequenas quantias ao mês, até a data da viagem.

    Sempre que sobrar um trocado, fique de olho na cotação e corre para comprar seus dólares, libras ou euros. Fica tão leve que dá para juntar o montante sem perceber.Só compensa comprar a moeda de uma vez se acontecer uma queda maluca do câmbio no Brasil e tiver o recurso em conta para desembolsar.

Cinco conselhos para a 1ª viagem sozinha fora do país

Há anos você sonha conhecer um novo país e já tem até dinheiro guardado para a viagem, mas vem adiando o embarque por um simples detalhe: ainda não encontrou alguém para ir com você. Então, talvez seja a hora de deixar o medo de lado e seguir para uma aventura solo!

Não vou negar que é bom demais ter alguém do lado para compartilhar experiências, rir dos perrengues e garantir cliques especiais do passeio, porém nem sempre é possível. Se já está difícil conciliar a agenda na vida adulta para um jantar com amigos, quanto mais dar a sorte de conseguir marcar as férias na mesma data.

Sim, tem gente que vai te olhar com cara de dó porque você decidiu ir sozinha. Também é verdade que você dependerá muito da boa vontade de estranhos para não ter um álbum exclusivo de selfies e ainda ficará sem ombro amigo para te tranquilizar quando estiver perdida na rua, sem bateria no celular… Mas preciso te dizer que existe um lado bom de voar solo.

Já pensou ficar três horas explorando o museu que achou interessante e não ter ninguém emburrado para ir embora? Ou evitar uma batalha todo dia para decidir o roteiro e escutar reclamação porque o passeio que você escolheu deu errado? E que tal o privilégio de desfrutar o silêncio para absorver a cultura de um país estrangeiro enquanto se encanta com um belo pôr-do-sol?

Por essas e outras, a falta de companhia não pode ser uma desculpa para deixar de viver uma aventura. Agora se partir sozinha para fora do Brasil ainda te dá frio na barriga, eu desenvolvi um guia com cinco dicas básicas para facilitar o início da caminhada e preparar a primeira viagem por conta própria.

  1. Comece pelo Brasil

Antes de aprender a correr, a gente precisa engatinhar, né?! Uma boa forma de se preparar para desbravar outro país sozinha é começar organizando uma viagem solo dentro do Brasil. Eu, por exemplo, fiz um “treinamento” passando as férias em Curitiba, antes de embarcar para a Inglaterra no ano seguinte.

O desafio é justamente concentrar em se tornar a sua melhor companhia, já que não haverá distrações com a língua falada e nem mistérios sobre os procedimentos em caso de eventuais emergências.

Lá no fundo, a gente sabe que consegue muito bem se virar sozinha. Falta só um empurrãozinho. Por isso, escolha uma cidade, aproveite um feriado prolongado, compre as passagens e explore o destino por conta própria.

  1. Opte por países que você entenda a língua

Se correu tudo tranquilo na etapa anterior, chegou o momento de voar mais longe. Então, comece a explorar o mundo por lugares onde você não terá problemas para se comunicar. Acredite: entender os anúncios de metrô e a conversa das pessoas ao redor ajuda a controlar o medo de estar só no exterior pela primeira vez.

Isso não significa que é preciso falar inglês ou espanhol. Mesmo quem não sabe outro idioma pode encontrar destinos onde a língua não será um total enigma, afinal o português é falado – com pequenas variações – em Portugal, em países do continente africano e até regiões da Ásia. Além disso, o portunhol também abre as portas para aventuras na América Latina e na própria Europa. Pesquise e garanta logo o primeiro carimbo desse passaporte.

  1. Escolha bem a hospedagem

Não reserve um hotel apenas porque é o mais barato. Confira localização, acesso a transporte público na região, segurança do bairro e procure resenhas de quem já se hospedou no estabelecimento. É melhor prevenir do que remediar, certo?

Para ajudar na tarefa, existe um site chamado TripAdvisor que reúne avaliações do mundo todo, inclusive com fotos reais dos quartos para te alertar de propagandas enganosas. A própria ferramenta de busca do Google também traz resenhas de clientes, além de permitir consultar o mapa para ver se o endereço não fica longe de todas as atrações da cidade.

Outro ponto importante é escolher um tipo de hospedagem em que você se sentirá confortável. Não precisa compartilhar um quarto com desconhecidos num hostel ou dividir apartamento com um estranho pelo AirBNB logo na primeira viagem, só porque todo mundo indicou para economizar. Já vai ter muita novidade para processar.  Vá com calma!

