Um mergulho no passado pelas ruas de Ollantaytambo

Já pensou visitar uma cidade inca ainda habitada? Se esse é um dos seus sonhos, Ollantaytambo não pode faltar no roteiro de viagem ao Peru. Pisac, Moray e Machu Picchu foram todos abandonados após a chegada dos colonizadores espanhóis e hoje estão em ruínas, mas Ollanta nunca chegou a ser desocupada. Por isso, preserva o traçado de estreitas ruas e a organização urbana projetada por seus primeiros moradores.

Ollantaytambo era um importante centro religioso, agrícola e também militar. De acordo com as leis incas, as terras eram reservadas para a dinastia dos governantes . Devido à localização estratégica durante a invasão espanhola, o lugar serviu como um posto de defesa contra os europeus.

É claro que os incas foram substituídos ao longo dos anos pela população de nativos peruanos, mas a marca do antigo povo permanece nas vielas rústicas de Ollantaytambo, onde o asfalto nunca chegou e será possível pisar o mesmo chão de pedras por onde passaram os incas.

Ao se embrenhar nas ruas agora frequentadas por cholas – mulheres com vestes típicas do Peru –  o visitante se depara também com muros de pedra de encaixe perfeito dos incas e verá a água correr por canaletas construídas pelo antigo povo que habitou o Vale Sagrado. Tudo convivendo com as simplórias casas coloniais que abrigam os moradores e turistas, bem no meio das montanhas onde repousam as ruínas da imponente fortaleza inca.

O maior erro na visita a Ollanta é passar pelo vilarejo rápido demais. O lugar geralmente faz parte do itinerário básico de visita ao Vale Sagrado, mas a maioria dos pacotes não inclui sequer uma tarde inteira por ali. A passagem é apenas para conhecer as ruínas da fortaleza, que parece feita de ouro quando bate a luz do sol. Nessa correria, você perde a chance justamente de andar pelas antigas ruas de pedra do povoado e absorver a história contada nesse museu habitado a céu aberto.

Então, para aproveitar a experiência em Ollantaytambo, o roteiro básico de sete dias sugerido aqui no blog prevê reservar uma noite no vilarejo antes de seguir rumo a Águas Calientes e se preparar para a visita a Machu Picchu.

O tempo será suficiente para curtir o clima das ruas históricas no primeiro dia em Ollanta e desbravar a fortaleza na manhã seguinte, antes de partir para a próxima parada (não se esqueça: é necessário o boleto turístico para o ingresso ao sítio arqueológico).

Se decidir estender a estadia por Ollanta, outras ruínas rodeiam a cidade e podem ser acessadas gratuitamente por trilhas de curta duração. As principais são a colina Pinkkaylluna, com o que sobrou dos antigos armazéns incas, e a pirâmide e ponte inca de Quello Raqay. Você também pode visitar as pedreiras abandonadas de onde material de construção da cidade foi extraído, caminhar até Pumamarka ou visitar a lagoa Yanacocha. Veja mais locais encontrados a curtas caminhadas a partir do centro da cidade (site em inglês).

COMO CHEGAR EM OLLANTAYTAMBO

A partir de Cusco, é possível contratar um táxi particular para fazer o percurso até Ollanta. Outra opção é ingressar em um tour guiado em grupo pelo Vale Sagrado, com parada final no vilarejo. Eu escolhi essa opção e comprei o pacote da empresa Viajes Pacífico, incluindo todo o trajeto por Pisac, Moray, salineras de Maras e Ollantaytambo.

Além disso,  existem vans de linha que saem do centro de Cusco, de hora em hora, e custam 14 soles. As  vans são também uma opção para quem quiser retornar a Cusco, pois funcionam como uma espécie de ônibus intermunicipal.

Hospedagem: Onde ficar em Ollantaytambo

Há muitas opções de hotéis, pousadas e hostels no entorno da plaza de armas, bem perto da entrada do sítio arqueológico. Essa área é a mais interessante para ficar durante a estadia no vilarejo, pois a praça central concentra os cafés, restaurantes e mercadinhos para matar a fome. A boa notícia é que não será difícil encontrar camas em quarto compartilhado por até R$ 50 ou menos por noite e quartos privados por até R$ 150.

No alto da avenida Ferrocarril e da avenida Estudiantes, há pousadinhas simples, bem localizadas e com bons preços. Entre as alternativas estão as hospedagens Dona Catta Inn, El Chasqui, Las Orquideas Ollantaytambo, Sol Miranda, Hostel Andenes e Hospedaje Inka’s.

Na minha viagem, fiquei hospedada no Hostal Los Andenes e paguei cerca de R$ 120 por um quarto privativo, com café-da-manhã incluso a diária. Tudo estava limpo e o banheiro era todo renovado, inclusive com água bem quente no chuveiro. Oferecem até aquecedores portáteis sem custo adicional e guardam as malas após o check-out para os interessados em explorar mais Ollantaytambo. O local tem ainda dormitórios compartilhados para quem quiser economizar mais. O preço gira em torno de R$ 40 cama/noite.

Na parte antiga da cidade, há ainda diversos tipos de hospedagem com preços bem acessíveis. Só faço uma ponderação: à medida em que as ruas se afastam da praça, a região é bem menos iluminada e mulheres viajando sozinhas podem se sentir um pouco inseguras depois do anoitecer. Se for o caso, escolha os estabelecimentos que ficarem mais perto da Plaza de Armas, como: Killari Hostal Ollantaytambo, Pousada Inka Wasi, B&B Chayana Wasi e Mama Killa Hostal.

A região com maior concentração hoteleira fica a aproximadamente 15 minuto da estação ferroviária de onde saem os trens com destino a Águas Calientes, o povoado mais próximo de Machu Picchu. O trajeto pode ser feito a pé ou nos pitorescos tuk-tuks, que cobram apenas 2 soles por viagem.

Onde comer em Ollantaytambo

A região da Plaza de Armas em Ollantaytambo reúne a maior parte das lanchonetes, restaurantes e cafeterias do povoado. Sanduíches e pratos simples podem ser encontrados nos cardápios por algo em torno de 15 soles. Já refeições mais elaboradas não sairão por menos de 20 soles.

Na minha passagem por Ollanta, estava sem muita fome e a minha pedida foi apenas por uma enorme xícara quente de cappuccino com bolo para encerrar o dia, o que acabou me atraindo para a vitrine cheia de confeitarias do La Esquina Café. A conta saiu por cerca de 14 soles.

