Estratégias para viajar fora do Brasil com dólar alto

O avanço do dólar, do euro e da libra vem nos fazendo arrepiar os cabelos desde o fim do ano passado. As moedas utilizadas nos destinos mais procurados no exterior entraram em uma tendência de alta alarmante e os picos assustadores levaram muita gente a desistir de viajar para fora do Brasil por achar que não cabe no orçamento.

Existem projeções de queda ao longo dos próximos meses com o resultado das eleições, mas, se não acontecer, será que a única solução é mesmo abortar o projeto de conhecer outros lugares do mundo? Eu acredito que não.


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Apesar do real estar bem desvalorizado (atualmente perde até para o novo sol do Peru), há estratégias para conseguir driblar o câmbio, economizar e se aventurar fora do país. Afinal, a gente é brasileiro e o que não nos falta é jogo de cintura. Então, confere uma lista de dicas para te ajudar a planejar sua viagem internacional.

  1. Viajar com dólar alto: tenha flexibilidade

    Sabe a famosa lei do desapego? Então, não ter exigência quanto a um país específico é a forma mais simples de se jogar no mundo. As promoções de passagens aéreas aparecem todos os dias para diversos lugares e quem está com o coração aberto pode aproveitar entre os descontos disponíveis no período em que planeja viajar. Antes de comprar, só é interessante conferir se alimentação e hospedagem não são exorbitantes no local escolhido. Do contrário, a economia com o bilhete vai por água abaixo.

    Para quem sonha com um destino em particular, ter flexibilidade de datas facilita encontrar bons preços.  Uma estratégia eficaz é viajar fora da alta temporada do verão no Hemisfério Norte.  No período do outono-inverno na Europa e Estados Unidos (outubro a março), é comum achar preços atrativos de passagens e ainda gastar menos com hospedagem. O único contra é que nem todos os passeios funcionam na baixa estação.

    Quem só pode viajar nas férias de dezembro, janeiro ou julho tem alternativa de apostar em companhias aéreas novas e menos badaladas para conseguir voos mais baratos. Ao invés de focar a busca na TAM ou outra gigante, por que não voar de Air Europa, Alitalia ou Royal Air Maroc? É claro que o serviço tem falhas, mas, no geral, as empresas cumprem a obrigação de te levar ao destino.

  2. Driblando o câmbio: aposte em redes locais de hotelaria

    Ao visitar um lugar pela primeira vez no exterior, é normal procurarmos por marcas conhecidas e acabamos indo atrás de hotéis de grandes redes consagradas no Brasil, como Ibis, Pullman, Hilton e Marriot. Só que os preços, infelizmente, ficam mais caros ao converter para a nossa moeda. Por isso, uma dica é pesquisar por pequenos hotéis e pousadas locais no destino da viagem.

    Pense bem: se em nossa cidade tem aquele hotelzinho aconchegante, limpo e barato que recomendamos para todo mundo, o mesmo acontece em Londres, Paris, Roma, Nova York e qualquer lugar do globo. Basta só um pouco mais de tempo e dedicação para descobrir.

    Uma mão na roda para evitar cair em alguma espelunca é consultar o site TripAdvisor, que traz avaliações de estabelecimentos e fotos reais tiradas por hóspedes.

    Além disso, os hotéis tradicionais não são o único tipo de acomodação. Hoje o AirBnB  permite alugar o quarto no apartamento de alguém (ou até o imóvel inteiro) em várias cidades do mundo.

    Para o viajante solo, o dormitório compartilhado dos hostels/albergues são também uma alternativa econômica. Nessa modalidade, você reserva apenas uma cama no quarto e divide o espaço com outras pessoas pagando super barato. Para viagem com grupo de amigos ou família, é possível  fechar um quarto por um preço mais barato que o hotel e repartir o valor. Fica a dica!

  3. Viajar com dólar alto: use transporte público 

    Deslocamento e alimentação são dois itens que podem pesar os gastos de viagem em qualquer cidade, inclusive no Brasil. Por isso, imitar os moradores locais é uma dica para não extrapolar o orçamento. Ainda mais quando as despesas serão feitas em moeda estrangeira.

    Pesquise destinos com um bom sistema de transporte público e escolha hotéis com fácil acesso às linhas para se aventurar de metrô ou ônibus ao explorar a cidade. O táxi ou uber podem ser extremamente práticos e te deixar na porta das atrações, mas o valor que você gastaria em três ou quatro corridas é praticamente o mesmo de comprar um passe ilimitado para utilizar o transporte público por uma semana.

    Além de utilizar o sistema de transporte local, procure dicas de restaurantes, lanchonetes e cafeterias frequentadas pelos próprios moradores da cidade que você pretende visitar. Esses tesouros cotidianos tem um sabor mais verdadeiro e também oferecem preços reais, sem a inflação que tempera os famosos pega-turista.

    Na atual era da informação, temos o benefício de contar com grupos nas redes sociais e fóruns na internet onde viajantes compartilham vários detalhes sobre diversos lugares do mundo para se ajudar. Aproveite! E fique atento aqui ao blog porque sempre vou indicar os achados também.

  4. Economia com dólar alto: trave cotações

    Pior do que o dólar caro, é a instabilidade do câmbio no Brasil. Não tem como prever o que vai acontecer com a cotação e, mesmo quando estamos numa tendência de baixa, pode surgir um novo escândalo político para bagunçar o cenário.

    Agora imagine programar uma viagem ao exterior e reservar hospedagem antecipadamente com o dólar a R$ 3,40 (saudades!), mas no dia de desembarcar no destino e efetivamente passar o cartão para pagar a reserva o dólar estar valendo R$ 4? Na conta final, essa diferença vai pesar no orçamento.

    Como não gosto de surpresas assim, sempre busco travar cotações para contornar a variação cambial e manter o controle do orçamento. Existem sites que permitem pagar o hotel em real ainda no Brasil e até parcelar o valor em suaves prestações.

    Uso o Hotéis.com e recomendo a ferramenta, pois os preços são competitivos em relação aos outros sites de reserva, o suporte é bastante dinâmico e ainda tem um programa de fidelidade que permite ganhar diárias de graça.

    Somado a isso, é oferecida a opção de comprar com cancelamento grátis. Então, se o câmbio baixar e os preços ficarem mais em conta, é possível cancelar sem estresse e receber o dinheiro de volta para refazer a reserva com economia.

    Pela minha filosofia viajante, também utilizo a lógica de travar o câmbio comprando em real os passeios com valores a partir de US$ 70 dólares (em torno de R$ 280). Os sites Decolar.com e Expedia oferecem diversas excursões em diferentes cidades do mundo e o custo, geralmente, é compatível.  Sempre compare com o preço na moeda original para checar se não estão cobrando a mais, okay?!

  5. Não compre seus dólares todos de uma vez

    A parte mais chata da viagem é justamente o dinheiro para levar. Fora do país, são poucos os bancos que oferecem saque de recursos na conta corrente para socorrer em eventual emergência. Então, será preciso se organizar para definir a quantia necessária para se bancar no dia-a-dia.

