Rio de Janeiro: Vale a pena incluir Niterói no roteiro?

Você comprou um pacote de viagem para o Rio de Janeiro, já visitou todos os pontos turísticos clássicos e, ao curtir mais uma tarde de sol  na Cidade Maravilhosa, bate a dúvida: vale a pena tirar um dia para atravessar a Baía de Guanabara e conhecer Niterói?

Como eu sou defensora de não fazer da praia a única atração de destinos no litoral (veja também dicas de passeios na Baixada Santista além da praia), devo dizer que esticar até Niterói é uma excelente alternativa para diversificar a programação no litoral fluminense.

Localizada a 13  quilômetros da capital do Rio, Niterói é o segundo lugar do mundo com o maior número de obras projetadas pelo arquiteto Oscar Niemeyer e também abriga construções que contam parte da história brasileira, tudo isso com uma vista espetacular do relevo das montanhas cariocas.

Para completar, tem várias formas de chegar lá sem gastar muito: dá para ir de balsa, de ônibus, de táxi/uber ou até misturar as alternativas. Então, se ficou curioso, segue um roteiro para explorar a Cidade Sorriso por um dia durante a estadia no Rio de Janeiro:

Museu de Arte Contemporânea  

Niterói abriga um complexo arquitetônico composto por sete construções ao longo da orla, que formam o Caminho Niemeyer, junto com o Museu de Arte Contemporânea (MAC).

Mesmo não sendo amante de arte moderna, achei o acervo interessante (e tirei as fotos mais ridículas possíveis com as peças de arte). Além disso, de dentro do museu tem vistas lindas do Rio de Janeiro. Por isso, não precisa entender do assunto para apreciar uma visita ao MAC.

O museu ainda tem uma programação cultural bem criativa e o ingresso custa só R$ 10. Se a visita for às quartas-feiras, você pode admirar o acervo e as exposições de graça.

Agora se não quiser entrar no museu, tudo bem. O ambiente por fora compensa uma parada. A arquitetura do prédio em formato de espaçonave impressiona e o espelho d’água salgada ao fundo destaca as curvas livres da construção.

Balsa e ponte Rio-Niterói

A balsa é uma opção para chegar a Niterói e, na minha modesta opinião, já é um passeio à  parte. Eu nasci na Baixada Santista e amava quando precisava pegar a barca. Algo sobre a imensidão de água, o sol,  o vento… A mistura de tudo mexe comigo. Então, pode imaginar que eu fui a primeira a aprovar a ideia de ir de barco até cidade vizinha.  Para variar o roteiro, é possível fazer a ida ou a volta pela ponte Rio-Niterói e também apreciar a vista da costa fluminense.

Fortes

Incrustados na costa de Niterói, sete fortes carregam em suas muralhas um pedaço do passado do Brasil. A construção mais antiga é a fortaleza de Santa Cruz, a primeira erguida em volta da Baía de Guanabara na época da invasão francesa em 1555. O local é aberto à visitação e o ingresso custa R$ 10.

Além de ter a silhueta do Pão de Açúcar como pano de fundo, ao entrar na fortaleza é possível percorrer as masmorras onde os piratas foram aprisionados e ver 45 canhões usados para defesa do território brasileiro.

Na cidade estão também o Forte Barão do Rio Branco, Forte Imbuí, Forte São Luiz e do Pico, Forte Gragoatá e as ruínas do Forte da Boa Viagem. Todos são abertos à visitação e até existem tours operados por agências locais que fazem o percurso completo para visitar todos os pontos históricos.

Parque da Cidade

O Parque da Cidade está localizado no alto do morro da Viração, numa altitude de 270 metros em uma área preservação ambiental. Cercado pelo verde, o local conta com um mirante que a visão panorâmica das Lagunas, Praias Oceânicas, bairros de Niterói e também completar as montanhas mais famosas do Rio de Janeiro e o mar aberto, até onde a vista consegue alcançar.

É o local com acesso um pouco mais restrito, já que a subida é íngreme e não há linhas  de ônibus para chegar ao topo. O jeito é recorrer ao táxi ou uber para apreciar a vista.

Praias

Para os maníacos por praia, também dá para pegar um bronzeado do outro lado da Baía de Guanabara. As praias badaladas ficam na região oceânica de Niterói, área mais afastada do restante dos pontos turísticos da cidade e pouco explorada por turistas. É possível chegar de ônibus, mas de carro daria mais tempo para desfrutar das praias de águas transparentes.