Em uma conferida pelo cardápio, não achei os preços dos outros pratos baratos. Porém, como eu estava com saudade de um lanchinho simples de padaria brasileira, foi exatamente o que eu precisava e o lugar é bem charmoso, com varanda para a praça principal.

Uma outra indicação pode ser o Hearts Cafe, com preços mais em conta e cardápio variado. Porém, não tive oportunidade de testar porque só encontrei o lugar quando estava rumo a estação de trem para ir embora.

Confira no TripAdvisor outras recomendações de restaurantes BBB (bom-bonito-barato) para experimentar em Ollantayambo.

O mapa para Nárnia em um passeio com CS Lewis

Para a jornalista viajante que está sempre atrás de lugares novos para conhecer, o maior sonho era achar uma passagem para Nárnia. Demorei, mas finalmente encontrei o famoso guarda-roupa que dá entrada ao reino fantástico criado pelo escritor CS Lewis e claro que vou compartilhar o caminho aqui no blog, fechando a primeira série de posts sobre viagens inspiradas por livros no Reino Unido.

O roteiro literário começa justamente na terra onde Lewis nasceu: a Irlanda do Norte, país que faz parte do Reino Unido junto com a Escócia e a Inglaterra. A história do escritor teve início em 1898 na cidade de Belfast. É possível ir até os endereços onde ele viveu na infância com a família, apenas para conferir por fora a placa azul que registra a trajetória do autor pela capital irlandesa.  Nas redondezas, ainda estão a igreja onde o autor foi batizado e uma das escolas (Campbell College) que frequentou, onde curiosamente existe um charmoso poste de luz com ares narnianos.

O grande presente para os fãs de Nárnia, entretanto, está em uma construção recente na região: a CS Lewis Square. O espaço ao ar livre foi inaugurado em novembro de 2016 e nos permite sentir como as crianças ao descobrir os arredores do reino mágico.

Além de uma estátua do escritor a bisbilhotar o interior do cobiçado guarda-roupa, a praça reúne esculturas dos principais personagens da história, inclusive o próprio Aslam, os castores e o fauno senhor Tumnus. Se a sua visita for no inverno, a neve pode tornar o cenário ainda mais fantástico para se sentir dentro do livro O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa! #ficaadica

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Mas a homenagem à obra de CS Lewis não se limita à nova praça. O escritor também vem sendo homenageado em diversos murais espalhados pelas ruas residenciais de Belfast. Os muros pintados são uma marca da cidade e recontavam parte da história da capital irlandesa, que por anos foi assolada por um intenso conflito armado entre católicos e protestantes.

Desde o cessar fogo, as pinturas paramilitares vêm sendo substituídas por imagens da cultura do país e retratos de Nárnia já são vistos na vizinhança. Então, vale a pena incluir no passeio uma passagem por Dee Street, Pansy Street e Convention Court para conferir alguns desses exemplares.

A rota inspirada em CS Lewis ainda pode te levar a uma viagem pela costa litorânea da Irlanda do Norte para visitar dois lugares que fizeram parte da infância do escritor. Um dos destinos fica ao sul de Belfast, na vila de Kilbroney. E não é suposição: o próprio autor revelou ao irmão que a floresta que contorna a pequena cidade era como imaginava a paisagem de Nárnia. Com essa dica, uma trilha foi criada no parque para dar vida ao mundo mágico. Você pode atravessar a porta do guarda-roupa, encontrar o lampião no caminho e ainda visitar a casa dos castores.

Já um passeio ao norte de Belfast chega a Cair Paravel, quer dizer, as ruínas de Dunluce Castle à beira-mar. Lewis costumava passar as férias na região. Por isso, dizem que o local alimentou as ideias para a criação do palácio narniano anos mais tarde.  Confesso que a vista é realmente igual ao cenário utilizado nos filmes da saga.

Depois de curtir o cenário irlandês, os passos de CS Lewis levam para uma das cidades mais conhecidas da Inglaterra: Oxford. O roteiro pode incluir desde a faculdade (Magdalen College) onde o escritor lecionou até o pub (Eagle and Child) onde costumava se reunir com Tolkien e outros amigos escritores para discutir literatura.

No caminho, vale procurar por uma porta especial na rua Catte Street. Com esculturas de fauno nos umbrais, a porta de madeira maciça tem a figura de um leão esculpida no centro e foi intitulada de “Narnia Door” (porta de Nárnia), pois dizem que a imagem serviu de inspiração para o guarda-roupa mágico. Não é difícil acreditar nessa teoria porque CS Lewis passava pelo local com frequência rumo à faculdade e, curiosamente, também tem um lampião bem familiar a poucos metros da porta.

Ainda na região de Oxford, outra parada interessante é The Kilns, a casa onde o autor escreveu todos os livros sobre Nárnia. A propriedade fica na zona rural e está aberta a visitação, basta agendar o tour (link em inglês). O cenário tranquilo da casa de campo serviu como pano de fundo para a história das crianças que foram evacuadas de Londres por causa da guerra.

Nos arredores da casa, uma esticadinha até a igreja Holy Trinity permitirá conhecer a congregação da qual CS Lewis se tornou membro após a conversão ao cristianismo e onde foi enterrado junto com a esposa Joy. O ponto mais emocionante da visita, entretanto, é uma das janelas. Anota essa dica e preste atenção para encontrar os vitrais com a figura de Aslam e do castelo Cair Paravel, que foram colocados justamente no lado da igreja em que o escritor costumava se sentar durante os cultos de domingo.

A jornada poderia até terminar em Oxford, mas quem chegou até aqui não resistiria a dar um pulinho em Londres, né?! Por mais que a biografia de Lewis não tenha tantos acontecimentos na capital da Inglaterra, um dos pontos turísticos mais famosos da terra da rainha, a Abadia de Westminster, reserva uma homenagem especial ao criador do reino de Nárnia e seu testemunho de fé hoje está gravado em meio à arquitetura grandiosa da catedral. Eu não resisti às lágrimas quando encontrei o memorial no canto dos poetas e voltaria só para ver de novo.

A rota do morro dos ventos uivantes com Emily Brontë

Quando fui fisgada pelas páginas do clássico “O Morro dos Ventos Uivantes” nem sequer imaginava que os cenários dramáticos da história de Catherine e Heathcliff existiam na vida real, mas ao começar a pesquisar lugares interessantes na Inglaterra não demorou muito para encontrar a bucólica cidade de Haworth, conhecida como o lar da autora Emily Brontë e das suas duas irmãs, Charlotte e Anna, também escritoras.

