Aventure-se com Jane Austen em um roteiro pelo interior da Inglaterra

Autora de livros que continuam encantando gerações há dois séculos, Jane Austen se consagrou entre os maiores nomes da literatura britânica. As mulheres fortes dos seus romances de época se destacam ainda hoje e até inspiraram uma novela brasileira (recheada de esdrúxulas adaptações), além de inúmeros filmes e séries de televisão.

Apesar de Londres estar sempre presente na obra de Austen, as histórias geralmente mostram outro lado da Inglaterra: o campo. O enredo leva os personagens por cidades peculiares do interior do país e se esbalda nos contrastes da sociedade britânica para conquistar os leitores curiosos. (Veja aqui mais viagens pelo Reino Unido inspiradas em livros)

Alguns cenários são meramente fictícios como o vilarejo Meryton de Elizabeth Bennet em Orgulho e Preconceito, mas outros lugares relatados nas páginas dos livros são endereço do mundo real e podem ser desbravados por quem topar uma aventura pelo interior da Inglaterra. Então, confira um roteiro com as quatro principais cidades que marcaram a vida e a obra de Jane Austen:

Bath

Para caminhar pelas ruas dos romances de Austen, a rota principal começa pela cidade de Bath, cenário para as histórias de Abadia de Northanger e Persuasão. A visita é como um passeio no tempo, de volta ao século XVIII, já que várias construções mantem o visual clássico do passado.

Nas andanças pela cidade das termas romanas, a primeira parada pode ser o pequeno museu dedicado à escritora. Além de várias curiosidades sobre o tempo em que Jane Austen viveu em Bath, o acervo traz informações sobre as relações sociais, os costumes e o entretenimento no início do século XIX. Dá até para experimentar os trajes de época para garantir uma bela foto de viagem.

Não bastasse isso, você ainda será recepcionado no Jane Austen Centre por guias devidamente caracterizados e tem a oportunidade de desfrutar um chá da tarde como Jane Austen e suas heroínas no salão de chá Regency. Dizem inclusive que o próprio Mr. Darcy passa por ali para cumprimentar as visitantes.

Se a sua viagem for em setembro, você ainda terá a chance de participar do Festival de Jane Austen, que transforma Bath em palco para uma série de eventos teatrais e gastronômicos. Junto com a programação cultural, a atração são as pessoas desfilando em vestidos clássicos dos períodos de Regência e os bailes de máscaras. #ficaadica

Mas o roteiro em Bath vai além do museu e do festival. Com um mapa na mão, você pode traçar seu caminho aos Assembly Rooms, onde aconteciam os bailes que movimentavam a vida social da própria escritora e de suas personagens, e à região do The Royal Crescent, uma rua espetacular com várias casas georgianas dispostas em formato de meia-lua.

De Royal Crescent, é possível refazer os passos dos protagonistas de Persuasão até a Queen Square e a praça The Circus, um dos conjuntos arquitetônicos mais bonitos do Reino Unido. Ou ainda esticar até o jardim da Igreja St. Swithin’s para ver a lápide do pai da escritora, George Austen.

Para fechar o roteiro em Bath, não poderia faltar uma passado no Pump Room, onde as pessoas costumavam se reunir nos dias de Jane Austen para  serem vistas e saberem as últimas fofocas da alta sociedade. O local hoje funciona como restaurante, mas parece ter sido frequentado até pelo irmão da autora, Henry, interessado nas águas termais terapêuticas. O passeio pelas termas romanas ao lado também vale um espaço na agenda durante a visita.

Apesar da família Austen ter morado em vários endereços pela cidade, nenhuma das casas é aberta à visitação. Hoje os turistas podem apenas contemplar a fachada das residências e, de todas, a mais interessante em Bath seria a número 4 da rua Sidney Place, onde foi colocada uma placa para relembrar o período em que o local fez parte da história da escritora.

Chawton

Quem quiser estar debaixo do teto onde Austen morou pode se deslocar até o vilarejo de Chawton. Na casa simples, ela viveu os últimos oito anos e e escreveu outros quatro livros antes de morrer em 1817. Hoje o espaço virou um museu público, que proporciona um olhar mais detalhado sobre a vida e a carreira literária da escritora britânica.

Em cada quarto, é possível se emocionar com fatos da história pessoal de Austen que foram transferidos para a biografia de suas fortes personagens, ver a mesa onde vários livros foram escritos à pena e ainda se aprofundar mais na mente de uma mulher que até hoje é aclamada por seu trabalho.

Seguindo a indicação da equipe do museu, você ainda pode se aventurar pelos jardins como era o hobby da autora e caminhar até a casa do irmão dela, transformada em biblioteca. O local abriga inclusive um centro de pesquisa e aprendizagem para o estudo das escrituras femininas iniciais de 1600 a 1830.

Lyme Regis

Outra pequena cidade que talvez mereça a atenção dos fãs mais apaixonados é Lyme Regis. Jane Austen teria visitado pelo menos duas vezes a exótica cidade litorânea na costa sul da Inglaterra e chegou a relatar suas agradáveis caminhadas à beira-mar em cartas para a irmã Cassandra.

As experiências por lá são notadas em Persuasão – provavelmente a mais autobiográfica das obras de Austen. A companhia Literary Lyme realiza caminhadas temáticas na cidade o ano todo para quem quiser conhecer o calçadão ao longo da enseada de Cobb, ver os degraus do famoso muro dos quais a protagonista Louisa Musgrove teria caído e sentir a mesma brisa revigorante do mar que a escritora apreciava.

Winchester

Seguindo os passos de Jane Austen, a jornada pelo interior da Inglaterra terminaria em Winchester, cidade que por algum tempo foi considerada o ponto de encontro do rei Arthur e os cavalheiros da Távola Redonda.