    Como já temos vários detalhes para acertar, é comum deixarmos para comprar a moeda estrangeira na última hora. Só que podemos dar azar dias antes do embarque e estarmos em um dos picos do câmbio. Para driblar a situação e tirar o melhor proveito do sobe-desce, compre a moeda estrangeira aos poucos, com pequenas quantias ao mês, até a data da viagem.

    Sempre que sobrar um trocado, fique de olho na cotação e corre para comprar seus dólares, libras ou euros. Fica tão leve que dá para juntar o montante sem perceber.Só compensa comprar a moeda de uma vez se acontecer uma queda maluca do câmbio no Brasil e tiver o recurso em conta para desembolsar.

Cinco conselhos para a 1ª viagem sozinha fora do país

Há anos você sonha conhecer um novo país e já tem até dinheiro guardado para a viagem, mas vem adiando o embarque por um simples detalhe: ainda não encontrou alguém para ir com você. Então, talvez seja a hora de deixar o medo de lado e seguir para uma aventura solo!

Não vou negar que é bom demais ter alguém do lado para compartilhar experiências, rir dos perrengues e garantir cliques especiais do passeio, porém nem sempre é possível. Se já está difícil conciliar a agenda na vida adulta para um jantar com amigos, quanto mais dar a sorte de conseguir marcar as férias na mesma data.

Sim, tem gente que vai te olhar com cara de dó porque você decidiu ir sozinha. Também é verdade que você dependerá muito da boa vontade de estranhos para não ter um álbum exclusivo de selfies e ainda ficará sem ombro amigo para te tranquilizar quando estiver perdida na rua, sem bateria no celular… Mas preciso te dizer que existe um lado bom de voar solo.

Já pensou ficar três horas explorando o museu que achou interessante e não ter ninguém emburrado para ir embora? Ou evitar uma batalha todo dia para decidir o roteiro e escutar reclamação porque o passeio que você escolheu deu errado? E que tal o privilégio de desfrutar o silêncio para absorver a cultura de um país estrangeiro enquanto se encanta com um belo pôr-do-sol?

Por essas e outras, a falta de companhia não pode ser uma desculpa para deixar de viver uma aventura. Agora se partir sozinha para fora do Brasil ainda te dá frio na barriga, eu desenvolvi um guia com cinco dicas básicas para facilitar o início da caminhada e preparar a primeira viagem por conta própria.

  1. Comece pelo Brasil

Antes de aprender a correr, a gente precisa engatinhar, né?! Uma boa forma de se preparar para desbravar outro país sozinha é começar organizando uma viagem solo dentro do Brasil. Eu, por exemplo, fiz um “treinamento” passando as férias em Curitiba, antes de embarcar para a Inglaterra no ano seguinte.

O desafio é justamente concentrar em se tornar a sua melhor companhia, já que não haverá distrações com a língua falada e nem mistérios sobre os procedimentos em caso de eventuais emergências.

Lá no fundo, a gente sabe que consegue muito bem se virar sozinha. Falta só um empurrãozinho. Por isso, escolha uma cidade, aproveite um feriado prolongado, compre as passagens e explore o destino por conta própria.

  1. Opte por países que você entenda a língua

Se correu tudo tranquilo na etapa anterior, chegou o momento de voar mais longe. Então, comece a explorar o mundo por lugares onde você não terá problemas para se comunicar. Acredite: entender os anúncios de metrô e a conversa das pessoas ao redor ajuda a controlar o medo de estar só no exterior pela primeira vez.

Isso não significa que é preciso falar inglês ou espanhol. Mesmo quem não sabe outro idioma pode encontrar destinos onde a língua não será um total enigma, afinal o português é falado – com pequenas variações – em Portugal, em países do continente africano e até regiões da Ásia. Além disso, o portunhol também abre as portas para aventuras na América Latina e na própria Europa. Pesquise e garanta logo o primeiro carimbo desse passaporte.

  1. Escolha bem a hospedagem

Não reserve um hotel apenas porque é o mais barato. Confira localização, acesso a transporte público na região, segurança do bairro e procure resenhas de quem já se hospedou no estabelecimento. É melhor prevenir do que remediar, certo?

Para ajudar na tarefa, existe um site chamado TripAdvisor que reúne avaliações do mundo todo, inclusive com fotos reais dos quartos para te alertar de propagandas enganosas. A própria ferramenta de busca do Google também traz resenhas de clientes, além de permitir consultar o mapa para ver se o endereço não fica longe de todas as atrações da cidade.

Outro ponto importante é escolher um tipo de hospedagem em que você se sentirá confortável. Não precisa compartilhar um quarto com desconhecidos num hostel ou dividir apartamento com um estranho pelo AirBNB logo na primeira viagem, só porque todo mundo indicou para economizar. Já vai ter muita novidade para processar.  Vá com calma!

  1. Planeje seu roteiro

Não precisa sair do Brasil com cada minuto da viagem planejado, mas é legal fazer a lista com os lugares que não podem ficar fora do roteiro. Com essas ideias na mão, dá até para bolar um rascunho de itinerário juntando as atrações que ficam na mesma região e aproveitar melhor o tempo.

Ao fazer o seu mapa, você ainda pode planejar como será o deslocamento e se organizar para fazer passeios a pé ou utilizando o transporte público local. A propósito, sempre dou preferência a cidades com redes eficientes de transporte público para ter mais autonomia na locomoção e evitar a necessidade de andar sozinha de taxi/uber com um motorista desconhecido.

  1. Faça um seguro viagem

Imprevistos acontecem e – como o nome já diz – não tem como adivinhar quando eles vão aparecer. Um mal-estar ou problema de saúde pode virar uma complicação enorme para quem está em outro país sem nenhum amigo ou familiar para socorrer, pois nem todo lugar tem atendimento médico gratuito como o Brasil.

Por isso, contrate um seguro viagem para contar com assistência e um contato para recorrer caso alguma coisa dê errado. A gente sempre torce para não usar, mas se precisar é bom saber que está à disposição.

Dependendo do serviço contratado, o viajante pode ter suporte (e reembolso!) até mesmo para resolver complicações por atraso em voos ou perda de bagagem. Algumas apólices cobrem  inclusive as despesas de viagem para um familiar te encontrar no destino, caso você fique doente. Então, leia as letras miúdas com atenção antes de assinar o contrato e diminua as chances de dor de cabeça.

Primeira viagem internacional: tire o projeto do papel

A primeira vez que a ideia de conhecer o mundo acendeu uma faísca na minha mente, eu ainda nem estava com o diploma de jornalista na mão. Ali, recém-saída da adolescência, andava  com a cabeça deslumbrada pelos cenários dos meus filmes e seriados favoritos… E nenhum deles era em solo tupiniquim!

Cresci na época que cinema nacional era mato e sequer existia essa moda de séries brasileiras. Então, retratos do Central Park em Nova York, do Big Ben em Londres, da Torre Eiffel em Paris e de tantos outros cantos famosos do globo imperavam no imaginário da garota aqui. Porém, eu nunca achei que esses lugares seriam mais do que paisagens conhecidas por fotografias.

Tudo parecia fora do alcance para quem não era de uma família com dinheiro sobrando e ainda morava bem no interior de Minas Gerais, longe das mil possibilidades que grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro podem oferecer.