  1. Planeje seu roteiro

Não precisa sair do Brasil com cada minuto da viagem planejado, mas é legal fazer a lista com os lugares que não podem ficar fora do roteiro. Com essas ideias na mão, dá até para bolar um rascunho de itinerário juntando as atrações que ficam na mesma região e aproveitar melhor o tempo.

Ao fazer o seu mapa, você ainda pode planejar como será o deslocamento e se organizar para fazer passeios a pé ou utilizando o transporte público local. A propósito, sempre dou preferência a cidades com redes eficientes de transporte público para ter mais autonomia na locomoção e evitar a necessidade de andar sozinha de taxi/uber com um motorista desconhecido.

  1. Faça um seguro viagem

Imprevistos acontecem e – como o nome já diz – não tem como adivinhar quando eles vão aparecer. Um mal-estar ou problema de saúde pode virar uma complicação enorme para quem está em outro país sem nenhum amigo ou familiar para socorrer, pois nem todo lugar tem atendimento médico gratuito como o Brasil.

Por isso, contrate um seguro viagem para contar com assistência e um contato para recorrer caso alguma coisa dê errado. A gente sempre torce para não usar, mas se precisar é bom saber que está à disposição.

Dependendo do serviço contratado, o viajante pode ter suporte (e reembolso!) até mesmo para resolver complicações por atraso em voos ou perda de bagagem. Algumas apólices cobrem  inclusive as despesas de viagem para um familiar te encontrar no destino, caso você fique doente. Então, leia as letras miúdas com atenção antes de assinar o contrato e diminua as chances de dor de cabeça.

Primeira viagem internacional: tire o projeto do papel

A primeira vez que a ideia de conhecer o mundo acendeu uma faísca na minha mente, eu ainda nem estava com o diploma de jornalista na mão. Ali, recém-saída da adolescência, andava  com a cabeça deslumbrada pelos cenários dos meus filmes e seriados favoritos… E nenhum deles era em solo tupiniquim!

Cresci na época que cinema nacional era mato e sequer existia essa moda de séries brasileiras. Então, retratos do Central Park em Nova York, do Big Ben em Londres, da Torre Eiffel em Paris e de tantos outros cantos famosos do globo imperavam no imaginário da garota aqui. Porém, eu nunca achei que esses lugares seriam mais do que paisagens conhecidas por fotografias.

Tudo parecia fora do alcance para quem não era de uma família com dinheiro sobrando e ainda morava bem no interior de Minas Gerais, longe das mil possibilidades que grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro podem oferecer.

Em meio a esses pensamentos, veio a correria da faculdade, depois o estresse para concluir o curso,  logo substituído pelo desespero de ser lançada sem experiência no mercado de trabalho e a pressão para conseguir o primeiro emprego. Muitas cinzas abafaram aquela faísca adolescente,  mas a brasa continuou viva lá embaixo… Até que um dia, há três anos, parece que jogaram gasolina e o braseiro voltou a pegar fogo.

Sendo bem sincera, o combustível foi a chegada dos trinta e poucos anos. Entrar nessa nova etapa da vida sem cumprir o roteiro básico de marido e filhos não era exatamente o que havia planejado, mas não dependia apenas de mim para mudar essa realidade, né? Afinal, qualquer relacionamento exige uma segunda parte interessada na gente kkkk

Por outro lado, organizar a tão sonhada viagem internacional era um projeto que precisava apenas do meu esforço. Foi assim o pontapé para tirar o passaporte e começar a pesquisa sobre o roteiro, preço das passagens, hospedagem e dinheiro para levar.

Coloquei tudo no papel em 2015, fiz as contas de acordo com meu orçamento e me preparei para embarcar só dois anos depois na primeira aventura fora do país. Sem pressa, de acordo com o meu ritmo e minhas condições financeiras.

É claro que dinheiro não foi o único desafio ao longo do caminho. A falta de companhia e o medo de estar sozinha quase me fizeram desistir. Até chamei amigos para ir junto e mostrei que o investimento não era impossível, mas ninguém aceitou o convite. Cada um estava ocupado com as próprias batalhas. O jeito então foi me contentar em estar comigo mesma.

Os milhares de planos rascunhados na cabeça se transformaram em fato real assim que comprei as passagens aéreas com destino a Inglaterra. Quase 30 dias sozinha em outro país (bem ousada, né!).