5 locais de turismo para aproveitar em Palmas

Mais jovem capital brasileira, Palmas é parada obrigatória para quem está se preparando para conhecer o Jalapão. O aeroporto da cidade do Tocantins é a principal porta de entrada para visitantes de outros Estados e o município também é o quartel das companhias de turismo que operam os tours regulares até a região árida do interior do Estado.

Embora não seja o destino final dos visitantes, a passagem por Palmas pode ser mais que um borrão durante a viagem. Dá para fazer um upgrade no roteiro e desbravar um pouco da capital, que abriga lindas praias de água doce. Acredite: o pôr-do-sol à beira do rio é de tirar o fôlego.

Minha visita a Palmas foi em 2014 para participar de um congresso. Confesso que a programação do evento não deixou muito tempo livre, mas deu para dar uma escapadinha e explorar os principais atrativos da cidade. A rota pode começar pela Praça dos Girassóis, localizada no centro.

Coloque um calçado confortável, roupas leves e filtro solar para suportar o calor do Tocantins porque a praça por si só já é uma caminhada e tanto: são 571 mil metros quadrados de extensão! Cartão-postal da cidade, ela é a maior da América Latina e a segunda maior do mundo, sendo superada apenas pela Praça Merdeka, na Indonésia.

Inaugurada em 2000, a Praça dos Girassóis é um complexo arquitetônico que reúne as sedes dos três poderes públicos estaduais: o Palácio Araguaia (Poder Executivo), a Assembleia Legislativa do Estado do Tocantins (Poder Legislativo) e o Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins (Poder Judiciário).

Além disso, o espaço abriga  dezenas de monumentos e obras de arte que contam parte da história brasileira e podem render ótimos cliques da viagem. Um dos exemplos é o Memorial da Coluna Prestes, criação do arquiteto Oscar Niemeyer, onde funciona um museu com  acervo de 81 peças originais que retratam  o movimento encabeçado por Luís Carlos Prestes. Também chama a atenção as estátuas da revolta dos Dezoito do Forte Copacabana.

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Da praça, é bem fácil chegar à Praia da Graciosa, que fica dentro da cidade.  São 520 metros de orla com bares e restaurantes, quadras de esporte, banheiros, playground, marina com atracadouro, píer e vista para a Ponte da Amizade. Se estiver animado, o local também é ideal para a prática esportiva como stand up, canoagem e caiaque, além de ciclismo, corrida e cooper.
Aproveitando a folga no congresso para conhecer as praias fluviais de Palmas

Para incrementar o passeio, dá para pegar um barco no porto da praia da Graciosa e apreciar a paisagem do imenso lago formado com a construção da Usina Hidrelétrica Luis Eduardo Magalhães ou fazer a travessia para conhecer a Ilha Canela. Infelizmente, eu só tive tempo para apreciar a vista da beira do rio mesmo, mas anotei os detalhes para uma próxima visita ao Tocantins.

A Ilha da Canela era uma vila, que foi inundada na construção da represa para mover as turbinas da hidrelétrica. Hoje o local se tornou um pequeno oásis no meio do lago, com águas cristalinas para dar um mergulho e quiosques charmosos para desgutar em paz os pratos típicos de Tocantins. O preço da travessia é R$ 25 (ida e volta).

Nos 54 quilômetros de espelho d’água formado pela represa, outras praias de água doce também podem ser encontradas em pontos mais afastados da área urbana. A praia do Prata é uma das opções disponíveis para quem estiver disposto a ir mais longe. Com vários restaurantes, o local conta com quiosques e mesas à beira do rio para aproveitar os petiscos literalmente com o pé na água.

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Como estive por lá em dia de semana, o ambiente estava bem tranquilo, mas ouvi falar que o clima é diferente aos fins de semana e feriados. Para fugir de agitação, as alternativas são as praias do Caju, dos Buritis, dos Arnos e Luzimangues. Todas também ficam em áreas mais afastadas da região central, mas apresentam o mesmo pôr do sol incomparável do Tocantins.

Caso você seja do time que prefere aventuras radicais, vale a pena esticar até Taquaruçu. O local é um refúgio do ecoturismo, a pouco mais de 30 quilômetros do centro da capital tocantinense. Várias agências oferecem o tour guiado para os visitantes interessados em passar o dia na região, onde dá para  praticar rapel, descer em uma tirolesa, apreciar a vista de mirantes, fazer trilhas e explorar cachoeiras. O pessoal do congresso que estava com agenda mais leve reservou uma tarde para conhecer a região e não se arrependeu.