Mitos à parte, Winchester foi o lugar onde Austen passou as últimas semanas de vida. A escritora sofreu com uma doença ainda não identificada e a causa da morte é um mistério até hoje, mas a esperança de cura fez com que ela deixasse o vilarejo de Chawton para buscar um tratamento médico melhor.

Apesar dos esforços, a escritora morreu pouco tempo depois em uma casa alugada perto da Universidade Winchester e foi enterrada na catedral da cidade. A residência dos últimos dias de vida de Austen não está aberta a visitação, mas a histórica está contada na pequena placa azul colocada na fachada (8, College Street).

Já na igreja, os visitantes podem contemplar o túmulo da escritora na ala norte e também outros dois memoriais em homenagem aos seus livros. A visita fica ainda mais mágica no horário do ensaio do coral, quando as vozes repercutem na acústica da catedral.

 

Uma viagem pela Inglaterra de Harry Potter

Não lembro exatamente quando o hábito da leitura me conquistou. Só sei que meu relacionamento com os livros começou cedo e permanecemos firmes até hoje. Confesso, porém, que não me interessei pelos clássicos no início. Os enredos juvenis da saudosa Coleção Vagalume me atraíram para as bibliotecas a princípio e depois é que fui tentada a me aventurar por narrativas mais complexas, aclamadas por gente grande.

Justamente por isso resolvi começar a série de posts sobre os roteiros literários com uma escritora novata e desbravar a Inglaterra que inspirou JK Rowling na criação do mundo mágico de Harry Potter. É fato que a obra gera controvérsia. Enquanto a trama encanta os fãs devotos do bruxinho, os leitores mais críticos olham para a história infanto-juvenil até com um pouco de desprezo.

Apesar disso, não há dúvidas que a autora conseguiu trazer a atenção de toda uma nova geração, viciada em telas vibrantes de celulares e computadores, novamente para as silenciosas páginas amareladas de um bom livro. Hoje, nos grupos de leitura, é comum até encontrar depoimentos de jovens que declaram em caixa alta que devem à escritora britânica o gosto cultivado pelo universo literário.

Por causa dessa contribuição, o trabalho de Rowling foi celebrado pela British Library no ano em que o primeiro livro completou 20 anos de lançamento. A data foi marcada pela exposição ‘Harry Potter: Uma História de Magia’, que destrinchou o embasamento teórico por trás da inspiração da escritora.

Nascida em Yate, na Inglaterra, Rowling teve a ideia de escrever a série Harry Potter enquanto estava num trem indo de Manchester para Londres, em 1990. Em um período de sete anos, Rowling vivenciou a morte da mãe, o nascimento da primeira filha, divórcio e uma crise financeira pessoal até finalizar o primeiro dos livros da saga, Harry Potter e a Pedra Filosofal, em 1997.

Antes mesmo de botar os pés em Hogwarts, o encontro entre o protagonista e a magia acontece bem no meio da capital britânica, no zoológico de Londres. O momento inclusive  está estampado na parede da ala dos repteis, onde Harry lançou – sem nem saber – um dos primeiros feitiços contra o primo Duda. O local foi utilizado na gravação do filme de estreia, mas hoje o tanque das cobras está vazio para ser preservado para posteridade (Sim, os ingleses levam a sério a criação de JK Rowling).

Depois de descobrir que não era um trouxa, Harry dá o próximo passo da aventura e embarca para Hogwarts na plataforma 9 e ¾ da estação Kings Cross, uma das mais antigas do metrô de Londres. A arquitetura da estação ferroviária já é de encher os olhos e o local ainda reserva aos fãs a oportunidade de empurrar também o seu carrinho para atravessar a parede rumo ao trem que leva à escola de magia. Há inclusive fotógrafos de prontidão para registrar o momento épico e até oferecem acessórios como o cachecol na cor da sua casa preferida (Grifinoria rules!) para você sair bem no retrato.

De King’s Cross, ainda há a possibilidade de esticar até os estúdios da Warner Bros na Inglaterra e pular dos livros para os cenários onde a história ganhou vida nos cinemas. Não é um parque com várias opções de atividades interativas, mas você vai poder tirar fotos incríveis dentro da casa dos Dudley na Rua dos Alfeneiros, bisbilhotar a sala de Dumbledore e perambular pelo Beco Diagonal olhando as vitrines das lojas. Vale a pena!

A uma curta viagem de Londres, há também cidades como Oxford, Gloucester e Lacock que foram utilizadas como set de filmagem para a saga. A visita é uma ótima oportunidade não só para desvendar um pouco mais do mundo mágico, mas também para conhecer lugares que retratam o charmoso visual do passado da Inglaterra. #ficaadica

Outros lugares tem ligação não tão óbvia com a história do bruxinho. Na minha visita a Londres, eu fiz um passeio a pé que levou até alguns pontos do setor financeiro. O guia, vestido com um cachecol nas cores de Grifinória, explicou que o banco da Inglaterra  pode ter sido o prédio que inspirou a arquitetura de Gringotes.

Para comprovar a teoria, o especialista potteriano cita a própria descrição usada por Rowling no primeiro livro, que apresenta Gringotes como um edifício imponente muito branco e com degraus de pedra branca na fachada. Exatamente o que vemos ao observar a arquitetura do banco da Inglaterra.

Do Gringotes na vida real, seguimos para o Mercado Leadenhall. A entrada foi por uma ruela estreita, como aquelas que vemos nos filmes que retratam o passado de Londres. O mercado é justamente uma coleção dessas vielas apertadas e fica numa das regiões mais antigas da cidade, onde inclusive encontramos um pub que abriu as portas em 1792. Esse cenário pitoresco é considerado uma das inspirações de Rowling para o visual do Beco Diagonal e do próprio Caldeirão Furado, segundo o guia.