O bilhete sem cancelamento grátis eliminou a possibilidade de voltar atrás e, a partir do clique para confirmar, o restante foi acontecendo: defini quais cidades fariam parte do roteiro, reservei hotéis, consultei mapas, comprei os bilhetes de trem, garanti o ingresso para o teatro e atrações turísticas… De repente, já era hora de fazer as malas e seguir rumo ao aeroporto.

Enquanto eu conferia pela trigésima vez os documentos, o dinheiro e checava se nada estava faltando, um turbilhão de perguntas agitava os pensamentos: será que meu inglês estava bom? O que eu faço se me barrarem na imigração? Que ideia maluca foi essa de me enfiar sozinha em outro continente?

As dúvidas sumiram assim que eu me vi cruzando o rio Tâmisa pela primeira vez. Sabe aquele mico de chorar no busão? Eu paguei, mas nem fiquei com vergonha porque eu tinha acabado de perceber como era possível realizar o sonho de conhecer novos lugares mundo afora, mesmo para nós, pobres mortais, que tem alguns poucos reais na conta bancária. Basta planejamento, paciência e dar o primeiro passo para colocar o projeto em execução.

Hoje faz exatamente um ano do início dessa aventura. Para comemorar a data, vou trazer nos próximos posts bastante conteúdo para ajudar quem se encontra com as mesmas perguntas e dúvidas que eu tive. Então, fique ligado que vai ter guia com o passo a passo para organizar a primeira viagem internacional sozinha, dicas para driblar o dólar caro e até estratégias para montar roteiros de viagem personalizados.

O mapa para Nárnia em um passeio com CS Lewis

Para a jornalista viajante que está sempre atrás de lugares novos para conhecer, o maior sonho era achar uma passagem para Nárnia. Demorei, mas finalmente encontrei o famoso guarda-roupa que dá entrada ao reino fantástico criado pelo escritor CS Lewis e claro que vou compartilhar o caminho aqui no blog, fechando a primeira série de posts sobre viagens inspiradas por livros no Reino Unido.

O roteiro literário começa justamente na terra onde Lewis nasceu: a Irlanda do Norte, país que faz parte do Reino Unido junto com a Escócia e a Inglaterra. A história do escritor teve início em 1898 na cidade de Belfast. É possível ir até os endereços onde ele viveu na infância com a família, apenas para conferir por fora a placa azul que registra a trajetória do autor pela capital irlandesa.  Nas redondezas, ainda estão a igreja onde o autor foi batizado e uma das escolas (Campbell College) que frequentou, onde curiosamente existe um charmoso poste de luz com ares narnianos.

O grande presente para os fãs de Nárnia, entretanto, está em uma construção recente na região: a CS Lewis Square. O espaço ao ar livre foi inaugurado em novembro de 2016 e nos permite sentir como as crianças ao descobrir os arredores do reino mágico.

Além de uma estátua do escritor a bisbilhotar o interior do cobiçado guarda-roupa, a praça reúne esculturas dos principais personagens da história, inclusive o próprio Aslam, os castores e o fauno senhor Tumnus. Se a sua visita for no inverno, a neve pode tornar o cenário ainda mais fantástico para se sentir dentro do livro O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa! #ficaadica

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Mas a homenagem à obra de CS Lewis não se limita à nova praça. O escritor também vem sendo homenageado em diversos murais espalhados pelas ruas residenciais de Belfast. Os muros pintados são uma marca da cidade e recontavam parte da história da capital irlandesa, que por anos foi assolada por um intenso conflito armado entre católicos e protestantes.

Desde o cessar fogo, as pinturas paramilitares vêm sendo substituídas por imagens da cultura do país e retratos de Nárnia já são vistos na vizinhança. Então, vale a pena incluir no passeio uma passagem por Dee Street, Pansy Street e Convention Court para conferir alguns desses exemplares.

A rota inspirada em CS Lewis ainda pode te levar a uma viagem pela costa litorânea da Irlanda do Norte para visitar dois lugares que fizeram parte da infância do escritor. Um dos destinos fica ao sul de Belfast, na vila de Kilbroney. E não é suposição: o próprio autor revelou ao irmão que a floresta que contorna a pequena cidade era como imaginava a paisagem de Nárnia. Com essa dica, uma trilha foi criada no parque para dar vida ao mundo mágico. Você pode atravessar a porta do guarda-roupa, encontrar o lampião no caminho e ainda visitar a casa dos castores.