Como chegar

Quando estive em Palmas, não havia linhas regulares de ônibus para chegar à maioria das praias de rio. Apenas as praias Graciosa (linha 100) e Arnos (linhas 030, 040,041) tinham transporte coletivo com paradas relativamente próximas. Pelo que pesquisei, a situação não mudou muito. Para as demais praias, um serviço especial roda apenas na alta temporada em julho.

O táxi e o uber são também alternativas para se locomover na capital do Tocantins durante a visita. No entanto, dependendo do roteiro traçado, vale a pena considerar o aluguel de um carro. O custo-benefício de ter veículo na mão compensa, pois evita perder tempo à espera da chegada do motorista contratado.

10 passeios para dias de chuva em Santos

Seja nas férias ou em feriado prolongado, a tradicional fugidinha para o litoral paulista geralmente tem um programa definido: passar o dia pegando um bronzeado na praia. A escolha parece ser prática e democrática, mas  você pode dar o azar de pegar somente dias nublados na viagem, o que acabaria com a diversão.

Além disso, em uma  viagem de grupo, é preciso considerar que nem todo mundo é fã de ficar deitado na areia por longas horas e repetir esse mesmo itinerário por dias seguidos tornaria o passeio bem monótono.

Então, não custa nada pensar um plano B para aproveitar Santos e região além da praia. Confira 10 dicas para montar o seu roteiro e variar a programação explorando um pouco da história, cultura e paisagens do litoral paulista.

1 – Embarcar no bondinho e conhecer o centro histórico de Santos

Composto por palacetes e monumentos que retratam a fase áurea do café, o centro de Santos é um acervo histórico a céu aberto e o bondinho é a forma mais charmosa de mergulhar no passado da cidade, afinal esse era o principal meio de transporte nos séculos 19 e 20.

A linha turística oferece uma verdadeira viagem no tempo por 40 pontos de interesse histórico e cultural. Na época em que fiz o passeio, as saídas eram da praça Mauá, mas agora o embarque está sendo em frente ao Museu Pelé, no prédio da Estação do Valongo – a primeira ferrovia paulista. Os elétricos percorrem 5km no Centro Histórico em roteiro monitorado por guia de turismo. Os veículos são uma atração à parte, pois são originais do século 19 e 20.

O bondinho funciona de terça a sexta-feira, domingos e feriados, das 11h às 17h (saídas de hora em hora). Já aos sábados, a operação é das 10h30 às 17h e os passeios começam a cada meia-hora. O bilhete custa R$ 7. Crianças e pessoas a partir de 65 anos pagam metade.

2 – Museu da Fortaleza da Barra

A Fortaleza da Barra Grande fica no Guarujá, mas o acesso pode ser feito facilmente a partir de Santos com embarcações que saem todos os dias da ponta da praia. O caminho pelo mar é feito em poucos minutos e já compensa o passeio, oferecendo belas paisagens do litoral.

Construída pelos espanhóis em 1584, a Fortaleza protegeu a Vila de Santos contra as invasões piratas. Os soldados tinham uma visão estratégica de todas as entradas da Baía e intimidavam os invasores com seus canhões. Hoje, o local abriga um museu simples com réplicas em minituara de embarcações da época, pinturas e fotografias.

O mais interesante, na verdade, é poder caminhar dentro das muralhas históricas da fortaleza  e apreciar a vista impressionante da orla de Santos para registrar vários cliques de viagem. A entrada é gratuita.

3 – Áquario

O Aquário de Santos é o mais antigo do Brasil e impressiona com cerca de 120 espécies espalhadas pelos tanques. São 1,3 milhão de litros de água doce e salgada para abrigar  os animais marinhos. Entre os destaques estão o leão-marinho, os pinguins e também as arraias-borboletas e as tartarugas marinhas. É um ótimo passeio para crianças e adultos.

O Aquário funciona de terça-feira a domingo, das 9h às 18h.  O ingresso custa R$ 8. Estudantes com carteirinha, crianças de 8 a 12 anos e idosos de 60 a 64 pagam meia. Crianças com menos de 8 e idosos a partir de 65 são isentos.