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Mas não existe um consenso sobre a fonte de inspiração do beco mágico. Já li alguns sites que apontam as ruazinhas Goodwin’s Court e Cecil Court, no entorno de Charing Cross e da Trafalgar Square, como o lugar que aguçou a imaginação da escritora. Seja verdade ou não, são cantinhos charmosos da capital inglesa e não custa incluir uma parada no roteiro.

Há também quem defenda que o verdadeiro Beco Diagonal estaria fora de Londres, no norte da Inglaterra. Mais conhecida por ser a cidade Viking do Reino Unido, a pequena York recebe milhares de pottermaníacos que querem botar os pés em Shambles, a rua mais antiga da cidade e hoje consagrada pela semelhança com o lugarejo mágico.

Não é difícil acreditar que a autora foi contagiada por esse pedacinho medieval de York para desenvolver o cenário da principal rua comercial do mundo potteriano. Afinal, JK Rowling morava em Edimburgo quando escreveu o primeiro livro da saga e as duas cidades ficam a apenas 2 horas de distância de trem.

Além disso, a ligação entre York e o Beco Diagonal ficou ainda mais forte porque os produtores do filme foram até a cidade viking para estudar o visual de Shambles e desenhar o projeto para a construção dos sets de filmagem de Harry Potter.

De todos os becos visitados, eu também aposto na estreita viela de York como a inspiração da escritora. Não só pelo calçamento rústico de paralelepípedos e as construções caricatas do século XIV em ambos os lados do caminho, mas pela atmosfera acolhedora das lojinhas onde você encontra de tudo e sempre é atendido com simpatia pelos vendedores. Me senti como o próprio Harry, encantado na primeira visita ao Beco Diagonal.

Subindo um pouco mais no mapa, a capital da Escócia, Edimburgo, é uma parada interessante para quem quiser sentar no lugar onde grande parte das páginas sobre a vida do mago foram escritas: o Elephant House Cafe. Por fora, não tem nada de referência a Harry Potter, mas recomendo uma visitinha ao toalete. Calma, não é uma dica de mau gosto ou uma crítica aos pratos da casa.

É que as paredes do banheiro foram tomadas por mensagens e feitiços de fãs de todo o mundo. Já pintaram várias vezes para tentar apagar os rabiscos, mas no dia seguinte sempre havia novos recadinhos. Então, a equipe desistiu e se rendeu ao “memorial”. A homenagem curiosa até virou notícia no Daily Mail, um dos maiores jornais do Reino Unido.

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Outras referências usadas por JK Rowling estão escondidas entre os túmulos o Cemitério Greyfriars. A escritora tomou emprestados os nomes dos finados para vários personagens da saga. Entre as lápides você encontra o próprio Tom Riddle, mais conhecido como Voldemort, e o professor Severo Snape. O cemitério escocês parece também ter inspirado o ambiente fantasmagórico do retorno do Lorde das Trevas após o torneio Tribruxo.

Se bater o medo de desbravar o local sozinho, fique tranquilo porque não faltam opções de passeios a pé por Edimburgo para quem quiser conferir as curiosas ligações da capital da Escócia e o mundo de Harry Potter. Para os caçadores de referências, a cidade também é o ponto de partida de inúmeras excursões para conhecer mais paisagens do norte da Inglaterra ou das Highlands escocesas que inspiraram a história nos livros e nas telas de cinema.

Anote as dicas e vá mais longe!

1 – Quer conhecer o castelo que foi usado para as filmagens externas de Hogwarts e aprender a voar na vassoura? Siga de Edimburgo para o castelo Alnwick em Nothumberland.

2 – Deseja se sentir a caminho da escola de magia, embarque em um passeio para o viaduto de Glenfinnan e depois suba no trem a vapor Jacobite para desbravar de trem as paisagens rurais da Escócia.

3 – Para experimentar o que é estar nos corredores de Hogwarts com Harry, Ron e Hermione, faça um bate-volta até Durham e visita a catedral que serviu de cenário para as áreas externas da escola.

Das páginas dos livros para os roteiros de viagem

Outubro será uma oportunidade para unir duas grandes paixões: literatura e viagens! Como o calendário traz datas reservadas no mês para comemorar o Dia Nacional da Leitura e o Dia Nacional do Livro, nada mais justo que criar uma série de posts e começar a falar sobre os meus roteiros literários favoritos.  Para marcar a estreia desse tema aqui no blog, escolhi o Reino Unido como o primeiro destino da nossa aventura.

A Terra da Rainha tem um lugarzinho especial no meu coração, pois foi a minha primeira viagem internacional e fiquei encantada com a cortesia do povo britânico e a dedicação para manter cada pedaço da história vivo. O cuidado pode ser visto não só nas antigas construções bem preservadas, mas também no interesse em eternizar a produção artística nacional.

Na minha visita, observei um país que celebra os seus escritores e tem orgulho em contar tanto sobre as obras quanto sobre a trajetória dos autores, sejam artistas renomados do passado ou recém-descobertos.

É possível encontrar museus que reúnem material sobre os contadores de histórias e incontáveis passeios turísticos que recriam os passos deles e dos personagens mais famosos. Isso sem contar que as próprias paisagens da Inglaterra serviram de inspiração para os livros e são pontos turísticos sensacionais para conhecermos como turistas que somos.

Vários roteiros de viagem inspirados em livros podem ser feitos na Inglaterra
Com diversos sucessos literários, a Inglaterra oferece muitas opções de roteiros de viagem inspirados em livros

A lista de escritores britânicos vai longe. Se considerarmos apenas a prosa, temos nomes como Tolkien, C.S Lewis, Jane Austen, Charles Dickens, JK Rolling, William Shakespeare, Artur Conan Doyle, Agatha Christie, Oscar Wilde, Lewis Caroll, Emily Brontë, Mary Shelleye e muitos mais. Alguns criaram histórias que tem mais de 200 anos e continuam como livro de cabeceira para leitores experientes e iniciantes.