Por isso, o destino não poderia faltar na primeira série de posts sobre os meus roteiros de viagem inspirados em livros. As paisagens da região são tão marcantes na obra que o local é conhecido como “Bronte Country” e você pode conhecer tanto as colinas pantanosas que inspiraram a criação do morro dos ventos uivantes quanto a casa onde foi escrito um dos maiores romances da literatura mundial. A história de paixão, vingança e desespero é o único romance escrito por Emily.

Chegar a Haworth por conta própria não é uma tarefa tão fácil e a gente se sente como o visitante que se aventura pelo território descampado da propriedade de Heathcliff. Se conseguir organizar o roteiro, você pode se encaixar em tours regulares que saem de York semanalmente e levam grupos para conhecer as principais atrações em Bronte Country. Já para quem não está com a agenda flexível, alugar um carro e se arriscar na mão inglesa pode ser uma opção simples – em teoria!

Agora se faltar coragem para a roadtrip, o jeito será recorrer a conexões de trem e ônibus. A malha ferroviária da Inglaterra te levará sem complicação a cidades próximas como Bradford, Keighley e Leeds, de onde é possível pegar o bus para desembarcar em Haworth.

Uma vez no destino final, a primeira parada é justamente na casa ondem viveram as três irmãs escritoras e onde hoje funciona o museu dedicado à memória das Brontë. Ali, na sala de estar, os membros da família se reuniam e as irmãs concretizaram seus romances, circulando pela mesa inúmeras vezes e lendo trechos em voz alta uma para as outras.

A uma curta distância, os curiosos podem ver a estátua do trio Brontë e depois visitar a igreja de St Michael’s, onde o pai das escritoras foi pastor e hoje estão os túmulos da própria Emily Brontë e da irmã Charlotte, autora de Jane Eyre.

Mas a verdadeira experiência na mente da autora começa quase ao lado da igreja, por uma trilha que leva às colinas desoladas por onde a imaginação de Emily Brontë correu solta durante a juventude para contar a história trágica do morro dos ventos uivantes.

O caminho é todo sinalizado por placas para quem quiser desbravar os campos pantanosos do Norte da Inglaterra, inclusive com instruções em japonês por causa do grande número de fãs nipônicos. A região é bem tranquila e muitas mulheres fazem o percurso sozinhas para apreciar a melancolia do cenário que é quase um dos personagens da história de Brontë.

A rota inspirada no livro te levará para fora de Haworth até a pitoresca cachoeira Brontë Falls, onde há uma pedra intitulada de Brontë Chair. A queda d’água não tem nada de espetacular, mas dizem que as irmãs escritoras costumavam se revezar para sentar na pedra enquanto absorviam a paisagem e escreviam suas primeiras histórias.

A caminhada segue depois morro acima para uma casa de campo em ruínas chamada Top Withens, que supostamente foi o lugar que atiçou os pensamentos da autora e serviu de modelo para compor a residência dos Earnshaw ao longo das páginas do romance. O local foi destruído por um raio anos depois em 1893, mas passar um tempo naquele cantinho solitário faz a gente se sentir na fazenda onde a história se desenrola.

Seguindo pelos charcos britânicos, o roteiro literário chega até Ponden Hall, outra propriedade que parece ter sido retratada no romance de Emily Brontë. O local é considerado a inspiração para criar o ambiente da luxuosa mansão da família Linden, Thrushcross Grange, onde Catherine mora depois de se casar com Edgar.

O imóvel foi preservado e hoje funciona como um hotel temático, onde cada quarto leva o nome de um dos personagens principais do livro. Depois de quase 13 quilômetros de peregrinação, o dia de aventura pode terminar na pousada ou encarando o trajeto de volta até Haworth para curtir o fim de dia charmoso na vila.

Aventure-se com Jane Austen em um roteiro pelo interior da Inglaterra

Autora de livros que continuam encantando gerações há dois séculos, Jane Austen se consagrou entre os maiores nomes da literatura britânica. As mulheres fortes dos seus romances de época se destacam ainda hoje e até inspiraram uma novela brasileira (recheada de esdrúxulas adaptações), além de inúmeros filmes e séries de televisão.

Apesar de Londres estar sempre presente na obra de Austen, as histórias geralmente mostram outro lado da Inglaterra: o campo. O enredo leva os personagens por cidades peculiares do interior do país e se esbalda nos contrastes da sociedade britânica para conquistar os leitores curiosos. (Veja aqui mais viagens pelo Reino Unido inspiradas em livros)

Alguns cenários são meramente fictícios como o vilarejo Meryton de Elizabeth Bennet em Orgulho e Preconceito, mas outros lugares relatados nas páginas dos livros são endereço do mundo real e podem ser desbravados por quem topar uma aventura pelo interior da Inglaterra. Então, confira um roteiro com as quatro principais cidades que marcaram a vida e a obra de Jane Austen:

Bath

Para caminhar pelas ruas dos romances de Austen, a rota principal começa pela cidade de Bath, cenário para as histórias de Abadia de Northanger e Persuasão. A visita é como um passeio no tempo, de volta ao século XVIII, já que várias construções mantem o visual clássico do passado.

Nas andanças pela cidade das termas romanas, a primeira parada pode ser o pequeno museu dedicado à escritora. Além de várias curiosidades sobre o tempo em que Jane Austen viveu em Bath, o acervo traz informações sobre as relações sociais, os costumes e o entretenimento no início do século XIX. Dá até para experimentar os trajes de época para garantir uma bela foto de viagem.

Não bastasse isso, você ainda será recepcionado no Jane Austen Centre por guias devidamente caracterizados e tem a oportunidade de desfrutar um chá da tarde como Jane Austen e suas heroínas no salão de chá Regency. Dizem inclusive que o próprio Mr. Darcy passa por ali para cumprimentar as visitantes.

Se a sua viagem for em setembro, você ainda terá a chance de participar do Festival de Jane Austen, que transforma Bath em palco para uma série de eventos teatrais e gastronômicos. Junto com a programação cultural, a atração são as pessoas desfilando em vestidos clássicos dos períodos de Regência e os bailes de máscaras. #ficaadica

Mas o roteiro em Bath vai além do museu e do festival. Com um mapa na mão, você pode traçar seu caminho aos Assembly Rooms, onde aconteciam os bailes que movimentavam a vida social da própria escritora e de suas personagens, e à região do The Royal Crescent, uma rua espetacular com várias casas georgianas dispostas em formato de meia-lua.

De Royal Crescent, é possível refazer os passos dos protagonistas de Persuasão até a Queen Square e a praça The Circus, um dos conjuntos arquitetônicos mais bonitos do Reino Unido. Ou ainda esticar até o jardim da Igreja St. Swithin’s para ver a lápide do pai da escritora, George Austen.