4 – Museu de pesca

Instalado em um casarão de 1908, o  Museu de Pesca abriga um importante acervo do ambiente aquático. Existem outros dois de temática semelhante na cidade (Museu Marítimo e Museu do Mar), mas esse é de longe o meu preferido.

Uma das principais atrações é um esqueleto gigante de baleia com 23m de comprimento, mas também chamam atenção as lulas gigantes, os tubarões e uma grande coleção de areias de praias do Brasil e do mundo. Em localização privilegiada na ponta da praia, o prédio histórico ainda permite uma belíssima paisagem através das janelas do piso superior.  O museu está aberto de quarta-feira a domingo, das 10h às 18h. A entrada é R$ 5.

5 – Pinacoteca

Instalada em belo casarão de estilo neoclássico do início do século XX, a Pinacoteca Benedicto Calixto é a última casa da orla santista que mantém as características da época dos barões do café. O local já serviu de residência familiar, asilo de idosos, pensionato de moças e até cortiço, antes de ser declarada de utilidade pública e começar a ser restaurada para se tornar um importante espaço cultural da cidade.

A pinacoteca abriga exposição permanente de 65 obras de Benedicto Calixto, considerado um dos maiores expoentes da pintura brasileira do início do século XX. Além disso,  os visitantes podem aproveitar o café que instalado nos amplos jardins do casarão histórico e, se der sorte, até curtir um happy hour musical por lá. A entrada é gratuita.

6 – Jardins da orla e Gonzaga

Com mais de cinco quilômetros de extensão, o jardim da orla em Santos mantem o recorde no Guinness como o maior jardim de praia do mundo. Não apenas pelo tamanho,  o visual vale a caminhada. O espaço é uma galeria de arte a céu aberto e  abriga 38 monumentos e esculturas que destacam personagens da história local, nacional e internacional.

Do calçadão, é quase obrigatória uma esticadinha até o Gonzaga. O bairro é conhecido como um local onde as pessoas buscam boa comida, cultura, entretenimento, moda e diversão. Com avenidas movimentadas, shoppings, cinemas de rua e as famosas Praça da Independência e Praça das Bandeiras, o Gonzaga contagia os visitantes com várias atrações culturais e dá vida à noite no litoral.

7 – Vila Belmiro

Eu não sou fã de futebol. Mal  acompanho os jogos da Copa do Mundo atualmente (trauma do 7×1). Mas tenho que confessar que a visita à Vila Belmiro é um passeio bem legal. O ingresso custa R$ 12 e dá direito a conhecer a arquibancada e as cadeiras cativas do Estádio Urbano Caldeira, a casa do Santos Futebol Clube. Olhando para o gramado é possível  imaginar qual a sensação de estar ali na torcida em dia de jogo. Sério!
Além disso, a visita inclui o Memorial das Conquistas, que reúne registros e objetos da história do Santos. São 380m² para se divertir e conhecer lendas da vila. Instalado no térreo do estádio desde 17 de novembro de 2003, o Memorial apresenta momentos eternizados por ídolos de todos os tempos, alguns com espaços únicos, como Pelé e Neymar. Lá taambém estão expostos 600 troféus, fotos, vídeos, prêmios, flâmulas e curiosidades da história do time.

8 – Orquidário

Inaugurado em 1945, o Orquidário Municipal conta com cerca de 3.500 orxquídeas de 120 espécies, a grande maioria afixada nas árvores.  Além disso, possui quase 500 animais de 70 espécies, muitos dos quais vivem soltos, a exemplo de cutias, cágados, jabutis, saracuras e pavões. Para completar, o parque tem atrações como Trilha do Mel, Jardim Sensorial e Viveiro de de aves onde os pássaros chegam a pousar bem perto das pessoas. É um passeio para todas as idades. O orquidário abre de terça-feira a domingo, das 9h às 18h. O ingresso é R$ 8. Estudantes com carteirinha, crianças de 8 a 12 anos e idosos de 60 a 64 pagam meia. Crianças com menos de 8 e idosos a partir de 65 são isentos.

9 – Teleférico e voo de parapente

Inaugurado em 2002, o teleférico de São Vicente liga a praia do Itararé ao topo do morro Voturuá, onde há um mirante com uma vista privilegiada do skyline e de toda a orla. O percurso tem 700 metros e a viagem é aproximadamente 10 minutos, passando por cima da avenida e também da Mata Atlântica (medo!).  O preço é R$ 40 (ida e volta).