Na primeira série sobre as viagens inspiradas na literatura, convido você para passear comigo ao longo das próximas semanas para conhecer um pouco da Inglaterra de Emily Brontë, C.S Lewis, Jane Austen e JK Rowling, mergulhando pelos cenários de livros que marcaram a jornalista que vos fala.

Quer pesquisar livros para  inspirar viagens literárias em outras partes do mundo? Clique no link e se divirta.

Curitiba: guia para primeira visita à capital do Paraná

Se eu tivesse que escolher a minha cidade favorita no Brasil, Curitiba estaria entre as principais concorrentes. Já estive na capital do Paraná duas vezes e voltaria de novo sem hesitar para aproveitar uma tarde no gramado do Jardim Botânico ou apreciar o pôr-do-sol em um dos mais de 30 parques e bosques espalhados pela cidade.

O charme da capital paranaense, entretanto, vai além de áreas verdes bem planejadas em meio aos grandes prédios. Com os traços da cultura alemã, italiana, polonesa e ucraniana presentes em cada canto, é possível mergulhar na história, na cultura e na gastronomia dos imigrantes europeus que se instalaram na região a partir do século XIX.

Por alguns instantes, dá até para se sentir fora do país, principalmente se a visita for durante o inverno e o friozinho gostoso já tiver tomado conta do clima (só para tornar ainda mais deliciosa a degustação de comfort foods como uma boa xícara de chocolate quente!).

Não bastasse todo o encanto da mistura entre os costumes tupiniquins e estrangeiros, Curitiba ainda conta com uma programação cultural abundante e eclética. Antes de marcar a data da viagem, sempre é bom conferir a agenda e garantir ingresso para os festivais, shows e eventos que rolam na cidade ao longo do ano. Ou simplesmente se aventure em atrações gratuitas, com os artistas de rua que fazem música e encenações ao ar livre.

Tudo isso faz de Curitiba um destino para famílias, casais em lua de mel, grupos de amigos e também viajantes solo em busca da próxima parada. Para quem se animou e pretende embarcar para o Sul do país, segue um guia básico para uma primeira visita à capital paranaense.

atrações em Curitiba e linha turismo

Curitiba é uma cidade com atrações extremamente fotogênicas e para todos os tipos de público. Enquanto quem gosta de vagar por ruas históricas pode desfrutar um passeio pelo centro da cidade, os viajantes que não resistem a um museu encontram espaços destinados à apreciação de arte moderna ou para relembrar a tragédia do Holocausto. Já os apaixonados por paisagens verdes se esbanjam com o ar puro dos parques e os curiosos se aventuram ao desbravar as tradições e a culinária das colônias imigrantes que dão um toque único à capital do Paraná.

Em uma primeira visita à cidade, não podem ficar fora do roteiro: o Jardim Botânico com sua famosa estufa de vidro, o Museu do Olho com os traços peculiares do arquiteto Oscar Niemeyer, a feira do Lago da Ordem transbordando cultura todos os domingos, a imponente Ópera de Árame criada no meio de uma antiga pedreira, o lúdico Bosque do Alemão onde os visitantes revivem a história de João e Maria e ainda o espetáculo de cores do pôr-do-sol no Parque Tanguá.

Outros passeios que podem ser encaixados na viagem são o bairro italiano Santa Felicidade, a torre panorâmica, o Memorial Ucraniano, o Passeio Público e a Universidade Livre do Meio Ambiente.

A maneira mais prática e fácil de percorrer todos os principais pontos turísticos curitibanos é a bordo da Linha Turismo. O ônibus de dois andares percorre 25 atrações da cidade e permite até cinco embarques ao longo do percurso. O bilhete custa R$ 45 e não tem prazo de validade, o que permite utilizar o serviço em mais de um dia.

Se a estadia em Curitiba for estendida, também é possível ampliar o roteiro para explorar os arredores da capital paranaense. O caminho pode ser percorrido de forma bucólica, a bordo do trem que se embrenha pela Serra do Mar e leva até a pequena cidade de Morretes para saborear um barreado (prato típico local) às margens do rio Nhundiaquara.

A aventura ainda pode incluir uma esticadinha até Paranaguá para pegar a barca e seguir até a Ilha do Mel, um paraíso no litoral do Paraná com 25 quilômetros de praias naturais e onde o único meio de transporte sãs as pernas para encarar as trilhas que descortinam cenários espetaculares no meio da reserva.

Outra rota leva até a cidade de Ponta Grossa para visitar o Parque Estadual de Vila Velha, uma reserva natural com exemplares de formações rochosas geológicas que impressionam pelo tamanho e diversidade de formas esculpidas pelo tempo.

Onde ficar em Curitiba

As principais zonas hoteleiras da capital do Paraná ficam concentradas no Centro Histórico e o bairro Batel. Há ofertas para todos os bolsos, desde hotéis econômicos a hotéis superluxuosos.

O miolo central histórico fica perto de tudo e oferece deslocamento fácil para várias atrações. No entanto, o movimento diminui fora do horário comercial e existem muitos moradores de rua na região, o que traz um pouco de insegurança principalmente à noite.

O bairro Batel é vizinho ao centro, mas tem um panorama mais sofisticado. Reconhecido por uma vida noturna intensa e cheio de bons restaurantes, bares, cafés e opções de compras, o local permite caminhar com mais tranquilidade em qualquer horário. Em contrapartida, os hotéis desta área também seguem o padrão e tem preços mais altos. É uma opção excelente para quem não está com orçamento apertado.