Já um passeio ao norte de Belfast chega a Cair Paravel, quer dizer, as ruínas de Dunluce Castle à beira-mar. Lewis costumava passar as férias na região. Por isso, dizem que o local alimentou as ideias para a criação do palácio narniano anos mais tarde.  Confesso que a vista é realmente igual ao cenário utilizado nos filmes da saga.

Depois de curtir o cenário irlandês, os passos de CS Lewis levam para uma das cidades mais conhecidas da Inglaterra: Oxford. O roteiro pode incluir desde a faculdade (Magdalen College) onde o escritor lecionou até o pub (Eagle and Child) onde costumava se reunir com Tolkien e outros amigos escritores para discutir literatura.

No caminho, vale procurar por uma porta especial na rua Catte Street. Com esculturas de fauno nos umbrais, a porta de madeira maciça tem a figura de um leão esculpida no centro e foi intitulada de “Narnia Door” (porta de Nárnia), pois dizem que a imagem serviu de inspiração para o guarda-roupa mágico. Não é difícil acreditar nessa teoria porque CS Lewis passava pelo local com frequência rumo à faculdade e, curiosamente, também tem um lampião bem familiar a poucos metros da porta.

Ainda na região de Oxford, outra parada interessante é The Kilns, a casa onde o autor escreveu todos os livros sobre Nárnia. A propriedade fica na zona rural e está aberta a visitação, basta agendar o tour (link em inglês). O cenário tranquilo da casa de campo serviu como pano de fundo para a história das crianças que foram evacuadas de Londres por causa da guerra.

Nos arredores da casa, uma esticadinha até a igreja Holy Trinity permitirá conhecer a congregação da qual CS Lewis se tornou membro após a conversão ao cristianismo e onde foi enterrado junto com a esposa Joy. O ponto mais emocionante da visita, entretanto, é uma das janelas. Anota essa dica e preste atenção para encontrar os vitrais com a figura de Aslam e do castelo Cair Paravel, que foram colocados justamente no lado da igreja em que o escritor costumava se sentar durante os cultos de domingo.

A jornada poderia até terminar em Oxford, mas quem chegou até aqui não resistiria a dar um pulinho em Londres, né?! Por mais que a biografia de Lewis não tenha tantos acontecimentos na capital da Inglaterra, um dos pontos turísticos mais famosos da terra da rainha, a Abadia de Westminster, reserva uma homenagem especial ao criador do reino de Nárnia e seu testemunho de fé hoje está gravado em meio à arquitetura grandiosa da catedral. Eu não resisti às lágrimas quando encontrei o memorial no canto dos poetas e voltaria só para ver de novo.

A rota do morro dos ventos uivantes com Emily Brontë

Quando fui fisgada pelas páginas do clássico “O Morro dos Ventos Uivantes” nem sequer imaginava que os cenários dramáticos da história de Catherine e Heathcliff existiam na vida real, mas ao começar a pesquisar lugares interessantes na Inglaterra não demorou muito para encontrar a bucólica cidade de Haworth, conhecida como o lar da autora Emily Brontë e das suas duas irmãs, Charlotte e Anna, também escritoras.

Por isso, o destino não poderia faltar na primeira série de posts sobre os meus roteiros de viagem inspirados em livros. As paisagens da região são tão marcantes na obra que o local é conhecido como “Bronte Country” e você pode conhecer tanto as colinas pantanosas que inspiraram a criação do morro dos ventos uivantes quanto a casa onde foi escrito um dos maiores romances da literatura mundial. A história de paixão, vingança e desespero é o único romance escrito por Emily.

Chegar a Haworth por conta própria não é uma tarefa tão fácil e a gente se sente como o visitante que se aventura pelo território descampado da propriedade de Heathcliff. Se conseguir organizar o roteiro, você pode se encaixar em tours regulares que saem de York semanalmente e levam grupos para conhecer as principais atrações em Bronte Country. Já para quem não está com a agenda flexível, alugar um carro e se arriscar na mão inglesa pode ser uma opção simples – em teoria!

Agora se faltar coragem para a roadtrip, o jeito será recorrer a conexões de trem e ônibus. A malha ferroviária da Inglaterra te levará sem complicação a cidades próximas como Bradford, Keighley e Leeds, de onde é possível pegar o bus para desembarcar em Haworth.

Uma vez no destino final, a primeira parada é justamente na casa ondem viveram as três irmãs escritoras e onde hoje funciona o museu dedicado à memória das Brontë. Ali, na sala de estar, os membros da família se reuniam e as irmãs concretizaram seus romances, circulando pela mesa inúmeras vezes e lendo trechos em voz alta uma para as outras.