Em meio a esses pensamentos, veio a correria da faculdade, depois o estresse para concluir o curso,  logo substituído pelo desespero de ser lançada sem experiência no mercado de trabalho e a pressão para conseguir o primeiro emprego. Muitas cinzas abafaram aquela faísca adolescente,  mas a brasa continuou viva lá embaixo… Até que um dia, há três anos, parece que jogaram gasolina e o braseiro voltou a pegar fogo.

Sendo bem sincera, o combustível foi a chegada dos trinta e poucos anos. Entrar nessa nova etapa da vida sem cumprir o roteiro básico de marido e filhos não era exatamente o que havia planejado, mas não dependia apenas de mim para mudar essa realidade, né? Afinal, qualquer relacionamento exige uma segunda parte interessada na gente kkkk

Por outro lado, organizar a tão sonhada viagem internacional era um projeto que precisava apenas do meu esforço. Foi assim o pontapé para tirar o passaporte e começar a pesquisa sobre o roteiro, preço das passagens, hospedagem e dinheiro para levar.

Coloquei tudo no papel em 2015, fiz as contas de acordo com meu orçamento e me preparei para embarcar só dois anos depois na primeira aventura fora do país. Sem pressa, de acordo com o meu ritmo e minhas condições financeiras.

É claro que dinheiro não foi o único desafio ao longo do caminho. A falta de companhia e o medo de estar sozinha quase me fizeram desistir. Até chamei amigos para ir junto e mostrei que o investimento não era impossível, mas ninguém aceitou o convite. Cada um estava ocupado com as próprias batalhas. O jeito então foi me contentar em estar comigo mesma.

Os milhares de planos rascunhados na cabeça se transformaram em fato real assim que comprei as passagens aéreas com destino a Inglaterra. Quase 30 dias sozinha em outro país (bem ousada, né!).

O bilhete sem cancelamento grátis eliminou a possibilidade de voltar atrás e, a partir do clique para confirmar, o restante foi acontecendo: defini quais cidades fariam parte do roteiro, reservei hotéis, consultei mapas, comprei os bilhetes de trem, garanti o ingresso para o teatro e atrações turísticas… De repente, já era hora de fazer as malas e seguir rumo ao aeroporto.

Enquanto eu conferia pela trigésima vez os documentos, o dinheiro e checava se nada estava faltando, um turbilhão de perguntas agitava os pensamentos: será que meu inglês estava bom? O que eu faço se me barrarem na imigração? Que ideia maluca foi essa de me enfiar sozinha em outro continente?

As dúvidas sumiram assim que eu me vi cruzando o rio Tâmisa pela primeira vez. Sabe aquele mico de chorar no busão? Eu paguei, mas nem fiquei com vergonha porque eu tinha acabado de perceber como era possível realizar o sonho de conhecer novos lugares mundo afora, mesmo para nós, pobres mortais, que tem alguns poucos reais na conta bancária. Basta planejamento, paciência e dar o primeiro passo para colocar o projeto em execução.

Hoje faz exatamente um ano do início dessa aventura. Para comemorar a data, vou trazer nos próximos posts bastante conteúdo para ajudar quem se encontra com as mesmas perguntas e dúvidas que eu tive. Então, fique ligado que vai ter guia com o passo a passo para organizar a primeira viagem internacional sozinha, dicas para driblar o dólar caro e até estratégias para montar roteiros de viagem personalizados.

O mapa para Nárnia em um passeio com CS Lewis

Para a jornalista viajante que está sempre atrás de lugares novos para conhecer, o maior sonho era achar uma passagem para Nárnia. Demorei, mas finalmente encontrei o famoso guarda-roupa que dá entrada ao reino fantástico criado pelo escritor CS Lewis e claro que vou compartilhar o caminho aqui no blog, fechando a primeira série de posts sobre viagens inspiradas por livros no Reino Unido.

O roteiro literário começa justamente na terra onde Lewis nasceu: a Irlanda do Norte, país que faz parte do Reino Unido junto com a Escócia e a Inglaterra. A história do escritor teve início em 1898 na cidade de Belfast. É possível ir até os endereços onde ele viveu na infância com a família, apenas para conferir por fora a placa azul que registra a trajetória do autor pela capital irlandesa.  Nas redondezas, ainda estão a igreja onde o autor foi batizado e uma das escolas (Campbell College) que frequentou, onde curiosamente existe um charmoso poste de luz com ares narnianos.

O grande presente para os fãs de Nárnia, entretanto, está em uma construção recente na região: a CS Lewis Square. O espaço ao ar livre foi inaugurado em novembro de 2016 e nos permite sentir como as crianças ao descobrir os arredores do reino mágico.

Além de uma estátua do escritor a bisbilhotar o interior do cobiçado guarda-roupa, a praça reúne esculturas dos principais personagens da história, inclusive o próprio Aslam, os castores e o fauno senhor Tumnus. Se a sua visita for no inverno, a neve pode tornar o cenário ainda mais fantástico para se sentir dentro do livro O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa! #ficaadica

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Mas a homenagem à obra de CS Lewis não se limita à nova praça. O escritor também vem sendo homenageado em diversos murais espalhados pelas ruas residenciais de Belfast. Os muros pintados são uma marca da cidade e recontavam parte da história da capital irlandesa, que por anos foi assolada por um intenso conflito armado entre católicos e protestantes.

Desde o cessar fogo, as pinturas paramilitares vêm sendo substituídas por imagens da cultura do país e retratos de Nárnia já são vistos na vizinhança. Então, vale a pena incluir no passeio uma passagem por Dee Street, Pansy Street e Convention Court para conferir alguns desses exemplares.

A rota inspirada em CS Lewis ainda pode te levar a uma viagem pela costa litorânea da Irlanda do Norte para visitar dois lugares que fizeram parte da infância do escritor. Um dos destinos fica ao sul de Belfast, na vila de Kilbroney. E não é suposição: o próprio autor revelou ao irmão que a floresta que contorna a pequena cidade era como imaginava a paisagem de Nárnia. Com essa dica, uma trilha foi criada no parque para dar vida ao mundo mágico. Você pode atravessar a porta do guarda-roupa, encontrar o lampião no caminho e ainda visitar a casa dos castores.

Já um passeio ao norte de Belfast chega a Cair Paravel, quer dizer, as ruínas de Dunluce Castle à beira-mar. Lewis costumava passar as férias na região. Por isso, dizem que o local alimentou as ideias para a criação do palácio narniano anos mais tarde.  Confesso que a vista é realmente igual ao cenário utilizado nos filmes da saga.

Depois de curtir o cenário irlandês, os passos de CS Lewis levam para uma das cidades mais conhecidas da Inglaterra: Oxford. O roteiro pode incluir desde a faculdade (Magdalen College) onde o escritor lecionou até o pub (Eagle and Child) onde costumava se reunir com Tolkien e outros amigos escritores para discutir literatura.