No entanto, se a palavra de ordem é economia, uma boa relação custo-benefício é buscar hotéis na transição da região central para o bairro Batel, garantindo um clima seguro e com preços mais acessíveis. Esse foi o local onde fiquei hospedada na minha última visita a Curitiba e super recomendo, inclusive já indiquei um hotel bom-bonitinho-barato nessa área.

Onde comer em Curitiba

A alimentação em Curitiba é um dos maiores desafios para quem está com dinheiro contado na viagem. As feiras de gastronomia nos bairros são boas alternativas para experimentar a culinária dos imigrantes poloneses, ucranianos, alemães e italianos, sem ter o orçamento comprometido pela onda de gourmetização dos restaurantes.

Não pode faltar uma degustação do pierogi (pastel cozido, de origem polonesa). Procure o trailer do Tadeu, seja na feira da praça Ucrânia (sexta), na feira do Batel (sábado) ou mesmo na feira do Lago da Ordem (domingo).

Outra opção para gastar pouco e desafiar o paladar com os pratos típicos é o Bar Baran. Com referências à cultura ucraniana e lanches típicos do leste europeu, o local também tem no cardápio a tradicional carne de onça (nada mais que carne bovina magra, sem nervo ou gordura, temperada e servida sobre fatias de broa preta) e o pão com bolinho.

Além disso, no inverno, é aberta a temporada do Buffet de Sopas, do fondue e do quentão em Curitiba. Dois restaurantes que oferecem esses pratos sem cobrar caro são o Kanavial e o Happy Burger. Para degustar um pouco da cozinha italiana, os restaurantes Nonna Giovanna, Cantina da Mamma e Casa das Massas oferecem preços agradáveis ao bolso.

As cafeterias são mais uma alternativa para matar a fome na capital do Paraná. Empório Muf’s, Bannofi, Café do Paço e Caramelodrama Confeitaria são apenas alguns locais que oferecem delícias a preços justos. Para mais indicações de restaurantes, lanchonetes, cafeterias e bares com preços econômicos, clique no link.

Transporte público em Curitiba

O eficiente transporte público projetado por Jaime Lerner é uma praticidade para quem viaja sozinho e quer descobrir algum novo ponto da cidade.  Com internet e o googlemaps, dá para planejar a rota e verificar os ônibus para te levar ao destino pretendido.

Apenas fique atento ao seguinte: Se o embarque for em uma estação-tubo, basta pagar o cobrador e embarcar. Agora se o ponto de ônibus for na rua, é preciso comprar um cartão porque não é aceito dinheiro dentro do veículo. O cartão é fácil de achar em bancas e lojas ou você pode pedir a outro passageiro para passar a tarjeta e pagar o valor da passagem para ele.

O ônibus também é uma opção para o trajeto entre a cidade e o aeroporto. O veículo executivo está custando R$ 17 por pessoa (ida e volta) em 2018 e oferece diversas opções de horários a partir das 5h30 até meia-noite. O itinerário abrange grande parte da região central de Curitiba. Confira horários e locais de embarque/desembarque aqui.

5 pontos turísticos para visitar em São Paulo

São Paulo é um lugar que vez ou outra entra na rota de todo mundo, seja por causa de um curso, para curtir um show ou mesmo para embarcar no aeroporto de Guarulhos rumo a alguma aventura fora do país.

Apesar de receber tantos visitantes, a cidade que nunca para nem sempre é lembrada como um destino turístico. Tem tanta gente querendo uma pausa da muvuca do trânsito e da rotina paulistana atarefada, que é mais comum encontrar opções para fugir da terra da garoa… Mas não desta vez!

Eu sou apaixonada por São Paulo e tenho convicção que a cidade oferece bem mais que cursos, shows ou o terminal de embarque do aeroporto. Então, juntei algumas dicas para quem quiser se aventurar e aproveitar ao máximo a estadia na capital paulistana. Pode ser que ela até se torne o seu próximo destino de viagem. Afinal, há sim turismo em SP!

1 – Liberdade

Abrigo dos primeiros imigrantes japoneses que vieram tentar a vida no Brasil, o bairro Liberdade é um pedaço da Terra do Sol Nascente bem no meio de São Paulo. O toque nipônico está na arquitetura, no murmúrio das ruas, nas lojas e até na sinalização de trânsito.

O bairro mais japonês de São Paulo não recebeu o título à toa. Basta entrar nas lojas e mercadinhos para um mergulho na cultura asiática, às vezes tão profundo que sequer é possível entender o que está nas prateleiras.

Então, perambule pelo comércio, se divirta tentando desvendar os rótulos dos produtos, sinta os cheiros da gastronomia japonesa ou simplesmente pare um pouco nos bancos da calçada para absorver um pouco do ar oriental. Se for um domingo, a praça Liberdade recebe uma feirinha onde é possível encontrar bonsais, cerâmicas, pinturas e diversas peças de artesanato japa.

Como chegar: estação Liberdade (linha azul do metrô)

2 – Avenida Paulista

Palco de protestos políticos e eventos culturais, muitas atrações estão espalhadas ao longo dos três quilômetros de extensão da avenida Paulista: tem casarão histórico, parque com área verde, museu e ainda um gostinho da arte viva presente nas ruas de SP.

Um dos atrativos mais conhecidos é o Masp – Museu de Arte de São Paulo AssisChateaubriant. Não bastasse o acervo permanente com obras de grandes artistas como Van Gogh, Degas, Monet, Rembrandt e Portinari, o prédio por fora é cartão-postal da cidade e ainda abriga feirinha de artesanato e antiguidades aos domingos (Até uma armadura completa de cavalheiro eu já encontrei à venda).