Se a subida/descida não for adrenalina suficiente, no topo do morro também é possível fazer o salto de parapente. Os guias de voo livre estão sempre na área para quem quiser se aventurar pelos ares. O valor da experiência varia conforme a data. Já estive lá no meio de semana e me ofereceram o voo por R$ 180. Um amigo aproveitou o feriado para se arriscar no parapente e pagou exatos R$ 350.

10 – Ilha Porchat e Mirante de São Vicente

Único monumento do Oscar Niemeyer (1907-2012) na Baixada Santista, o mirante encanta os visitantes com o cenário exuberante da orla. A impressão é marcante em qualquer horário do dia, mas eu diria que a visão do nascer ou do pôr do sol é tirar o fôlego (#ficaadica).

Descendo da Ilha Porchat, outra parada pode ser a Biquinha de São Vicente, famosa por ser o lugar das meditações e aulas de catecismo do padre José de Anchieta. Na região, também vale se aproximar da orla para uma foto do Marco O Marco Padrão, construído em comemoração aos 400 anos de fundação da Vila de São Vicente – a primeira do Brasil.

Cinco passeios imperdíveis em Manaus

Reserva confirmada em hotel de selva na Amazônia, passagens na mão, malas prontas e eis que bate a dúvida: o que fazer no intervalo entre o desembarque no aeroporto de Manaus e o check-in na hospedagem ou entre o check-out e o voo de retorno? Não precisa se preocupar porque opções não faltam. A capital amazônica tem vários pontos turísticos que vão fazer o tempo passar voando e podem até compensar estender um pouco mais a passagem pela cidade.

Pólo econômico de toda região Norte, Manaus foi fundada em 1669 e carrega em sua arquitetura a marca de importantes acontecimentos da história do Brasil. Os casarões espalhados pelo centro lembram um pouco da riqueza do Ciclo da Borracha e convidam os visitantes a voltarem no tempo, além de  concentrarem as principais atrações culturais e artísticas da cidade.  Há ainda paisagens naturais de tirar o fôlego sem precisar ir muito longe, já que a capital do Amazonas é praticamente um porto natural na confluência dos rios Negro e Solimões.

Então, anote cinco boas opções de passeios para aproveitar ao máximo a visita à capital amazônica antes de se embrenhar pela floresta. Se tiver dois dias livres – seja antes do check-in ou depois do check-out – dá para encaixar tudo no roteiro e turistar sem correria.

1 –  Largo São Sebastião: Teatro  Amazonas e Palácio da Justiça

O Largo de São Sebastião reúne grandes monumentos da história manauara, como a Igreja de São Sebastião, o Palácio da Justiça e o famoso Teatro Amazonas. O espaço foi totalmente revitalizado em 2005 e algumas ruas inclusive foram restritas para o tráfego exclusivo de pedestres. Então, é uma excelente pedida para city tour a pé.

Com seu tom rosado, o Teatro Amazonas domina a paisagem. O monumento foi erguido em 1881 para ser frequentado pela elite da belle époque, como ficou conhecido o período em que Manaus viveu a época áurea da borracha no final do século XIX.

O número de assentos é limitado, apenas 701 lugares, mas vale a pena fazer uma visita guiada para apreciar o luxo dos detalhes no interior, onde os barões da borracha assistiam espetáculos europeus no meio da selva amazônica. Hoje, a visitação com guia pode ser feitas das 10h às 17h e o preço é apenas R$ 10. Outra opção é dar uma olhada na agenda cultural para assistir um espetáculo na Casa de Ópera. Se der sorte, pode até encontrar atrações de dança e concertos de música gratuitos.

Atrás do Teatro, fica o Palácio da Justiça. Construído especificamente para atender às instalações do Poder Judiciário em 1900, o prédio hoje funciona como centro cultural e está aberto à visitação guiada, com exposições periódicas de artistas locais. Além de ter uma das fachadas mais bonitas de todo o centro histórico de Manaus, o interior guarda um  imponente hall de entrada que pode ser apreciado gratuitamente.

Nos arredores, é possível observar ainda Monumento de Abertura dos Portos, erguido em homenagem à abertura dos portos do Brasil para o comércio com outros países, e a Igreja de São Sebastião, construída em pedras em estilo medieval e com impressionantes pinturas no teto.