No caminho, vale procurar por uma porta especial na rua Catte Street. Com esculturas de fauno nos umbrais, a porta de madeira maciça tem a figura de um leão esculpida no centro e foi intitulada de “Narnia Door” (porta de Nárnia), pois dizem que a imagem serviu de inspiração para o guarda-roupa mágico. Não é difícil acreditar nessa teoria porque CS Lewis passava pelo local com frequência rumo à faculdade e, curiosamente, também tem um lampião bem familiar a poucos metros da porta.

Ainda na região de Oxford, outra parada interessante é The Kilns, a casa onde o autor escreveu todos os livros sobre Nárnia. A propriedade fica na zona rural e está aberta a visitação, basta agendar o tour (link em inglês). O cenário tranquilo da casa de campo serviu como pano de fundo para a história das crianças que foram evacuadas de Londres por causa da guerra.

Nos arredores da casa, uma esticadinha até a igreja Holy Trinity permitirá conhecer a congregação da qual CS Lewis se tornou membro após a conversão ao cristianismo e onde foi enterrado junto com a esposa Joy. O ponto mais emocionante da visita, entretanto, é uma das janelas. Anota essa dica e preste atenção para encontrar os vitrais com a figura de Aslam e do castelo Cair Paravel, que foram colocados justamente no lado da igreja em que o escritor costumava se sentar durante os cultos de domingo.

A jornada poderia até terminar em Oxford, mas quem chegou até aqui não resistiria a dar um pulinho em Londres, né?! Por mais que a biografia de Lewis não tenha tantos acontecimentos na capital da Inglaterra, um dos pontos turísticos mais famosos da terra da rainha, a Abadia de Westminster, reserva uma homenagem especial ao criador do reino de Nárnia e seu testemunho de fé hoje está gravado em meio à arquitetura grandiosa da catedral. Eu não resisti às lágrimas quando encontrei o memorial no canto dos poetas e voltaria só para ver de novo.

A rota do morro dos ventos uivantes com Emily Brontë

Quando fui fisgada pelas páginas do clássico “O Morro dos Ventos Uivantes” nem sequer imaginava que os cenários dramáticos da história de Catherine e Heathcliff existiam na vida real, mas ao começar a pesquisar lugares interessantes na Inglaterra não demorou muito para encontrar a bucólica cidade de Haworth, conhecida como o lar da autora Emily Brontë e das suas duas irmãs, Charlotte e Anna, também escritoras.

Por isso, o destino não poderia faltar na primeira série de posts sobre os meus roteiros de viagem inspirados em livros. As paisagens da região são tão marcantes na obra que o local é conhecido como “Bronte Country” e você pode conhecer tanto as colinas pantanosas que inspiraram a criação do morro dos ventos uivantes quanto a casa onde foi escrito um dos maiores romances da literatura mundial. A história de paixão, vingança e desespero é o único romance escrito por Emily.

Chegar a Haworth por conta própria não é uma tarefa tão fácil e a gente se sente como o visitante que se aventura pelo território descampado da propriedade de Heathcliff. Se conseguir organizar o roteiro, você pode se encaixar em tours regulares que saem de York semanalmente e levam grupos para conhecer as principais atrações em Bronte Country. Já para quem não está com a agenda flexível, alugar um carro e se arriscar na mão inglesa pode ser uma opção simples – em teoria!

Agora se faltar coragem para a roadtrip, o jeito será recorrer a conexões de trem e ônibus. A malha ferroviária da Inglaterra te levará sem complicação a cidades próximas como Bradford, Keighley e Leeds, de onde é possível pegar o bus para desembarcar em Haworth.

Uma vez no destino final, a primeira parada é justamente na casa ondem viveram as três irmãs escritoras e onde hoje funciona o museu dedicado à memória das Brontë. Ali, na sala de estar, os membros da família se reuniam e as irmãs concretizaram seus romances, circulando pela mesa inúmeras vezes e lendo trechos em voz alta uma para as outras.

A uma curta distância, os curiosos podem ver a estátua do trio Brontë e depois visitar a igreja de St Michael’s, onde o pai das escritoras foi pastor e hoje estão os túmulos da própria Emily Brontë e da irmã Charlotte, autora de Jane Eyre.

Mas a verdadeira experiência na mente da autora começa quase ao lado da igreja, por uma trilha que leva às colinas desoladas por onde a imaginação de Emily Brontë correu solta durante a juventude para contar a história trágica do morro dos ventos uivantes.

O caminho é todo sinalizado por placas para quem quiser desbravar os campos pantanosos do Norte da Inglaterra, inclusive com instruções em japonês por causa do grande número de fãs nipônicos. A região é bem tranquila e muitas mulheres fazem o percurso sozinhas para apreciar a melancolia do cenário que é quase um dos personagens da história de Brontë.

A rota inspirada no livro te levará para fora de Haworth até a pitoresca cachoeira Brontë Falls, onde há uma pedra intitulada de Brontë Chair. A queda d’água não tem nada de espetacular, mas dizem que as irmãs escritoras costumavam se revezar para sentar na pedra enquanto absorviam a paisagem e escreviam suas primeiras histórias.

A caminhada segue depois morro acima para uma casa de campo em ruínas chamada Top Withens, que supostamente foi o lugar que atiçou os pensamentos da autora e serviu de modelo para compor a residência dos Earnshaw ao longo das páginas do romance. O local foi destruído por um raio anos depois em 1893, mas passar um tempo naquele cantinho solitário faz a gente se sentir na fazenda onde a história se desenrola.

Seguindo pelos charcos britânicos, o roteiro literário chega até Ponden Hall, outra propriedade que parece ter sido retratada no romance de Emily Brontë. O local é considerado a inspiração para criar o ambiente da luxuosa mansão da família Linden, Thrushcross Grange, onde Catherine mora depois de se casar com Edgar.

O imóvel foi preservado e hoje funciona como um hotel temático, onde cada quarto leva o nome de um dos personagens principais do livro. Depois de quase 13 quilômetros de peregrinação, o dia de aventura pode terminar na pousada ou encarando o trajeto de volta até Haworth para curtir o fim de dia charmoso na vila.

Aventure-se com Jane Austen em um roteiro pelo interior da Inglaterra

Autora de livros que continuam encantando gerações há dois séculos, Jane Austen se consagrou entre os maiores nomes da literatura britânica. As mulheres fortes dos seus romances de época se destacam ainda hoje e até inspiraram uma novela brasileira (recheada de esdrúxulas adaptações), além de inúmeros filmes e séries de televisão.

Apesar de Londres estar sempre presente na obra de Austen, as histórias geralmente mostram outro lado da Inglaterra: o campo. O enredo leva os personagens por cidades peculiares do interior do país e se esbalda nos contrastes da sociedade britânica para conquistar os leitores curiosos. (Veja aqui mais viagens pelo Reino Unido inspiradas em livros)

Alguns cenários são meramente fictícios como o vilarejo Meryton de Elizabeth Bennet em Orgulho e Preconceito, mas outros lugares relatados nas páginas dos livros são endereço do mundo real e podem ser desbravados por quem topar uma aventura pelo interior da Inglaterra. Então, confira um roteiro com as quatro principais cidades que marcaram a vida e a obra de Jane Austen:

Bath

Para caminhar pelas ruas dos romances de Austen, a rota principal começa pela cidade de Bath, cenário para as histórias de Abadia de Northanger e Persuasão. A visita é como um passeio no tempo, de volta ao século XVIII, já que várias construções mantem o visual clássico do passado.