Para quem decidir explorar a Paulista, também vale uma parada no centro cultural Casa das Rosas.  A mansão em estilo clássico francês é o lugar para apreciadores de literatura e poesia, contando com saraus, cursos exposições e concertos na programação. O local ainda tem orquidário e um café para os interessados em apenas curtir a arquitetura histórica do casarão.

Outro ponto interessante é a imponente Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Mesmo quem não curte livros, vai gostar de se perder lá dentro. A loja tem coleções de discos de vinil, dvds e ainda sedia eventos bacanas para o público geek.

Além disso tudo, a avenida oferece refúgio para quem deseja uma pausa na agitação de Sampa. O parque Trianon fica ali no meio dos arranha-céus, com 46.800 m² de área verde e caminhos de pedras portuguesas para os interessados em encontrar um pouco de sossego no meio da selva de pedra.

Como chegar: estação paulista  (linha amarela) ou estação Trianon masp (linha verde)

3 – Pinacoteca/Estação Luz

Fundada em 1905, a Pinacoteca de São Paulo é o museu de arte mais antigo da cidade e reúne a produção artística brasileira do século XIX aos dias atuais. Seja para dar uma olhada no acervo ou conhecer o prédio histórico, a visita é uma boa pedida durante a estadia em São Paulo. É possível inclusive alugar um audioguia e ouvir trechos sobre a história do local.

Se quiser incrementar o passeio, pode ir ao Memorial da Resistência de São Paulo que fica a apenas cinco minutos a pé da estação da Luz. O museu criado na parte do edifício que sediou o Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops/SP) durante o regime militar reúne documentos e relatos para não deixar esquecer os horrores do período da ditadura no Brasil.

O roteiro nos arredores da estação Luz também poderia passar pelo Museu da Língua Portuguesa, mas o espaço está fechado para reconstrução depois de pegar fogo em dezembro de 2015. Enquanto as obas de restauro estão em andamento, a visita só pode ser feita virtualmente. A previsão é que o serviço seja concluído somente em dezembro de 2019 para a reabertura da exposição.

Como chegar: estação luz (linhas amarela e azul)

4 – Parque Ibirapuera

Entre os 10 melhores parques no ranking do TripAdvisor, o Ibirapuera é o queridinho dos paulistanos e está entre os parques mais visitados da América do Sul. Os amplos jardins e a paisagem verde são um convite para a prática de exercício físico ou para desfrutar um piquenique em boa companhia em qualquer horário do dia.

Além disso, os 158 hectares do parque abrigam o Museu Afro, planetário e vários pavilhões e auditórios para receber os principais eventos e atrações de São Paulo, sem contar as esculturas e monumentos históricos espalhados pelo caminho.

Há também diversas atividades para o público, incluindo passeios culturais e educativos como caminhadas monitoradas e grupos de observação de pássaros. Mesmo se não tiver programação oficial no dia, só saborear uma água de coco é motivo suficiente para colocar o Ibirapuera no seu itinerário.

Como chegar: As estações de Metrô próximas são Paraíso (linha azul e verde) e Vila Mariana (linha azul).

5 – Beco do Batman

Considerada uma espécie de galeria espontânea de “street art”, a travessa de paralelepípedos cheia de grafites coloridos na Vila Madalena é o pedaço mais fotogênico de Sampa. O nome foi dado por causa de um grafite do homem morcego, que hoje nem existe mais no beco.

Os muros carregam a obra de novos talentos e artistas já renomados, exibindo a arte do grafite para qualquer um que passar na rua. Ao vagar especialmente pelas ruas Gonçalo Afonso e Medeiros de Albuquerque, os olhos são atraídos por dezenas de grafites que disputam qualquer milímetro de parede livre e são um prato cheio para quem gosta de se aventurar nos clicks.

Depois da imersão na arte de rua, ainda é possível bater perna pelo bairro boêmio da zona oeste da cidade e cair na gandaia explorando a programação da noite na Vila Madalena.

Como chegar: As estações de metrô próximas são Sumaré (linha verde) e Fradique Coutinho (linha amarela).

Poços de Caldas: boa opção para viagem de fim de semana

Com belos cenários, muito verde e a culinária mineira de dar água na boca, Poços de Caldas é um roteiro interessante para quem quer aproveitar o fim de semana para recarregar as energias, sem gastar muito. Apesar de conhecida como destino de lua de mel, a cidade no Sul de Minas não oferece apenas atrativos para os recém-casados. Há atividades para quem viaja em família atrás de sossego e também para os viajantes solo em busca de aventura.

As fontes e nascentes de águas termais foram o que colocaram a cidade no mapa no século XVIII, atraindo os primeiros visitantes e também o desenvolvimento. Nesta época surgiram as estâncias e as casas de banho, que fizeram a fama de Poços de Caldas até junto à família real portuguesa. Parte dessa história resiste hoje nas Thermas Antônio Carlos, ainda em funcionamento para quem quiser relaxar nas águas sulfurosas. Além disso, o casarão conserva a arquitetura e o mobiliário do final dos anos 20, período de ouro da cidade.

Na verdade, todo o centro hoje carrega a nostalgia do passado. As praças, jardins e coretos permitem desfrutar do clima bucólico do interior e se perder numa caminhada preguiçosa, curtindo o friozinho da Serra da Mantiqueira e concertos musicais ao livre. Uma boa pedida é fazer uma parada no Café Concerto para apreciar uma bebida quente, ao som de jazz e blues.

A andança descompromissada pode levar ainda à fachada do Palace Casino, que recebia a aristocracia brasileira na década de 40 e visitas ilustres como Carmem Miranda e o próprio presidente Getúlio Vargas. Para vislumbrar a grandeza da construção por dentro, é possível até se hospedar no hotel que também existe no espaço. O prédio histórico ao fundo completa a magia do cenário, onde artistas de rua se apresentam na praça e charretes cruzam as ruas em direção aos outros pontos turísticos da cidade.