Para fechar o roteiro em Bath, não poderia faltar uma passado no Pump Room, onde as pessoas costumavam se reunir nos dias de Jane Austen para  serem vistas e saberem as últimas fofocas da alta sociedade. O local hoje funciona como restaurante, mas parece ter sido frequentado até pelo irmão da autora, Henry, interessado nas águas termais terapêuticas. O passeio pelas termas romanas ao lado também vale um espaço na agenda durante a visita.

Apesar da família Austen ter morado em vários endereços pela cidade, nenhuma das casas é aberta à visitação. Hoje os turistas podem apenas contemplar a fachada das residências e, de todas, a mais interessante em Bath seria a número 4 da rua Sidney Place, onde foi colocada uma placa para relembrar o período em que o local fez parte da história da escritora.

Chawton

Quem quiser estar debaixo do teto onde Austen morou pode se deslocar até o vilarejo de Chawton. Na casa simples, ela viveu os últimos oito anos e e escreveu outros quatro livros antes de morrer em 1817. Hoje o espaço virou um museu público, que proporciona um olhar mais detalhado sobre a vida e a carreira literária da escritora britânica.

Em cada quarto, é possível se emocionar com fatos da história pessoal de Austen que foram transferidos para a biografia de suas fortes personagens, ver a mesa onde vários livros foram escritos à pena e ainda se aprofundar mais na mente de uma mulher que até hoje é aclamada por seu trabalho.

Seguindo a indicação da equipe do museu, você ainda pode se aventurar pelos jardins como era o hobby da autora e caminhar até a casa do irmão dela, transformada em biblioteca. O local abriga inclusive um centro de pesquisa e aprendizagem para o estudo das escrituras femininas iniciais de 1600 a 1830.

Lyme Regis

Outra pequena cidade que talvez mereça a atenção dos fãs mais apaixonados é Lyme Regis. Jane Austen teria visitado pelo menos duas vezes a exótica cidade litorânea na costa sul da Inglaterra e chegou a relatar suas agradáveis caminhadas à beira-mar em cartas para a irmã Cassandra.

As experiências por lá são notadas em Persuasão – provavelmente a mais autobiográfica das obras de Austen. A companhia Literary Lyme realiza caminhadas temáticas na cidade o ano todo para quem quiser conhecer o calçadão ao longo da enseada de Cobb, ver os degraus do famoso muro dos quais a protagonista Louisa Musgrove teria caído e sentir a mesma brisa revigorante do mar que a escritora apreciava.

Winchester

Seguindo os passos de Jane Austen, a jornada pelo interior da Inglaterra terminaria em Winchester, cidade que por algum tempo foi considerada o ponto de encontro do rei Arthur e os cavalheiros da Távola Redonda.

Mitos à parte, Winchester foi o lugar onde Austen passou as últimas semanas de vida. A escritora sofreu com uma doença ainda não identificada e a causa da morte é um mistério até hoje, mas a esperança de cura fez com que ela deixasse o vilarejo de Chawton para buscar um tratamento médico melhor.

Apesar dos esforços, a escritora morreu pouco tempo depois em uma casa alugada perto da Universidade Winchester e foi enterrada na catedral da cidade. A residência dos últimos dias de vida de Austen não está aberta a visitação, mas a histórica está contada na pequena placa azul colocada na fachada (8, College Street).

Já na igreja, os visitantes podem contemplar o túmulo da escritora na ala norte e também outros dois memoriais em homenagem aos seus livros. A visita fica ainda mais mágica no horário do ensaio do coral, quando as vozes repercutem na acústica da catedral.

 

Uma viagem pela Inglaterra de Harry Potter

Não lembro exatamente quando o hábito da leitura me conquistou. Só sei que meu relacionamento com os livros começou cedo e permanecemos firmes até hoje. Confesso, porém, que não me interessei pelos clássicos no início. Os enredos juvenis da saudosa Coleção Vagalume me atraíram para as bibliotecas a princípio e depois é que fui tentada a me aventurar por narrativas mais complexas, aclamadas por gente grande.

Justamente por isso resolvi começar a série de posts sobre os roteiros literários com uma escritora novata e desbravar a Inglaterra que inspirou JK Rowling na criação do mundo mágico de Harry Potter. É fato que a obra gera controvérsia. Enquanto a trama encanta os fãs devotos do bruxinho, os leitores mais críticos olham para a história infanto-juvenil até com um pouco de desprezo.

Apesar disso, não há dúvidas que a autora conseguiu trazer a atenção de toda uma nova geração, viciada em telas vibrantes de celulares e computadores, novamente para as silenciosas páginas amareladas de um bom livro. Hoje, nos grupos de leitura, é comum até encontrar depoimentos de jovens que declaram em caixa alta que devem à escritora britânica o gosto cultivado pelo universo literário.

Por causa dessa contribuição, o trabalho de Rowling foi celebrado pela British Library no ano em que o primeiro livro completou 20 anos de lançamento. A data foi marcada pela exposição ‘Harry Potter: Uma História de Magia’, que destrinchou o embasamento teórico por trás da inspiração da escritora.

Nascida em Yate, na Inglaterra, Rowling teve a ideia de escrever a série Harry Potter enquanto estava num trem indo de Manchester para Londres, em 1990. Em um período de sete anos, Rowling vivenciou a morte da mãe, o nascimento da primeira filha, divórcio e uma crise financeira pessoal até finalizar o primeiro dos livros da saga, Harry Potter e a Pedra Filosofal, em 1997.

Antes mesmo de botar os pés em Hogwarts, o encontro entre o protagonista e a magia acontece bem no meio da capital britânica, no zoológico de Londres. O momento inclusive  está estampado na parede da ala dos repteis, onde Harry lançou – sem nem saber – um dos primeiros feitiços contra o primo Duda. O local foi utilizado na gravação do filme de estreia, mas hoje o tanque das cobras está vazio para ser preservado para posteridade (Sim, os ingleses levam a sério a criação de JK Rowling).

Depois de descobrir que não era um trouxa, Harry dá o próximo passo da aventura e embarca para Hogwarts na plataforma 9 e ¾ da estação Kings Cross, uma das mais antigas do metrô de Londres. A arquitetura da estação ferroviária já é de encher os olhos e o local ainda reserva aos fãs a oportunidade de empurrar também o seu carrinho para atravessar a parede rumo ao trem que leva à escola de magia. Há inclusive fotógrafos de prontidão para registrar o momento épico e até oferecem acessórios como o cachecol na cor da sua casa preferida (Grifinoria rules!) para você sair bem no retrato.