Nas andanças pela cidade das termas romanas, a primeira parada pode ser o pequeno museu dedicado à escritora. Além de várias curiosidades sobre o tempo em que Jane Austen viveu em Bath, o acervo traz informações sobre as relações sociais, os costumes e o entretenimento no início do século XIX. Dá até para experimentar os trajes de época para garantir uma bela foto de viagem.

Não bastasse isso, você ainda será recepcionado no Jane Austen Centre por guias devidamente caracterizados e tem a oportunidade de desfrutar um chá da tarde como Jane Austen e suas heroínas no salão de chá Regency. Dizem inclusive que o próprio Mr. Darcy passa por ali para cumprimentar as visitantes.

Se a sua viagem for em setembro, você ainda terá a chance de participar do Festival de Jane Austen, que transforma Bath em palco para uma série de eventos teatrais e gastronômicos. Junto com a programação cultural, a atração são as pessoas desfilando em vestidos clássicos dos períodos de Regência e os bailes de máscaras. #ficaadica

Mas o roteiro em Bath vai além do museu e do festival. Com um mapa na mão, você pode traçar seu caminho aos Assembly Rooms, onde aconteciam os bailes que movimentavam a vida social da própria escritora e de suas personagens, e à região do The Royal Crescent, uma rua espetacular com várias casas georgianas dispostas em formato de meia-lua.

De Royal Crescent, é possível refazer os passos dos protagonistas de Persuasão até a Queen Square e a praça The Circus, um dos conjuntos arquitetônicos mais bonitos do Reino Unido. Ou ainda esticar até o jardim da Igreja St. Swithin’s para ver a lápide do pai da escritora, George Austen.

Para fechar o roteiro em Bath, não poderia faltar uma passado no Pump Room, onde as pessoas costumavam se reunir nos dias de Jane Austen para  serem vistas e saberem as últimas fofocas da alta sociedade. O local hoje funciona como restaurante, mas parece ter sido frequentado até pelo irmão da autora, Henry, interessado nas águas termais terapêuticas. O passeio pelas termas romanas ao lado também vale um espaço na agenda durante a visita.

Apesar da família Austen ter morado em vários endereços pela cidade, nenhuma das casas é aberta à visitação. Hoje os turistas podem apenas contemplar a fachada das residências e, de todas, a mais interessante em Bath seria a número 4 da rua Sidney Place, onde foi colocada uma placa para relembrar o período em que o local fez parte da história da escritora.

Chawton

Quem quiser estar debaixo do teto onde Austen morou pode se deslocar até o vilarejo de Chawton. Na casa simples, ela viveu os últimos oito anos e e escreveu outros quatro livros antes de morrer em 1817. Hoje o espaço virou um museu público, que proporciona um olhar mais detalhado sobre a vida e a carreira literária da escritora britânica.

Em cada quarto, é possível se emocionar com fatos da história pessoal de Austen que foram transferidos para a biografia de suas fortes personagens, ver a mesa onde vários livros foram escritos à pena e ainda se aprofundar mais na mente de uma mulher que até hoje é aclamada por seu trabalho.

Seguindo a indicação da equipe do museu, você ainda pode se aventurar pelos jardins como era o hobby da autora e caminhar até a casa do irmão dela, transformada em biblioteca. O local abriga inclusive um centro de pesquisa e aprendizagem para o estudo das escrituras femininas iniciais de 1600 a 1830.

Lyme Regis

Outra pequena cidade que talvez mereça a atenção dos fãs mais apaixonados é Lyme Regis. Jane Austen teria visitado pelo menos duas vezes a exótica cidade litorânea na costa sul da Inglaterra e chegou a relatar suas agradáveis caminhadas à beira-mar em cartas para a irmã Cassandra.

As experiências por lá são notadas em Persuasão – provavelmente a mais autobiográfica das obras de Austen. A companhia Literary Lyme realiza caminhadas temáticas na cidade o ano todo para quem quiser conhecer o calçadão ao longo da enseada de Cobb, ver os degraus do famoso muro dos quais a protagonista Louisa Musgrove teria caído e sentir a mesma brisa revigorante do mar que a escritora apreciava.

Winchester

Seguindo os passos de Jane Austen, a jornada pelo interior da Inglaterra terminaria em Winchester, cidade que por algum tempo foi considerada o ponto de encontro do rei Arthur e os cavalheiros da Távola Redonda.

Mitos à parte, Winchester foi o lugar onde Austen passou as últimas semanas de vida. A escritora sofreu com uma doença ainda não identificada e a causa da morte é um mistério até hoje, mas a esperança de cura fez com que ela deixasse o vilarejo de Chawton para buscar um tratamento médico melhor.

Apesar dos esforços, a escritora morreu pouco tempo depois em uma casa alugada perto da Universidade Winchester e foi enterrada na catedral da cidade. A residência dos últimos dias de vida de Austen não está aberta a visitação, mas a histórica está contada na pequena placa azul colocada na fachada (8, College Street).

Já na igreja, os visitantes podem contemplar o túmulo da escritora na ala norte e também outros dois memoriais em homenagem aos seus livros. A visita fica ainda mais mágica no horário do ensaio do coral, quando as vozes repercutem na acústica da catedral.

 

Uma viagem pela Inglaterra de Harry Potter

Não lembro exatamente quando o hábito da leitura me conquistou. Só sei que meu relacionamento com os livros começou cedo e permanecemos firmes até hoje. Confesso, porém, que não me interessei pelos clássicos no início. Os enredos juvenis da saudosa Coleção Vagalume me atraíram para as bibliotecas a princípio e depois é que fui tentada a me aventurar por narrativas mais complexas, aclamadas por gente grande.

Justamente por isso resolvi começar a série de posts sobre os roteiros literários com uma escritora novata e desbravar a Inglaterra que inspirou JK Rowling na criação do mundo mágico de Harry Potter. É fato que a obra gera controvérsia. Enquanto a trama encanta os fãs devotos do bruxinho, os leitores mais críticos olham para a história infanto-juvenil até com um pouco de desprezo.

Apesar disso, não há dúvidas que a autora conseguiu trazer a atenção de toda uma nova geração, viciada em telas vibrantes de celulares e computadores, novamente para as silenciosas páginas amareladas de um bom livro. Hoje, nos grupos de leitura, é comum até encontrar depoimentos de jovens que declaram em caixa alta que devem à escritora britânica o gosto cultivado pelo universo literário.

Por causa dessa contribuição, o trabalho de Rowling foi celebrado pela British Library no ano em que o primeiro livro completou 20 anos de lançamento. A data foi marcada pela exposição ‘Harry Potter: Uma História de Magia’, que destrinchou o embasamento teórico por trás da inspiração da escritora.

Nascida em Yate, na Inglaterra, Rowling teve a ideia de escrever a série Harry Potter enquanto estava num trem indo de Manchester para Londres, em 1990. Em um período de sete anos, Rowling vivenciou a morte da mãe, o nascimento da primeira filha, divórcio e uma crise financeira pessoal até finalizar o primeiro dos livros da saga, Harry Potter e a Pedra Filosofal, em 1997.