No centro, existem taxis e ubers para chegar fácil à Fonte dos Amores. A estátua de mármore, feita pelo escultor italiano Giulio Starace, fica em uma área verde rodeada de pequenos vigilantes como macados e quatis. A escultura simboliza a lenda de um casal apaixonado que se encontrava escondido dos pais por causa de inimizades políticas. Proibidos de se casarem, os dois teriam se atirado do alto da rocha e os corpos foram encontrados aos pés da fonte. Prepare-se para encarar uma baita escadaria para chegar à fonte e garantir a foto do passeio! Dizem que a água que jorra ali é uma das mais refrescantes (mas eu não arrisquei tomar um gole! rsrs).

A menos de 10 minutos de carro, está outro cantinho verde e charmoso de Poços de Caldas: o Recanto Japonês. O lugar é uma versão mineira do jardim nipônico, com bonsais, lago de escarpas e até uma fonte de desejos para transmitir a calmaria oriental. Quem quiser entrar no clima pode inclusive alugar por R$ 5 roupas típicas, como quimonos e trajes de gueixa, para uma sessão de fotos bem caricata.

Ecoturismo em Poços de Caldas

A partir da Fonte dos Amores, existe a  entrada para a trilha que percorre a mata fechada ao redor da cidade e leva ao morro São Domingos. O trajeto tem quase 9 quilômetros de caminhada e pode ser uma alternativa  para quem estiver em busca de emoção (Não foi o meu caso no dia. Fui de carro mesmo! hehehe).

Uma das atrações no caminho é a Pedra Balão, um monumento natural esculpido pela ação do vento e da chuva. O local compreende um conjunto de grandes pedras sobrepostas, de aproximadamente 10 metros de altura e oferece vistas deslumbrantes da natureza.

Se não quiser apenas uma parada para fotos, há também trilhas a partir da Pedra Balão que levam os visitantes para mergulhar em cachoeiras e até para se aventurar no rapel. Os preços variam em torno de R$ 200, de acordo com o tempo e o número de participantes.

Seguindo o trekking até o alto do morro, está a estátua do Cristo Redentor e uma bela vista panorâmica de Poços. Vou confessar que não achei nada demais o Cristo, mas dali é possível incrementar bastante o passeio. Ponto de encontro para os amantes da adrenalina e dos esportes radicais, o morro conta com uma rampa de decolagem para voo livre. Acompanhado do instrutor, o visitante sobrevoa a região de paraglider por  15 minutos e retorna para o mesmo local. O preço gira em torno de R$ 200 por pessoa.

Para fechar o dia, é só embarcar no teleférico e descansar aproveitando a paisagem do entardecer em Poços de Caldas. O percurso de 1.500 metros dura cerca de 10 minutos e deixa os passageiros no centro histórico, coladinho nas praças onde estão as atrações culturais da cidade.

O teleférico inclusive é uma alternativa menos radical para quem preferir para chegar ao topo do Morro São Domingos, também acessível de carro. É possível comprar o bilhete ida e volta por R$ 25, ou apenas uma perna da viagem por R$ 15. O único problema podem ser as filas em datas de maior movimento. Tentei duas vezes comprar o ingresso, mas era um feriado prolongado e a espera estava grande. Então, acabei desistindo e fiz o trajeto de van mesmo.

A visita a Poços de Caldas não estaria completa sem dar um pulo na cachoeira Véu da Noiva. O local fica mais afastado do centro, mas várias alternativas estão disponíveis para chegar lá. Há quem encare um tour de charrete (R$ 35 a R$ 50) até a queda d’água, com diversas paradas na tradicionais lojas de cristais, sabonetes artesanais e doces da cidade. Mas  não estiver interessado em compras, pode optar pelo táxi, uber e até mesmo o ônibus circular.

Formada por três quedas d’água, a cachoeira é linda no verão ou inverno. A vazão estava bem baixa quando estive em Poços de Caldas, mas a vista e aquele barulhinho gostoso de água correndo compensaram. Além disso, o complexo onde está localizada a cachoeira conta ainda com uma nostálgica Maria Fumaça para os visitantes interessados em ver mais da vegetação e da paisagem natural das redondezas. A entrada é gratuita.

O roteiro Recanto Japonês-Fontes dos Amores-Cristo Redentor-Pedra Balão-Véu da Noiva está incluso em todos os passeios oferecidos pelas agências de turismo receptivo de Poços de Caldas. O pacote custa em torno de R$ 35 a R$70. Só recomendo ficar atento ao tempo de duração do passeio e perguntar sobre as lojas inclusas no roteiro, especialmente se não estiver interessado em compras e não quiser perder tempo em várias paradas comerciais.

Onde ficar em poços de caldas

Estive em Poços de Caldas para participar de um congresso e me hospedei no Vilage Inn, onde as atividades e palestras foram realizadas. A diária custa em torno de R$ 400 (quarto duplo), com pensão completa. Na mesma  região, estão o Golden Park e o Thermas Resort Walter World, que tem faixa de preço semelhante.

A estrutura do Vilage Inn é excelente, com quartos limpos e modernos. O banheiro era pequeno, mas contava com uma ducha bem quente – indispensável para o frio da serra. O hotel tem ainda complexo de piscinas e  áreas de lazer, mas não cheguei a utilizar.

Como o foco da minha visita era o congresso e o centro de eventos fica bem ao lado, a escolha não poderia ter sido melhor. O único detalhe é que não tem nenhuma opção de restaurante ou atrações por perto. Pelo menos, tem um ponto de ônibus na porta que facilita o acesso ao centro da cidade, sem precisar gastar com táxi.