De King’s Cross, ainda há a possibilidade de esticar até os estúdios da Warner Bros na Inglaterra e pular dos livros para os cenários onde a história ganhou vida nos cinemas. Não é um parque com várias opções de atividades interativas, mas você vai poder tirar fotos incríveis dentro da casa dos Dudley na Rua dos Alfeneiros, bisbilhotar a sala de Dumbledore e perambular pelo Beco Diagonal olhando as vitrines das lojas. Vale a pena!

A uma curta viagem de Londres, há também cidades como Oxford, Gloucester e Lacock que foram utilizadas como set de filmagem para a saga. A visita é uma ótima oportunidade não só para desvendar um pouco mais do mundo mágico, mas também para conhecer lugares que retratam o charmoso visual do passado da Inglaterra. #ficaadica

Outros lugares tem ligação não tão óbvia com a história do bruxinho. Na minha visita a Londres, eu fiz um passeio a pé que levou até alguns pontos do setor financeiro. O guia, vestido com um cachecol nas cores de Grifinória, explicou que o banco da Inglaterra  pode ter sido o prédio que inspirou a arquitetura de Gringotes.

Para comprovar a teoria, o especialista potteriano cita a própria descrição usada por Rowling no primeiro livro, que apresenta Gringotes como um edifício imponente muito branco e com degraus de pedra branca na fachada. Exatamente o que vemos ao observar a arquitetura do banco da Inglaterra.

Do Gringotes na vida real, seguimos para o Mercado Leadenhall. A entrada foi por uma ruela estreita, como aquelas que vemos nos filmes que retratam o passado de Londres. O mercado é justamente uma coleção dessas vielas apertadas e fica numa das regiões mais antigas da cidade, onde inclusive encontramos um pub que abriu as portas em 1792. Esse cenário pitoresco é considerado uma das inspirações de Rowling para o visual do Beco Diagonal e do próprio Caldeirão Furado, segundo o guia.

Mas não existe um consenso sobre a fonte de inspiração do beco mágico. Já li alguns sites que apontam as ruazinhas Goodwin’s Court e Cecil Court, no entorno de Charing Cross e da Trafalgar Square, como o lugar que aguçou a imaginação da escritora. Seja verdade ou não, são cantinhos charmosos da capital inglesa e não custa incluir uma parada no roteiro.

Há também quem defenda que o verdadeiro Beco Diagonal estaria fora de Londres, no norte da Inglaterra. Mais conhecida por ser a cidade Viking do Reino Unido, a pequena York recebe milhares de pottermaníacos que querem botar os pés em Shambles, a rua mais antiga da cidade e hoje consagrada pela semelhança com o lugarejo mágico.

Não é difícil acreditar que a autora foi contagiada por esse pedacinho medieval de York para desenvolver o cenário da principal rua comercial do mundo potteriano. Afinal, JK Rowling morava em Edimburgo quando escreveu o primeiro livro da saga e as duas cidades ficam a apenas 2 horas de distância de trem.

Além disso, a ligação entre York e o Beco Diagonal ficou ainda mais forte porque os produtores do filme foram até a cidade viking para estudar o visual de Shambles e desenhar o projeto para a construção dos sets de filmagem de Harry Potter.

De todos os becos visitados, eu também aposto na estreita viela de York como a inspiração da escritora. Não só pelo calçamento rústico de paralelepípedos e as construções caricatas do século XIV em ambos os lados do caminho, mas pela atmosfera acolhedora das lojinhas onde você encontra de tudo e sempre é atendido com simpatia pelos vendedores. Me senti como o próprio Harry, encantado na primeira visita ao Beco Diagonal.

Subindo um pouco mais no mapa, a capital da Escócia, Edimburgo, é uma parada interessante para quem quiser sentar no lugar onde grande parte das páginas sobre a vida do mago foram escritas: o Elephant House Cafe. Por fora, não tem nada de referência a Harry Potter, mas recomendo uma visitinha ao toalete. Calma, não é uma dica de mau gosto ou uma crítica aos pratos da casa.

É que as paredes do banheiro foram tomadas por mensagens e feitiços de fãs de todo o mundo. Já pintaram várias vezes para tentar apagar os rabiscos, mas no dia seguinte sempre havia novos recadinhos. Então, a equipe desistiu e se rendeu ao “memorial”. A homenagem curiosa até virou notícia no Daily Mail, um dos maiores jornais do Reino Unido.

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Outras referências usadas por JK Rowling estão escondidas entre os túmulos o Cemitério Greyfriars. A escritora tomou emprestados os nomes dos finados para vários personagens da saga. Entre as lápides você encontra o próprio Tom Riddle, mais conhecido como Voldemort, e o professor Severo Snape. O cemitério escocês parece também ter inspirado o ambiente fantasmagórico do retorno do Lorde das Trevas após o torneio Tribruxo.

Se bater o medo de desbravar o local sozinho, fique tranquilo porque não faltam opções de passeios a pé por Edimburgo para quem quiser conferir as curiosas ligações da capital da Escócia e o mundo de Harry Potter. Para os caçadores de referências, a cidade também é o ponto de partida de inúmeras excursões para conhecer mais paisagens do norte da Inglaterra ou das Highlands escocesas que inspiraram a história nos livros e nas telas de cinema.

Anote as dicas e vá mais longe!

1 – Quer conhecer o castelo que foi usado para as filmagens externas de Hogwarts e aprender a voar na vassoura? Siga de Edimburgo para o castelo Alnwick em Nothumberland.

2 – Deseja se sentir a caminho da escola de magia, embarque em um passeio para o viaduto de Glenfinnan e depois suba no trem a vapor Jacobite para desbravar de trem as paisagens rurais da Escócia.

3 – Para experimentar o que é estar nos corredores de Hogwarts com Harry, Ron e Hermione, faça um bate-volta até Durham e visita a catedral que serviu de cenário para as áreas externas da escola.

Das páginas dos livros para os roteiros de viagem

Outubro será uma oportunidade para unir duas grandes paixões: literatura e viagens! Como o calendário traz datas reservadas no mês para comemorar o Dia Nacional da Leitura e o Dia Nacional do Livro, nada mais justo que criar uma série de posts e começar a falar sobre os meus roteiros literários favoritos.  Para marcar a estreia desse tema aqui no blog, escolhi o Reino Unido como o primeiro destino da nossa aventura.