Antes mesmo de botar os pés em Hogwarts, o encontro entre o protagonista e a magia acontece bem no meio da capital britânica, no zoológico de Londres. O momento inclusive  está estampado na parede da ala dos repteis, onde Harry lançou – sem nem saber – um dos primeiros feitiços contra o primo Duda. O local foi utilizado na gravação do filme de estreia, mas hoje o tanque das cobras está vazio para ser preservado para posteridade (Sim, os ingleses levam a sério a criação de JK Rowling).

Depois de descobrir que não era um trouxa, Harry dá o próximo passo da aventura e embarca para Hogwarts na plataforma 9 e ¾ da estação Kings Cross, uma das mais antigas do metrô de Londres. A arquitetura da estação ferroviária já é de encher os olhos e o local ainda reserva aos fãs a oportunidade de empurrar também o seu carrinho para atravessar a parede rumo ao trem que leva à escola de magia. Há inclusive fotógrafos de prontidão para registrar o momento épico e até oferecem acessórios como o cachecol na cor da sua casa preferida (Grifinoria rules!) para você sair bem no retrato.

De King’s Cross, ainda há a possibilidade de esticar até os estúdios da Warner Bros na Inglaterra e pular dos livros para os cenários onde a história ganhou vida nos cinemas. Não é um parque com várias opções de atividades interativas, mas você vai poder tirar fotos incríveis dentro da casa dos Dudley na Rua dos Alfeneiros, bisbilhotar a sala de Dumbledore e perambular pelo Beco Diagonal olhando as vitrines das lojas. Vale a pena!

A uma curta viagem de Londres, há também cidades como Oxford, Gloucester e Lacock que foram utilizadas como set de filmagem para a saga. A visita é uma ótima oportunidade não só para desvendar um pouco mais do mundo mágico, mas também para conhecer lugares que retratam o charmoso visual do passado da Inglaterra. #ficaadica

Outros lugares tem ligação não tão óbvia com a história do bruxinho. Na minha visita a Londres, eu fiz um passeio a pé que levou até alguns pontos do setor financeiro. O guia, vestido com um cachecol nas cores de Grifinória, explicou que o banco da Inglaterra  pode ter sido o prédio que inspirou a arquitetura de Gringotes.

Para comprovar a teoria, o especialista potteriano cita a própria descrição usada por Rowling no primeiro livro, que apresenta Gringotes como um edifício imponente muito branco e com degraus de pedra branca na fachada. Exatamente o que vemos ao observar a arquitetura do banco da Inglaterra.

Do Gringotes na vida real, seguimos para o Mercado Leadenhall. A entrada foi por uma ruela estreita, como aquelas que vemos nos filmes que retratam o passado de Londres. O mercado é justamente uma coleção dessas vielas apertadas e fica numa das regiões mais antigas da cidade, onde inclusive encontramos um pub que abriu as portas em 1792. Esse cenário pitoresco é considerado uma das inspirações de Rowling para o visual do Beco Diagonal e do próprio Caldeirão Furado, segundo o guia.


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Mas não existe um consenso sobre a fonte de inspiração do beco mágico. Já li alguns sites que apontam as ruazinhas Goodwin’s Court e Cecil Court, no entorno de Charing Cross e da Trafalgar Square, como o lugar que aguçou a imaginação da escritora. Seja verdade ou não, são cantinhos charmosos da capital inglesa e não custa incluir uma parada no roteiro.

Há também quem defenda que o verdadeiro Beco Diagonal estaria fora de Londres, no norte da Inglaterra. Mais conhecida por ser a cidade Viking do Reino Unido, a pequena York recebe milhares de pottermaníacos que querem botar os pés em Shambles, a rua mais antiga da cidade e hoje consagrada pela semelhança com o lugarejo mágico.

Não é difícil acreditar que a autora foi contagiada por esse pedacinho medieval de York para desenvolver o cenário da principal rua comercial do mundo potteriano. Afinal, JK Rowling morava em Edimburgo quando escreveu o primeiro livro da saga e as duas cidades ficam a apenas 2 horas de distância de trem.

Além disso, a ligação entre York e o Beco Diagonal ficou ainda mais forte porque os produtores do filme foram até a cidade viking para estudar o visual de Shambles e desenhar o projeto para a construção dos sets de filmagem de Harry Potter.

De todos os becos visitados, eu também aposto na estreita viela de York como a inspiração da escritora. Não só pelo calçamento rústico de paralelepípedos e as construções caricatas do século XIV em ambos os lados do caminho, mas pela atmosfera acolhedora das lojinhas onde você encontra de tudo e sempre é atendido com simpatia pelos vendedores. Me senti como o próprio Harry, encantado na primeira visita ao Beco Diagonal.

Subindo um pouco mais no mapa, a capital da Escócia, Edimburgo, é uma parada interessante para quem quiser sentar no lugar onde grande parte das páginas sobre a vida do mago foram escritas: o Elephant House Cafe. Por fora, não tem nada de referência a Harry Potter, mas recomendo uma visitinha ao toalete. Calma, não é uma dica de mau gosto ou uma crítica aos pratos da casa.

É que as paredes do banheiro foram tomadas por mensagens e feitiços de fãs de todo o mundo. Já pintaram várias vezes para tentar apagar os rabiscos, mas no dia seguinte sempre havia novos recadinhos. Então, a equipe desistiu e se rendeu ao “memorial”. A homenagem curiosa até virou notícia no Daily Mail, um dos maiores jornais do Reino Unido.

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Outras referências usadas por JK Rowling estão escondidas entre os túmulos o Cemitério Greyfriars. A escritora tomou emprestados os nomes dos finados para vários personagens da saga. Entre as lápides você encontra o próprio Tom Riddle, mais conhecido como Voldemort, e o professor Severo Snape. O cemitério escocês parece também ter inspirado o ambiente fantasmagórico do retorno do Lorde das Trevas após o torneio Tribruxo.

Se bater o medo de desbravar o local sozinho, fique tranquilo porque não faltam opções de passeios a pé por Edimburgo para quem quiser conferir as curiosas ligações da capital da Escócia e o mundo de Harry Potter. Para os caçadores de referências, a cidade também é o ponto de partida de inúmeras excursões para conhecer mais paisagens do norte da Inglaterra ou das Highlands escocesas que inspiraram a história nos livros e nas telas de cinema.

Anote as dicas e vá mais longe!

1 – Quer conhecer o castelo que foi usado para as filmagens externas de Hogwarts e aprender a voar na vassoura? Siga de Edimburgo para o castelo Alnwick em Nothumberland.

2 – Deseja se sentir a caminho da escola de magia, embarque em um passeio para o viaduto de Glenfinnan e depois suba no trem a vapor Jacobite para desbravar de trem as paisagens rurais da Escócia.

3 – Para experimentar o que é estar nos corredores de Hogwarts com Harry, Ron e Hermione, faça um bate-volta até Durham e visita a catedral que serviu de cenário para as áreas externas da escola.