Outra atração a alguns passos do teatro é o  Museu Casa Eduardo Ribeiro. O casarão restaurado já foi a residência do Governador Eduardo Ribeiro, responsável pela transformação de Manaus na “Paris dos Trópicos” durante o ciclo da borracha. O Museu recria com perfeição o ambiente de uma casa no final do século XIX, com todos os seus cômodos e móveis de época. Além disso, apresenta cópias dos desenhos de construção do Teatro Amazonas e apresenta a história e os projetos do ex-governador. O Museu ainda abriga saraus de música clássica durante alguns fins de semana, com entrada gratuita.

Fora as atrações históricas e culturais, há também muitas opções para provar a gastronomia do Amazonas. O Tacaca da Gisela fica na praça em frente ao Teatro Amazonas e  o Mundo dos Sucos está em uma das casas históricas restauradas na vizinhança, sendo possível admirar a vista da Ópera de Manaus. A Sorveteria Glacial é uma boa alternativa para refrescar no calor úmido da cidade e você pode pedir uma amostra grátis de qualquer um dos sabores regionais antes de fazer o pedido.

2 – Museu Paço da liberdade, praça da Polícia e palacetes

Antiga sede da Prefeitura, o Museu do Paço da Liberdade abriga pinturas, esculturas, poesia, móveis históricos e até vestígios arqueológicos encontrados no local. Trata-se de um dos prédios mais antigos da cidade e está em uma região que apresenta um pedacinho da Manaus bucólica e bem tratada da Belle Époque, com o coreto e o chafariz da praça Dom Pedro II e o conjunto pitoresco de casas coloridas da rua Bernardo Ramos, uma das mais antigas da cidade e que mantem os traços coloniais com o calçamento de paralelepípedos.

Ao redor, há outro importante prédio histórico: o Palácio Rio Branco, antiga sede da Assembleia Legislativa do Amazonas transformada em museu. Na região, ainda resistem as ruínas do Cabaré Chinelo,  onde foi comemorado o Réveillon de 1900, um dos principais marcos do Período Áureo da Borracha, quando o Amazonas era o principal exportador brasileiro.

A uma curta caminhada pela avenida Sete de Setembro, dá para avistar a praça da Matriz e o relógio municipal para fazer uns cliques antes de seguir para a Praça da Polícia. Construída em estilo inglês, a praça conta com diversas espécies vegetais da região amazônica, inclusive uma grande Sibipiruna que recebe iluminação especial à noite. Além de esculturas e chafarizes, o local conta com um belíssimo e centenário coreto que serve de palco para pequenos concertos de música clássica. No entorno, há três importantes construções históricas:

  • o prédio do Colégio Estadual D. Pedro II, principal instituição de ensino durante o ciclo da borracha;
  • Palacete Provincial, que abriga vários museus gratuitos em seu interior, desde a Pinacoteca do Estado até o Museu de Moedas;
  • e a Biblioteca Pública do Amazonas, que funciona em uma construção de estilo Belle Époque e encanta não só por fora, mas também pelo majestoso hall de entrada com uma bela escadaria metálica que conduz ao saguão superior.

Nos arredores da praça, é possível encontrar boas opções para alimentação. Dentro do Palacete Provincial está situado o Café do Pina, uma lanchonete cuja decoração é inspirada nos bares de Manaus do século XIX. Aos domingos, eles também oferecem  um café-da-manhã regional. Outros restaurantes por ali são a Cantina Fiorentina Alemã Gourmet.

3 – Porto de Manaus e Mercado Adolpho Lisboa

Construído em estilo arquitetônico  Art Nouveau, o  Mercado Adolpho Lisboa foi totalmente restaurado e se destaca na paisagem à margem do rio Negro. O prédio em estilo europeu e rodeado por  gradis de ferro é herança da fase áurea do Ciclo da Borracha, sendo inclusive tombado como patrimônio nacional. Hoje o entorno não carrega tanto glamour, mas proporciona uma visão real da capital amazônica, onde a história retratada nos  prédios antigos convive ao lado das feiras e do ruidoso porto fluvial que  movimentam a economia atual da cidade.

Com 135 anos de idade, o mercado é a aposta certa para conhecer um pouco da cultura local e encontrar produtos regionais típicos, desde frutas e ervas medicinais a peças de artesanato para levar de lembrança. Nos 182 boxes, o visitante encontra até lanchonetes e pequenos restaurantes que vendem sanduíches, salgados, sucos, peixes e demais comidas caseiras.