A uma curta distância, os curiosos podem ver a estátua do trio Brontë e depois visitar a igreja de St Michael’s, onde o pai das escritoras foi pastor e hoje estão os túmulos da própria Emily Brontë e da irmã Charlotte, autora de Jane Eyre.

Mas a verdadeira experiência na mente da autora começa quase ao lado da igreja, por uma trilha que leva às colinas desoladas por onde a imaginação de Emily Brontë correu solta durante a juventude para contar a história trágica do morro dos ventos uivantes.

O caminho é todo sinalizado por placas para quem quiser desbravar os campos pantanosos do Norte da Inglaterra, inclusive com instruções em japonês por causa do grande número de fãs nipônicos. A região é bem tranquila e muitas mulheres fazem o percurso sozinhas para apreciar a melancolia do cenário que é quase um dos personagens da história de Brontë.

A rota inspirada no livro te levará para fora de Haworth até a pitoresca cachoeira Brontë Falls, onde há uma pedra intitulada de Brontë Chair. A queda d’água não tem nada de espetacular, mas dizem que as irmãs escritoras costumavam se revezar para sentar na pedra enquanto absorviam a paisagem e escreviam suas primeiras histórias.

A caminhada segue depois morro acima para uma casa de campo em ruínas chamada Top Withens, que supostamente foi o lugar que atiçou os pensamentos da autora e serviu de modelo para compor a residência dos Earnshaw ao longo das páginas do romance. O local foi destruído por um raio anos depois em 1893, mas passar um tempo naquele cantinho solitário faz a gente se sentir na fazenda onde a história se desenrola.

Seguindo pelos charcos britânicos, o roteiro literário chega até Ponden Hall, outra propriedade que parece ter sido retratada no romance de Emily Brontë. O local é considerado a inspiração para criar o ambiente da luxuosa mansão da família Linden, Thrushcross Grange, onde Catherine mora depois de se casar com Edgar.

O imóvel foi preservado e hoje funciona como um hotel temático, onde cada quarto leva o nome de um dos personagens principais do livro. Depois de quase 13 quilômetros de peregrinação, o dia de aventura pode terminar na pousada ou encarando o trajeto de volta até Haworth para curtir o fim de dia charmoso na vila.

Aventure-se com Jane Austen em um roteiro pelo interior da Inglaterra

Autora de livros que continuam encantando gerações há dois séculos, Jane Austen se consagrou entre os maiores nomes da literatura britânica. As mulheres fortes dos seus romances de época se destacam ainda hoje e até inspiraram uma novela brasileira (recheada de esdrúxulas adaptações), além de inúmeros filmes e séries de televisão.

Apesar de Londres estar sempre presente na obra de Austen, as histórias geralmente mostram outro lado da Inglaterra: o campo. O enredo leva os personagens por cidades peculiares do interior do país e se esbalda nos contrastes da sociedade britânica para conquistar os leitores curiosos. (Veja aqui mais viagens pelo Reino Unido inspiradas em livros)

Alguns cenários são meramente fictícios como o vilarejo Meryton de Elizabeth Bennet em Orgulho e Preconceito, mas outros lugares relatados nas páginas dos livros são endereço do mundo real e podem ser desbravados por quem topar uma aventura pelo interior da Inglaterra. Então, confira um roteiro com as quatro principais cidades que marcaram a vida e a obra de Jane Austen:

Bath

Para caminhar pelas ruas dos romances de Austen, a rota principal começa pela cidade de Bath, cenário para as histórias de Abadia de Northanger e Persuasão. A visita é como um passeio no tempo, de volta ao século XVIII, já que várias construções mantem o visual clássico do passado.

Nas andanças pela cidade das termas romanas, a primeira parada pode ser o pequeno museu dedicado à escritora. Além de várias curiosidades sobre o tempo em que Jane Austen viveu em Bath, o acervo traz informações sobre as relações sociais, os costumes e o entretenimento no início do século XIX. Dá até para experimentar os trajes de época para garantir uma bela foto de viagem.

Não bastasse isso, você ainda será recepcionado no Jane Austen Centre por guias devidamente caracterizados e tem a oportunidade de desfrutar um chá da tarde como Jane Austen e suas heroínas no salão de chá Regency. Dizem inclusive que o próprio Mr. Darcy passa por ali para cumprimentar as visitantes.