Das páginas dos livros para os roteiros de viagem

Outubro será uma oportunidade para unir duas grandes paixões: literatura e viagens! Como o calendário traz datas reservadas no mês para comemorar o Dia Nacional da Leitura e o Dia Nacional do Livro, nada mais justo que criar uma série de posts e começar a falar sobre os meus roteiros literários favoritos.  Para marcar a estreia desse tema aqui no blog, escolhi o Reino Unido como o primeiro destino da nossa aventura.

A Terra da Rainha tem um lugarzinho especial no meu coração, pois foi a minha primeira viagem internacional e fiquei encantada com a cortesia do povo britânico e a dedicação para manter cada pedaço da história vivo. O cuidado pode ser visto não só nas antigas construções bem preservadas, mas também no interesse em eternizar a produção artística nacional.

Na minha visita, observei um país que celebra os seus escritores e tem orgulho em contar tanto sobre as obras quanto sobre a trajetória dos autores, sejam artistas renomados do passado ou recém-descobertos.

É possível encontrar museus que reúnem material sobre os contadores de histórias e incontáveis passeios turísticos que recriam os passos deles e dos personagens mais famosos. Isso sem contar que as próprias paisagens da Inglaterra serviram de inspiração para os livros e são pontos turísticos sensacionais para conhecermos como turistas que somos.

Vários roteiros de viagem inspirados em livros podem ser feitos na Inglaterra
Com diversos sucessos literários, a Inglaterra oferece muitas opções de roteiros de viagem inspirados em livros

A lista de escritores britânicos vai longe. Se considerarmos apenas a prosa, temos nomes como Tolkien, C.S Lewis, Jane Austen, Charles Dickens, JK Rolling, William Shakespeare, Artur Conan Doyle, Agatha Christie, Oscar Wilde, Lewis Caroll, Emily Brontë, Mary Shelleye e muitos mais. Alguns criaram histórias que tem mais de 200 anos e continuam como livro de cabeceira para leitores experientes e iniciantes.

Na primeira série sobre as viagens inspiradas na literatura, convido você para passear comigo ao longo das próximas semanas para conhecer um pouco da Inglaterra de Emily Brontë, C.S Lewis, Jane Austen e JK Rowling, mergulhando pelos cenários de livros que marcaram a jornalista que vos fala.

Quer pesquisar livros para  inspirar viagens literárias em outras partes do mundo? Clique no link e se divirta.

Conheça um pedaço do Japão, sem sair de São Paulo

Quando os primeiros imigrantes japoneses desembarcaram em terras brasileiras há mais de 100 anos não era possível imaginar que os nipônicos deixariam uma marca tão profunda no meio de São Paulo, onde um pedacinho da Terra do Sol Nascente foi recriado pelos recém-chegados que buscavam começar uma nova vida no país.

Os orientais deixaram a terra natal para conseguir empregos e chegaram ao Brasil no início do século XX com a missão de suprir a demanda por mão-de-obra nas fazendas de café do interior paulista, após a abolição da escravatura.

Com paciência, os imigrantes japoneses fincaram as raízes onde hoje conhecemos como o bairro da Liberdade e deram uma nova cara para a região que antes foi palco até de execuções públicas. Chineses, coreanos e outras nacionalidades do mundo oriental vieram depois a compor também o mosaico cultural do lugar.

Essa história e os percalços do processo de adaptação à nova casa agora estão estampadas em cada esquina do bairro. As cores nipônicas saltam na arquitetura dos prédios e dos postes alegóricos que compõem o visual urbano da região. Há ainda vestígios dos costumes orientais nas lojas e no burburinho das ruas, onde os letreiros verticais dos mercadinhos e até a sinalização de trânsito sussurra aos visitantes noções básicas da enigmática língua japonesa.

Muitas pessoas são atraídas para o bairro Liberdade por causa da feirinha que acontece no local aos finais de semana desde 1975. Eu aproveitei para passear por lá quando estive em São Paulo para resolver a questão do visto americano (Veja outras opções de passeios para fazer em São Paulo).

As barracas tingidas com as cores da bandeira nipônica mostram justamente a fusão entre a cultura asiática e brazuca. Em meio a panos de prato decorados, tapetes em crochê e camisetas no estilo tye dye, você encontra bonsais, bonecas kokeshi, gatos da sorte e outras peças artesanais típicas do Japão ao caminhar pelas tendas.

A parte culinária também oferece um mix diversificado, permitindo aos visitantes se aventurarem com sushi e até o doce de feijão ou escolher algo menos desafiante como espetinhos. Se ficar na dúvida sobre algum prato, basta perguntar e os atendentes te explicam com muita simpatia sobre as opções do menu.

De todas as “vitrines” da feirinha, a que mais me prendeu foi a do senhor Midori Aoshima. Nascido no Japão, ele vive no Brasil há 60 anos. Apesar de falar um português de poucas palavras, o trabalho habilidoso feito com as mãos dispensa mais explicações aos clientes que, como eu, ficam admirados com o capricho da pintura das milenares bonequinhas kokeshi à venda.

Midori veio para o Brasil inicialmente para trabalhar numa empresa japonesa, se casou com uma brasileira, teve três filhos e nunca mais pisou no Japão. Hoje, ele aproveita a aposentadoria para se realizar como artesão.

Apesar dos atrativos da feirinha, o que eu achei mais interessante na minha visita ao bairro da Liberdade foi perambular pelas lojas e mercadinhos nas proximidades para um mergulho na cultura asiática – às vezes tão profundo que sequer foi possível entender o que estava nas prateleiras (kkkkkkk).

Entrei em cada portinha e me diverti tentando desvendar os rótulos dos produtos e sentindo os cheiros da gastronomia japonesa. Gostei tanto do ar oriental que simplesmente parei nos bancos da calçada para ver os brasileiros de olhos puxados que seguiam a rotina normal do dia, sem nem perceber a minha presença por ali.

Para quem quiser experimentar o doce de feijão ou outros das guloseimas curiosas do Japão, indico inclusive essa visita ao comércio nas ruas do entorno da feira.  Os preços são mais em conta e a variedade é bem maior.

Para a gente que pensa no feijão como companheiro inseparável do arroz, é uma experiência engraçada arriscar umas mordidas na iguaria japonesa. Mas garanto que o gosto não é nada assustador e foi perfeito para adocicar a minha visita relâmpago por São Paulo!

Curitiba: guia para primeira visita à capital do Paraná

Se eu tivesse que escolher a minha cidade favorita no Brasil, Curitiba estaria entre as principais concorrentes. Já estive na capital do Paraná duas vezes e voltaria de novo sem hesitar para aproveitar uma tarde no gramado do Jardim Botânico ou apreciar o pôr-do-sol em um dos mais de 30 parques e bosques espalhados pela cidade.

O charme da capital paranaense, entretanto, vai além de áreas verdes bem planejadas em meio aos grandes prédios. Com os traços da cultura alemã, italiana, polonesa e ucraniana presentes em cada canto, é possível mergulhar na história, na cultura e na gastronomia dos imigrantes europeus que se instalaram na região a partir do século XIX.

Por alguns instantes, dá até para se sentir fora do país, principalmente se a visita for durante o inverno e o friozinho gostoso já tiver tomado conta do clima (só para tornar ainda mais deliciosa a degustação de comfort foods como uma boa xícara de chocolate quente!).