Agora o centro da cidade é a melhor pedida para aproveitar as atrações culturais e curtir o charme nostálgico da estância no Sul de Minas. Acredite, não há nada mais relaxante que passar o fim do dia na calçada de um dos cafés e restaurantes que ficam no burburinho da praça Pedro Sanches.

Na região central, estão instalados hotéis de rede como o Ibis, Dann Inn e Nacional Inn, com diárias entre R$ 100 e R$ 200. Mas também existem marcas locais como a Estalagem do Café, Minas Garden e Hotel Salvador, com preços em torno de R$ 250.

5 locais de turismo para aproveitar em Palmas

Mais jovem capital brasileira, Palmas é parada obrigatória para quem está se preparando para conhecer o Jalapão. O aeroporto da cidade do Tocantins é a principal porta de entrada para visitantes de outros Estados e o município também é o quartel das companhias de turismo que operam os tours regulares até a região árida do interior do Estado.

Embora não seja o destino final dos visitantes, a passagem por Palmas pode ser mais que um borrão durante a viagem. Dá para fazer um upgrade no roteiro e desbravar um pouco da capital, que abriga lindas praias de água doce. Acredite: o pôr-do-sol à beira do rio é de tirar o fôlego.

Minha visita a Palmas foi em 2014 para participar de um congresso. Confesso que a programação do evento não deixou muito tempo livre, mas deu para dar uma escapadinha e explorar os principais atrativos da cidade. A rota pode começar pela Praça dos Girassóis, localizada no centro.

Coloque um calçado confortável, roupas leves e filtro solar para suportar o calor do Tocantins porque a praça por si só já é uma caminhada e tanto: são 571 mil metros quadrados de extensão! Cartão-postal da cidade, ela é a maior da América Latina e a segunda maior do mundo, sendo superada apenas pela Praça Merdeka, na Indonésia.

Inaugurada em 2000, a Praça dos Girassóis é um complexo arquitetônico que reúne as sedes dos três poderes públicos estaduais: o Palácio Araguaia (Poder Executivo), a Assembleia Legislativa do Estado do Tocantins (Poder Legislativo) e o Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins (Poder Judiciário).

Além disso, o espaço abriga  dezenas de monumentos e obras de arte que contam parte da história brasileira e podem render ótimos cliques da viagem. Um dos exemplos é o Memorial da Coluna Prestes, criação do arquiteto Oscar Niemeyer, onde funciona um museu com  acervo de 81 peças originais que retratam  o movimento encabeçado por Luís Carlos Prestes. Também chama a atenção as estátuas da revolta dos Dezoito do Forte Copacabana.

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Da praça, é bem fácil chegar à Praia da Graciosa, que fica dentro da cidade.  São 520 metros de orla com bares e restaurantes, quadras de esporte, banheiros, playground, marina com atracadouro, píer e vista para a Ponte da Amizade. Se estiver animado, o local também é ideal para a prática esportiva como stand up, canoagem e caiaque, além de ciclismo, corrida e cooper.
Aproveitando a folga no congresso para conhecer as praias fluviais de Palmas

Para incrementar o passeio, dá para pegar um barco no porto da praia da Graciosa e apreciar a paisagem do imenso lago formado com a construção da Usina Hidrelétrica Luis Eduardo Magalhães ou fazer a travessia para conhecer a Ilha Canela. Infelizmente, eu só tive tempo para apreciar a vista da beira do rio mesmo, mas anotei os detalhes para uma próxima visita ao Tocantins.

A Ilha da Canela era uma vila, que foi inundada na construção da represa para mover as turbinas da hidrelétrica. Hoje o local se tornou um pequeno oásis no meio do lago, com águas cristalinas para dar um mergulho e quiosques charmosos para desgutar em paz os pratos típicos de Tocantins. O preço da travessia é R$ 25 (ida e volta).

Nos 54 quilômetros de espelho d’água formado pela represa, outras praias de água doce também podem ser encontradas em pontos mais afastados da área urbana. A praia do Prata é uma das opções disponíveis para quem estiver disposto a ir mais longe. Com vários restaurantes, o local conta com quiosques e mesas à beira do rio para aproveitar os petiscos literalmente com o pé na água.

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Como estive por lá em dia de semana, o ambiente estava bem tranquilo, mas ouvi falar que o clima é diferente aos fins de semana e feriados. Para fugir de agitação, as alternativas são as praias do Caju, dos Buritis, dos Arnos e Luzimangues. Todas também ficam em áreas mais afastadas da região central, mas apresentam o mesmo pôr do sol incomparável do Tocantins.

Caso você seja do time que prefere aventuras radicais, vale a pena esticar até Taquaruçu. O local é um refúgio do ecoturismo, a pouco mais de 30 quilômetros do centro da capital tocantinense. Várias agências oferecem o tour guiado para os visitantes interessados em passar o dia na região, onde dá para  praticar rapel, descer em uma tirolesa, apreciar a vista de mirantes, fazer trilhas e explorar cachoeiras. O pessoal do congresso que estava com agenda mais leve reservou uma tarde para conhecer a região e não se arrependeu.

Como chegar

Quando estive em Palmas, não havia linhas regulares de ônibus para chegar à maioria das praias de rio. Apenas as praias Graciosa (linha 100) e Arnos (linhas 030, 040,041) tinham transporte coletivo com paradas relativamente próximas. Pelo que pesquisei, a situação não mudou muito. Para as demais praias, um serviço especial roda apenas na alta temporada em julho.

O táxi e o uber são também alternativas para se locomover na capital do Tocantins durante a visita. No entanto, dependendo do roteiro traçado, vale a pena considerar o aluguel de um carro. O custo-benefício de ter veículo na mão compensa, pois evita perder tempo à espera da chegada do motorista contratado.