A Terra da Rainha tem um lugarzinho especial no meu coração, pois foi a minha primeira viagem internacional e fiquei encantada com a cortesia do povo britânico e a dedicação para manter cada pedaço da história vivo. O cuidado pode ser visto não só nas antigas construções bem preservadas, mas também no interesse em eternizar a produção artística nacional.

Na minha visita, observei um país que celebra os seus escritores e tem orgulho em contar tanto sobre as obras quanto sobre a trajetória dos autores, sejam artistas renomados do passado ou recém-descobertos.

É possível encontrar museus que reúnem material sobre os contadores de histórias e incontáveis passeios turísticos que recriam os passos deles e dos personagens mais famosos. Isso sem contar que as próprias paisagens da Inglaterra serviram de inspiração para os livros e são pontos turísticos sensacionais para conhecermos como turistas que somos.

Vários roteiros de viagem inspirados em livros podem ser feitos na Inglaterra
Com diversos sucessos literários, a Inglaterra oferece muitas opções de roteiros de viagem inspirados em livros

A lista de escritores britânicos vai longe. Se considerarmos apenas a prosa, temos nomes como Tolkien, C.S Lewis, Jane Austen, Charles Dickens, JK Rolling, William Shakespeare, Artur Conan Doyle, Agatha Christie, Oscar Wilde, Lewis Caroll, Emily Brontë, Mary Shelleye e muitos mais. Alguns criaram histórias que tem mais de 200 anos e continuam como livro de cabeceira para leitores experientes e iniciantes.

Na primeira série sobre as viagens inspiradas na literatura, convido você para passear comigo ao longo das próximas semanas para conhecer um pouco da Inglaterra de Emily Brontë, C.S Lewis, Jane Austen e JK Rowling, mergulhando pelos cenários de livros que marcaram a jornalista que vos fala.

Quer pesquisar livros para  inspirar viagens literárias em outras partes do mundo? Clique no link e se divirta.

Conheça um pedaço do Japão, sem sair de São Paulo

Quando os primeiros imigrantes japoneses desembarcaram em terras brasileiras há mais de 100 anos não era possível imaginar que os nipônicos deixariam uma marca tão profunda no meio de São Paulo, onde um pedacinho da Terra do Sol Nascente foi recriado pelos recém-chegados que buscavam começar uma nova vida no país.

Os orientais deixaram a terra natal para conseguir empregos e chegaram ao Brasil no início do século XX com a missão de suprir a demanda por mão-de-obra nas fazendas de café do interior paulista, após a abolição da escravatura.

Com paciência, os imigrantes japoneses fincaram as raízes onde hoje conhecemos como o bairro da Liberdade e deram uma nova cara para a região que antes foi palco até de execuções públicas. Chineses, coreanos e outras nacionalidades do mundo oriental vieram depois a compor também o mosaico cultural do lugar.

Essa história e os percalços do processo de adaptação à nova casa agora estão estampadas em cada esquina do bairro. As cores nipônicas saltam na arquitetura dos prédios e dos postes alegóricos que compõem o visual urbano da região. Há ainda vestígios dos costumes orientais nas lojas e no burburinho das ruas, onde os letreiros verticais dos mercadinhos e até a sinalização de trânsito sussurra aos visitantes noções básicas da enigmática língua japonesa.

Muitas pessoas são atraídas para o bairro Liberdade por causa da feirinha que acontece no local aos finais de semana desde 1975. Eu aproveitei para passear por lá quando estive em São Paulo para resolver a questão do visto americano (Veja outras opções de passeios para fazer em São Paulo).

As barracas tingidas com as cores da bandeira nipônica mostram justamente a fusão entre a cultura asiática e brazuca. Em meio a panos de prato decorados, tapetes em crochê e camisetas no estilo tye dye, você encontra bonsais, bonecas kokeshi, gatos da sorte e outras peças artesanais típicas do Japão ao caminhar pelas tendas.

A parte culinária também oferece um mix diversificado, permitindo aos visitantes se aventurarem com sushi e até o doce de feijão ou escolher algo menos desafiante como espetinhos. Se ficar na dúvida sobre algum prato, basta perguntar e os atendentes te explicam com muita simpatia sobre as opções do menu.

De todas as “vitrines” da feirinha, a que mais me prendeu foi a do senhor Midori Aoshima. Nascido no Japão, ele vive no Brasil há 60 anos. Apesar de falar um português de poucas palavras, o trabalho habilidoso feito com as mãos dispensa mais explicações aos clientes que, como eu, ficam admirados com o capricho da pintura das milenares bonequinhas kokeshi à venda.

Midori veio para o Brasil inicialmente para trabalhar numa empresa japonesa, se casou com uma brasileira, teve três filhos e nunca mais pisou no Japão. Hoje, ele aproveita a aposentadoria para se realizar como artesão.

Apesar dos atrativos da feirinha, o que eu achei mais interessante na minha visita ao bairro da Liberdade foi perambular pelas lojas e mercadinhos nas proximidades para um mergulho na cultura asiática – às vezes tão profundo que sequer foi possível entender o que estava nas prateleiras (kkkkkkk).

Entrei em cada portinha e me diverti tentando desvendar os rótulos dos produtos e sentindo os cheiros da gastronomia japonesa. Gostei tanto do ar oriental que simplesmente parei nos bancos da calçada para ver os brasileiros de olhos puxados que seguiam a rotina normal do dia, sem nem perceber a minha presença por ali.

Para quem quiser experimentar o doce de feijão ou outros das guloseimas curiosas do Japão, indico inclusive essa visita ao comércio nas ruas do entorno da feira.  Os preços são mais em conta e a variedade é bem maior.

Para a gente que pensa no feijão como companheiro inseparável do arroz, é uma experiência engraçada arriscar umas mordidas na iguaria japonesa. Mas garanto que o gosto não é nada assustador e foi perfeito para adocicar a minha visita relâmpago por São Paulo!

Roteiro básico para curtir Brasília no fim de semana

Por causa da vergonha na política do país, muita gente torce o nariz só de ouvir falar de Brasília. Não dá para negar a insatisfação com os nossos representantes na capital federal, mas a cidade não pode levar a má fama pelos erros dos outros e está na hora de acabar com esse preconceito.

A cidade planejada no meio do cerrado começou a ser construída em meados da década de 50, durante o governo de Juscelino Kubistcheck. Seguindo um cronograma de obras apertado, o Plano Piloto foi inaugurado em 1960 e depois começaram a transferência dos principais órgãos administrativos para a nova sede do poder político nacional.