Não bastasse todo o encanto da mistura entre os costumes tupiniquins e estrangeiros, Curitiba ainda conta com uma programação cultural abundante e eclética. Antes de marcar a data da viagem, sempre é bom conferir a agenda e garantir ingresso para os festivais, shows e eventos que rolam na cidade ao longo do ano. Ou simplesmente se aventure em atrações gratuitas, com os artistas de rua que fazem música e encenações ao ar livre.

Tudo isso faz de Curitiba um destino para famílias, casais em lua de mel, grupos de amigos e também viajantes solo em busca da próxima parada. Para quem se animou e pretende embarcar para o Sul do país, segue um guia básico para uma primeira visita à capital paranaense.

atrações em Curitiba e linha turismo

Curitiba é uma cidade com atrações extremamente fotogênicas e para todos os tipos de público. Enquanto quem gosta de vagar por ruas históricas pode desfrutar um passeio pelo centro da cidade, os viajantes que não resistem a um museu encontram espaços destinados à apreciação de arte moderna ou para relembrar a tragédia do Holocausto. Já os apaixonados por paisagens verdes se esbanjam com o ar puro dos parques e os curiosos se aventuram ao desbravar as tradições e a culinária das colônias imigrantes que dão um toque único à capital do Paraná.

Em uma primeira visita à cidade, não podem ficar fora do roteiro: o Jardim Botânico com sua famosa estufa de vidro, o Museu do Olho com os traços peculiares do arquiteto Oscar Niemeyer, a feira do Lago da Ordem transbordando cultura todos os domingos, a imponente Ópera de Árame criada no meio de uma antiga pedreira, o lúdico Bosque do Alemão onde os visitantes revivem a história de João e Maria e ainda o espetáculo de cores do pôr-do-sol no Parque Tanguá.

Outros passeios que podem ser encaixados na viagem são o bairro italiano Santa Felicidade, a torre panorâmica, o Memorial Ucraniano, o Passeio Público e a Universidade Livre do Meio Ambiente.

A maneira mais prática e fácil de percorrer todos os principais pontos turísticos curitibanos é a bordo da Linha Turismo. O ônibus de dois andares percorre 25 atrações da cidade e permite até cinco embarques ao longo do percurso. O bilhete custa R$ 45 e não tem prazo de validade, o que permite utilizar o serviço em mais de um dia.

Se a estadia em Curitiba for estendida, também é possível ampliar o roteiro para explorar os arredores da capital paranaense. O caminho pode ser percorrido de forma bucólica, a bordo do trem que se embrenha pela Serra do Mar e leva até a pequena cidade de Morretes para saborear um barreado (prato típico local) às margens do rio Nhundiaquara.

A aventura ainda pode incluir uma esticadinha até Paranaguá para pegar a barca e seguir até a Ilha do Mel, um paraíso no litoral do Paraná com 25 quilômetros de praias naturais e onde o único meio de transporte sãs as pernas para encarar as trilhas que descortinam cenários espetaculares no meio da reserva.

Outra rota leva até a cidade de Ponta Grossa para visitar o Parque Estadual de Vila Velha, uma reserva natural com exemplares de formações rochosas geológicas que impressionam pelo tamanho e diversidade de formas esculpidas pelo tempo.

Onde ficar em Curitiba

As principais zonas hoteleiras da capital do Paraná ficam concentradas no Centro Histórico e o bairro Batel. Há ofertas para todos os bolsos, desde hotéis econômicos a hotéis superluxuosos.

O miolo central histórico fica perto de tudo e oferece deslocamento fácil para várias atrações. No entanto, o movimento diminui fora do horário comercial e existem muitos moradores de rua na região, o que traz um pouco de insegurança principalmente à noite.

O bairro Batel é vizinho ao centro, mas tem um panorama mais sofisticado. Reconhecido por uma vida noturna intensa e cheio de bons restaurantes, bares, cafés e opções de compras, o local permite caminhar com mais tranquilidade em qualquer horário. Em contrapartida, os hotéis desta área também seguem o padrão e tem preços mais altos. É uma opção excelente para quem não está com orçamento apertado.

No entanto, se a palavra de ordem é economia, uma boa relação custo-benefício é buscar hotéis na transição da região central para o bairro Batel, garantindo um clima seguro e com preços mais acessíveis. Esse foi o local onde fiquei hospedada na minha última visita a Curitiba e super recomendo, inclusive já indiquei um hotel bom-bonitinho-barato nessa área.

Onde comer em Curitiba

A alimentação em Curitiba é um dos maiores desafios para quem está com dinheiro contado na viagem. As feiras de gastronomia nos bairros são boas alternativas para experimentar a culinária dos imigrantes poloneses, ucranianos, alemães e italianos, sem ter o orçamento comprometido pela onda de gourmetização dos restaurantes.

Não pode faltar uma degustação do pierogi (pastel cozido, de origem polonesa). Procure o trailer do Tadeu, seja na feira da praça Ucrânia (sexta), na feira do Batel (sábado) ou mesmo na feira do Lago da Ordem (domingo).

Outra opção para gastar pouco e desafiar o paladar com os pratos típicos é o Bar Baran. Com referências à cultura ucraniana e lanches típicos do leste europeu, o local também tem no cardápio a tradicional carne de onça (nada mais que carne bovina magra, sem nervo ou gordura, temperada e servida sobre fatias de broa preta) e o pão com bolinho.

Além disso, no inverno, é aberta a temporada do Buffet de Sopas, do fondue e do quentão em Curitiba. Dois restaurantes que oferecem esses pratos sem cobrar caro são o Kanavial e o Happy Burger. Para degustar um pouco da cozinha italiana, os restaurantes Nonna Giovanna, Cantina da Mamma e Casa das Massas oferecem preços agradáveis ao bolso.

As cafeterias são mais uma alternativa para matar a fome na capital do Paraná. Empório Muf’s, Bannofi, Café do Paço e Caramelodrama Confeitaria são apenas alguns locais que oferecem delícias a preços justos. Para mais indicações de restaurantes, lanchonetes, cafeterias e bares com preços econômicos, clique no link.

Transporte público em Curitiba

O eficiente transporte público projetado por Jaime Lerner é uma praticidade para quem viaja sozinho e quer descobrir algum novo ponto da cidade.  Com internet e o googlemaps, dá para planejar a rota e verificar os ônibus para te levar ao destino pretendido.

Apenas fique atento ao seguinte: Se o embarque for em uma estação-tubo, basta pagar o cobrador e embarcar. Agora se o ponto de ônibus for na rua, é preciso comprar um cartão porque não é aceito dinheiro dentro do veículo. O cartão é fácil de achar em bancas e lojas ou você pode pedir a outro passageiro para passar a tarjeta e pagar o valor da passagem para ele.

O ônibus também é uma opção para o trajeto entre a cidade e o aeroporto. O veículo executivo está custando R$ 17 por pessoa (ida e volta) em 2018 e oferece diversas opções de horários a partir das 5h30 até meia-noite. O itinerário abrange grande parte da região central de Curitiba. Confira horários e locais de embarque/desembarque aqui.