Se a sua viagem for em setembro, você ainda terá a chance de participar do Festival de Jane Austen, que transforma Bath em palco para uma série de eventos teatrais e gastronômicos. Junto com a programação cultural, a atração são as pessoas desfilando em vestidos clássicos dos períodos de Regência e os bailes de máscaras. #ficaadica

Mas o roteiro em Bath vai além do museu e do festival. Com um mapa na mão, você pode traçar seu caminho aos Assembly Rooms, onde aconteciam os bailes que movimentavam a vida social da própria escritora e de suas personagens, e à região do The Royal Crescent, uma rua espetacular com várias casas georgianas dispostas em formato de meia-lua.

De Royal Crescent, é possível refazer os passos dos protagonistas de Persuasão até a Queen Square e a praça The Circus, um dos conjuntos arquitetônicos mais bonitos do Reino Unido. Ou ainda esticar até o jardim da Igreja St. Swithin’s para ver a lápide do pai da escritora, George Austen.

Para fechar o roteiro em Bath, não poderia faltar uma passado no Pump Room, onde as pessoas costumavam se reunir nos dias de Jane Austen para  serem vistas e saberem as últimas fofocas da alta sociedade. O local hoje funciona como restaurante, mas parece ter sido frequentado até pelo irmão da autora, Henry, interessado nas águas termais terapêuticas. O passeio pelas termas romanas ao lado também vale um espaço na agenda durante a visita.

Apesar da família Austen ter morado em vários endereços pela cidade, nenhuma das casas é aberta à visitação. Hoje os turistas podem apenas contemplar a fachada das residências e, de todas, a mais interessante em Bath seria a número 4 da rua Sidney Place, onde foi colocada uma placa para relembrar o período em que o local fez parte da história da escritora.

Chawton

Quem quiser estar debaixo do teto onde Austen morou pode se deslocar até o vilarejo de Chawton. Na casa simples, ela viveu os últimos oito anos e e escreveu outros quatro livros antes de morrer em 1817. Hoje o espaço virou um museu público, que proporciona um olhar mais detalhado sobre a vida e a carreira literária da escritora britânica.

Em cada quarto, é possível se emocionar com fatos da história pessoal de Austen que foram transferidos para a biografia de suas fortes personagens, ver a mesa onde vários livros foram escritos à pena e ainda se aprofundar mais na mente de uma mulher que até hoje é aclamada por seu trabalho.

Seguindo a indicação da equipe do museu, você ainda pode se aventurar pelos jardins como era o hobby da autora e caminhar até a casa do irmão dela, transformada em biblioteca. O local abriga inclusive um centro de pesquisa e aprendizagem para o estudo das escrituras femininas iniciais de 1600 a 1830.

Lyme Regis

Outra pequena cidade que talvez mereça a atenção dos fãs mais apaixonados é Lyme Regis. Jane Austen teria visitado pelo menos duas vezes a exótica cidade litorânea na costa sul da Inglaterra e chegou a relatar suas agradáveis caminhadas à beira-mar em cartas para a irmã Cassandra.

As experiências por lá são notadas em Persuasão – provavelmente a mais autobiográfica das obras de Austen. A companhia Literary Lyme realiza caminhadas temáticas na cidade o ano todo para quem quiser conhecer o calçadão ao longo da enseada de Cobb, ver os degraus do famoso muro dos quais a protagonista Louisa Musgrove teria caído e sentir a mesma brisa revigorante do mar que a escritora apreciava.

Winchester

Seguindo os passos de Jane Austen, a jornada pelo interior da Inglaterra terminaria em Winchester, cidade que por algum tempo foi considerada o ponto de encontro do rei Arthur e os cavalheiros da Távola Redonda.

Mitos à parte, Winchester foi o lugar onde Austen passou as últimas semanas de vida. A escritora sofreu com uma doença ainda não identificada e a causa da morte é um mistério até hoje, mas a esperança de cura fez com que ela deixasse o vilarejo de Chawton para buscar um tratamento médico melhor.

Apesar dos esforços, a escritora morreu pouco tempo depois em uma casa alugada perto da Universidade Winchester e foi enterrada na catedral da cidade. A residência dos últimos dias de vida de Austen não está aberta a visitação, mas a histórica está contada na pequena placa azul colocada na fachada (8, College Street).

Já na igreja, os visitantes podem contemplar o túmulo da escritora na ala norte e também outros dois memoriais em homenagem aos seus livros. A visita fica ainda mais mágica no horário do ensaio do coral, quando as vozes repercutem na acústica da catedral.