Além da chance de conhecer in loco o que já esteve apenas no papel, Brasília carrega o toque da arquitetura moderna de Oscar Niemeyer, abriga construções que guardam pedaços da história do Brasil e ainda oferece uma vida cultural intensa, com atrações artísticas diversas e quase sempre gratuitas!

Então, tem muita coisa boa para falar de Brasília e resolvi aproveitar a data cívica para trazer informações para montar um roteiro bacana para os interessados em explorar a capital brasileira durante um fim de semana ou feriado prolongado. Confira os lugares onde você não pode deixar de ir:

1 – Palácio do Planalto

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Independente de ser a favor ou contra o governo, perambular no mesmo local onde o Presidente da República trabalha é uma experiência única. O visual do Palácio do Planalto – também projetado por Niemeyer – não chama tanto a atenção, mas é interessante ver  o lugar onde são feitos os pronunciamentos que assistimos pela televisão e percorrer as salas onde são feitas as reuniões de governo com os ministros e lideranças mundiais, além de dar aquela espiadinha no Gabinete Oficial da Presidência.

Além disso, na entrada, fica em exposição o Rolls Royce que circula com o chefe da Nação no desfile de 7 de setembro. O veículo teria sido doado por Assis Chateaubriant e o primeiro presidente a utilizar o glamouroso carro foi Getúlio Vargas.

A entrada no Palácio do Planalto é gratuita e pode ser feita aos domingos, das 9h às 13h30. As visitas são guiadas por um profissional de Relações Públicas, com grupos a cada 30 minutos.

2 – Congresso Nacional

Ícone da paisagem da capital, o Congresso Nacional recorta o céu de Brasília e se destaca na planície onde está a Esplanada dos Ministérios. Por isso, até os inconformados com a política não resistem a um clique do monumento. As famosas cúpulas são mais que recurso estético do projeto arquitetônico e abrigam os plenários da Câmara Federal e do Senado.

Na visita guiada pelo Congresso, é possível conhecer um pouco da história da construção e do funcionamento das Casas Legislativas, passando pelos locais onde acontecem as sessões, os Salões Nobres, a Chapelaria e outras partes interessantes do prédio.

A entrada é gratuita.  A visitação pode ser feita de segundas, quintas, sextas, finais de semana e feriados, das 9h às 17h30. Às quintas-feiras, o agendamento é obrigatório devido ao maior fluxo de pessoas no prédio.

3 – Palácio Itamaraty

Projetado por Oscar Niemeyer e com paisagismo de Burle Marx, a sede do Ministério das Relações Exteriores enche os olhos de quem observa o edifício por fora.

Além dos traços arquitetônicos modernos, o palácio Itamaraty conserva em seu interior centenas de obras de arte e móveis históricos, como a mesa onde a Princesa Isabel assinou a abolição da escravatura no Brasil em 1888. Fora as esculturas e jardins, ainda é possível ter uma vista espetacular do Congresso Nacional.

A visitação é gratuita e pode ser feita todos os dias da semana. O passeio pelo Itamaraty é guiado por servidores que explicam os principais detalhes da história, arte e arquitetura do local.

4 – Catedral Metropolitana de Brasília

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Não fosse pelo nome, ninguém diria que a construção cheia de curvas na Eixo Monumental se trata de uma igreja. Com seus arcos e a forma arredondada, a obra traz uma das principais marcas do arquiteto Oscar Niemeyer e impressiona tanto por fora quanto por dentro.

As 16 colunas de concreto sustentam a catedral, coberta por vitrais e cercada por um espelho d’água na área externa. A surpresa é o acesso principal por uma passagem subterrânea, estreita e escura, de onde a nave do templo surge e o sol escaldante do cerrado explode em cores pelos vitrais.

Não bastasse o espetáculo visual, a construção ainda é cheia de curiosidades. Por causa do formato circular, a catedral é uma galeria de sussurros, fenômeno arquitetônico que permite o som ser levado perfeitamente a pontos distantes da sala.

5 – Torre de TV

Com uma visão privilegiada da Esplanada dos Ministérios, a Torre de TV de Brasília é uma das atrações mais populares da capital e recebe, em média, mil visitantes por dia. A entrada é gratuita.

O chamariz é o mirante a 75 metros de altura, de onde é possível localizar e fotografar todos os pontos turísticos do Eixo Monumental. O único jeito de subir é por um elevador e existe fila em horários de pico, mas o movimento geralmente diminui no fim do dia e a recompensa pela espera é apreciar do alto o céu ganhando os novos tons do entardecer.

Além da bela paisagem, aos pés da Torre de TV funciona uma Feira de Artesanato. De sexta a domingo, o lugar está em pleno funcionamento: tem barracas que vendem desde móveis, peças de vestuário, bijuterias e arte em geral, sem contar a praça de alimentação com várias opções de comidas típicas de diversas regiões brasileiras (você pode provar até acarajé e caruru, mesmo longe do Nordeste!)

6 – Pontão do Lago Sul/Lago Paranoá

Considerado o maior centro de entretenimento e lazer da capital, o Pontão do Lago Sul conta com ótima estrutura para os amantes da prática de esportes, programação cultural e também opções variadas de gastronomia para quem quiser explorar a região mais chique de Brasília.

O passeio pode incluir manobras radicais de wakeboard e de windsurfe ou somente uma caminhada descompromissada para sentir a brisa e o clima quase praiano às margens do lago artificial, tendo o pôr-do-sol mais arrasador da cidade como pano de fundo.

Para dar um upgrade, a visita pode incluir uma voltinha de lancha pelo Lago Paranoá. Aos sábados e domingos, os barcos saem do píer do pontão em dois horários (16h e 17h30) e navegam por uma hora, garantindo inclusive os melhores ângulos para apreciar o traçado da ponte JK. O preço é R$ 45 e a reserva pode ser feita no link.

7 – Zoológico de Brasília

Aberto diariamente ao público, o Zoológico conta com 826 animais, distribuídos entre 185 espécies de aves, répteis e mamíferos. Além dos viveiros, os 139 hectares abrigam o Museu de Ciências Naturais, Borboletário, área para camping e piquenique, playground, lagos artificiais, áreas arborizadas para passeio e lanchonetes. A entrada custa R$ 10 para adultos. Crianças pagam metade.

Os visitantes também podem fazer passeios noturnos para conhecer os hábitos de animais que ficam acordados durante a noite. Junto com educadores ambientais, os grupos observam de perto a rotina do hipopótamo, tamanduá-bandeira e grandes felinos. A experiência custa R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). Para participar, é preciso agendar a visita pelo telefone 3445-7007.