Seja para um lanche ou apenas comprinhas de viagem, o visitante vai poder desfrutar de uma vista especial do rio Negro, especialmente no final da tarde. E se o passeio por lá for na última sexta-feira do mês, à noite o mercado vira palco para atrações culturais e apresentações de cantores regionais para aproveitar o cenário com uma ótima trilha sonora.

Se quiser esticar a andança pela região portuária, os amantes da história podem conferir as fachadas do antigo complexo boothline, onde no passado funcionava a sede da companhia de navegação marítima e o escritório da empresa de bondinhos de Manaus. Infelizmente, os imóveis não foram preservados e restam apenas as fachadas dos prédios que já marcaram o fervor econômico da cidade.

Na outra ponta da região portuária, em área mais afastada do mercadão, há também o Centro Cultural Usina Chaminé. Originalmente, o prédio foi construído apenas para ser uma estação de tratamento de esgoto, há mais de 100 anos. Hoje, o espaço abriga exposições permanentes e atividades culturais e musicais, com programações gratuitas para visitantes de todas as idades. Tem até um bondinho antigo no local para quem não resiste a uma foto.

4 – Largo Mestre Chico e Ponte Metálica Benjamim Constant

O Largo do Mestre Chico também está localizado no centro histórico da cidade e passou por um intenso processo de revitalização. O lugar antes era povoado por uma densa favela de palafitas, mas deu espaço a uma área de lazer, com quadras poliesportivas, trilhas para caminhada, ciclovia, parquinhos para crianças e diversos bares e lanchonetes.

Como principal atrativo do Largo, está a Ponte Benjamin Constant ou Ponte de Ferro, um cartão-postal da cidade. A estrutura corria sérios riscos de desabamento e foi restaurada para compor o novo visual da região.

Outro destaque na área são para as fachadas à esquerda do Largo. De longe, parecem casas históricas. À medida que o visitante se aproxima percebe que são pinturas, feitas sobre o muro da centenária Cadeia Municipal Raimundo Vidal Pessoa e que garantem outros ótimos cliques do city tour por Manaus.

Com mais alguns passos, é possível chegar ao Museu do Índio e conhecer objetos da cultura de povos nativos brasileiros. Estendendo mais um pouco a caminhada de volta pela avenida Sete de Setembro, dá para fechar o roteiro com uma visita ao imponente Palácio Rio Negro. A mansão foi propriedade de um barão da borracha do séc. XIX e preserva a decoração e arquitetura da época, além de encantar os turistas com os jardins amplos e o um mirante que oferece vista privilegiada de Manaus e do tráfego das embarcações nas águas escuras do Rio Negro.

5 –  Encontro das águas 

Uma visita a Manaus não estaria completa sem aproveitar para ver de perto o Encontro das Águas do Rio Negro com o Solimões, dando vida ao gigante rio Amazonas. Todas as explicações nas aulas de geografia não se comparam com a sensação de estar no meio daquela imensidão de água, dividida em duas cores. Juro!

Chegar a um dos espetáculos naturais mais bonitos de Manaus é bem simples. Existem excursões de barco, com saídas diárias pela manhã do porto até o Encontro das Águas. É possível conferir com as próprias mãos a diferença entre os dois rios, que correm paralelamente por cerca de seis quilômetros sem se misturar  devido às características físico-químicas distintas. Além da separação entre as cores negra e marrom barrento, a temperatura da água também muda de um rio para outro. Do barco, você pode botar o braço para fora e fazer o teste.

O preço da excursão não assusta e tem um bom custo-benefício. O valor gira em torno de R$150 e o pacote geralmente inclui também almoço típico (bebidas à parte) em restaurante flutuante no meio do rio Amazonas , a experiência de interação com botos e visita a uma comunidade indígena. Na época da cheia, o roteiro ainda conta com passeio de canoa pelos igapós (floresta inundada) e uma visita a uma lagoa cheia de vitórias-régias. O tour termina por volta das 16h.

Se sobrar energia, dá até para seguir para a praia de Ponta Negra . O local conta com mirantes com vistas privilegiadas do Rio Negro, fonte de águas dançantes e a praia fluvial resistente ao regime de cheia das águas. Curtir o restinho de tarde na orla pode ser uma boa opção antes de seguir para o check-in no hotel de selva ou se preparar para o voo de partida.