5 pontos turísticos para visitar em São Paulo

São Paulo é um lugar que vez ou outra entra na rota de todo mundo, seja por causa de um curso, para curtir um show ou mesmo para embarcar no aeroporto de Guarulhos rumo a alguma aventura fora do país.

Apesar de receber tantos visitantes, a cidade que nunca para nem sempre é lembrada como um destino turístico. Tem tanta gente querendo uma pausa da muvuca do trânsito e da rotina paulistana atarefada, que é mais comum encontrar opções para fugir da terra da garoa… Mas não desta vez!

Eu sou apaixonada por São Paulo e tenho convicção que a cidade oferece bem mais que cursos, shows ou o terminal de embarque do aeroporto. Então, juntei algumas dicas para quem quiser se aventurar e aproveitar ao máximo a estadia na capital paulistana. Pode ser que ela até se torne o seu próximo destino de viagem. Afinal, há sim turismo em SP!

1 – Liberdade

Abrigo dos primeiros imigrantes japoneses que vieram tentar a vida no Brasil, o bairro Liberdade é um pedaço da Terra do Sol Nascente bem no meio de São Paulo. O toque nipônico está na arquitetura, no murmúrio das ruas, nas lojas e até na sinalização de trânsito.

O bairro mais japonês de São Paulo não recebeu o título à toa. Basta entrar nas lojas e mercadinhos para um mergulho na cultura asiática, às vezes tão profundo que sequer é possível entender o que está nas prateleiras.

Então, perambule pelo comércio, se divirta tentando desvendar os rótulos dos produtos, sinta os cheiros da gastronomia japonesa ou simplesmente pare um pouco nos bancos da calçada para absorver um pouco do ar oriental. Se for um domingo, a praça Liberdade recebe uma feirinha onde é possível encontrar bonsais, cerâmicas, pinturas e diversas peças de artesanato japa.

Como chegar: estação Liberdade (linha azul do metrô)

2 – Avenida Paulista

Palco de protestos políticos e eventos culturais, muitas atrações estão espalhadas ao longo dos três quilômetros de extensão da avenida Paulista: tem casarão histórico, parque com área verde, museu e ainda um gostinho da arte viva presente nas ruas de SP.

Um dos atrativos mais conhecidos é o Masp – Museu de Arte de São Paulo AssisChateaubriant. Não bastasse o acervo permanente com obras de grandes artistas como Van Gogh, Degas, Monet, Rembrandt e Portinari, o prédio por fora é cartão-postal da cidade e ainda abriga feirinha de artesanato e antiguidades aos domingos (Até uma armadura completa de cavalheiro eu já encontrei à venda).

Para quem decidir explorar a Paulista, também vale uma parada no centro cultural Casa das Rosas.  A mansão em estilo clássico francês é o lugar para apreciadores de literatura e poesia, contando com saraus, cursos exposições e concertos na programação. O local ainda tem orquidário e um café para os interessados em apenas curtir a arquitetura histórica do casarão.

Outro ponto interessante é a imponente Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Mesmo quem não curte livros, vai gostar de se perder lá dentro. A loja tem coleções de discos de vinil, dvds e ainda sedia eventos bacanas para o público geek.

Além disso tudo, a avenida oferece refúgio para quem deseja uma pausa na agitação de Sampa. O parque Trianon fica ali no meio dos arranha-céus, com 46.800 m² de área verde e caminhos de pedras portuguesas para os interessados em encontrar um pouco de sossego no meio da selva de pedra.

Como chegar: estação paulista  (linha amarela) ou estação Trianon masp (linha verde)

3 – Pinacoteca/Estação Luz

Fundada em 1905, a Pinacoteca de São Paulo é o museu de arte mais antigo da cidade e reúne a produção artística brasileira do século XIX aos dias atuais. Seja para dar uma olhada no acervo ou conhecer o prédio histórico, a visita é uma boa pedida durante a estadia em São Paulo. É possível inclusive alugar um audioguia e ouvir trechos sobre a história do local.

Se quiser incrementar o passeio, pode ir ao Memorial da Resistência de São Paulo que fica a apenas cinco minutos a pé da estação da Luz. O museu criado na parte do edifício que sediou o Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops/SP) durante o regime militar reúne documentos e relatos para não deixar esquecer os horrores do período da ditadura no Brasil.

O roteiro nos arredores da estação Luz também poderia passar pelo Museu da Língua Portuguesa, mas o espaço está fechado para reconstrução depois de pegar fogo em dezembro de 2015. Enquanto as obas de restauro estão em andamento, a visita só pode ser feita virtualmente. A previsão é que o serviço seja concluído somente em dezembro de 2019 para a reabertura da exposição.

Como chegar: estação luz (linhas amarela e azul)

4 – Parque Ibirapuera

Entre os 10 melhores parques no ranking do TripAdvisor, o Ibirapuera é o queridinho dos paulistanos e está entre os parques mais visitados da América do Sul. Os amplos jardins e a paisagem verde são um convite para a prática de exercício físico ou para desfrutar um piquenique em boa companhia em qualquer horário do dia.

Além disso, os 158 hectares do parque abrigam o Museu Afro, planetário e vários pavilhões e auditórios para receber os principais eventos e atrações de São Paulo, sem contar as esculturas e monumentos históricos espalhados pelo caminho.

Há também diversas atividades para o público, incluindo passeios culturais e educativos como caminhadas monitoradas e grupos de observação de pássaros. Mesmo se não tiver programação oficial no dia, só saborear uma água de coco é motivo suficiente para colocar o Ibirapuera no seu itinerário.

Como chegar: As estações de Metrô próximas são Paraíso (linha azul e verde) e Vila Mariana (linha azul).

5 – Beco do Batman

Considerada uma espécie de galeria espontânea de “street art”, a travessa de paralelepípedos cheia de grafites coloridos na Vila Madalena é o pedaço mais fotogênico de Sampa. O nome foi dado por causa de um grafite do homem morcego, que hoje nem existe mais no beco.

Os muros carregam a obra de novos talentos e artistas já renomados, exibindo a arte do grafite para qualquer um que passar na rua. Ao vagar especialmente pelas ruas Gonçalo Afonso e Medeiros de Albuquerque, os olhos são atraídos por dezenas de grafites que disputam qualquer milímetro de parede livre e são um prato cheio para quem gosta de se aventurar nos clicks.

Depois da imersão na arte de rua, ainda é possível bater perna pelo bairro boêmio da zona oeste da cidade e cair na gandaia explorando a programação da noite na Vila Madalena.

Como chegar: As estações de metrô próximas são Sumaré (linha verde) e Fradique Coutinho (linha amarela).