Conheça um pedaço do Japão, sem sair de São Paulo

Quando os primeiros imigrantes japoneses desembarcaram em terras brasileiras há mais de 100 anos não era possível imaginar que os nipônicos deixariam uma marca tão profunda no meio de São Paulo, onde um pedacinho da Terra do Sol Nascente foi recriado pelos recém-chegados que buscavam começar uma nova vida no país.

Os orientais deixaram a terra natal para conseguir empregos e chegaram ao Brasil no início do século XX com a missão de suprir a demanda por mão-de-obra nas fazendas de café do interior paulista, após a abolição da escravatura.

Com paciência, os imigrantes japoneses fincaram as raízes onde hoje conhecemos como o bairro da Liberdade e deram uma nova cara para a região que antes foi palco até de execuções públicas. Chineses, coreanos e outras nacionalidades do mundo oriental vieram depois a compor também o mosaico cultural do lugar.

Essa história e os percalços do processo de adaptação à nova casa agora estão estampadas em cada esquina do bairro. As cores nipônicas saltam na arquitetura dos prédios e dos postes alegóricos que compõem o visual urbano da região. Há ainda vestígios dos costumes orientais nas lojas e no burburinho das ruas, onde os letreiros verticais dos mercadinhos e até a sinalização de trânsito sussurra aos visitantes noções básicas da enigmática língua japonesa.

Muitas pessoas são atraídas para o bairro Liberdade por causa da feirinha que acontece no local aos finais de semana desde 1975. Eu aproveitei para passear por lá quando estive em São Paulo para resolver a questão do visto americano (Veja outras opções de passeios para fazer em São Paulo).

As barracas tingidas com as cores da bandeira nipônica mostram justamente a fusão entre a cultura asiática e brazuca. Em meio a panos de prato decorados, tapetes em crochê e camisetas no estilo tye dye, você encontra bonsais, bonecas kokeshi, gatos da sorte e outras peças artesanais típicas do Japão ao caminhar pelas tendas.

A parte culinária também oferece um mix diversificado, permitindo aos visitantes se aventurarem com sushi e até o doce de feijão ou escolher algo menos desafiante como espetinhos. Se ficar na dúvida sobre algum prato, basta perguntar e os atendentes te explicam com muita simpatia sobre as opções do menu.

De todas as “vitrines” da feirinha, a que mais me prendeu foi a do senhor Midori Aoshima. Nascido no Japão, ele vive no Brasil há 60 anos. Apesar de falar um português de poucas palavras, o trabalho habilidoso feito com as mãos dispensa mais explicações aos clientes que, como eu, ficam admirados com o capricho da pintura das milenares bonequinhas kokeshi à venda.

Midori veio para o Brasil inicialmente para trabalhar numa empresa japonesa, se casou com uma brasileira, teve três filhos e nunca mais pisou no Japão. Hoje, ele aproveita a aposentadoria para se realizar como artesão.

Apesar dos atrativos da feirinha, o que eu achei mais interessante na minha visita ao bairro da Liberdade foi perambular pelas lojas e mercadinhos nas proximidades para um mergulho na cultura asiática – às vezes tão profundo que sequer foi possível entender o que estava nas prateleiras (kkkkkkk).

Entrei em cada portinha e me diverti tentando desvendar os rótulos dos produtos e sentindo os cheiros da gastronomia japonesa. Gostei tanto do ar oriental que simplesmente parei nos bancos da calçada para ver os brasileiros de olhos puxados que seguiam a rotina normal do dia, sem nem perceber a minha presença por ali.

Para quem quiser experimentar o doce de feijão ou outros das guloseimas curiosas do Japão, indico inclusive essa visita ao comércio nas ruas do entorno da feira.  Os preços são mais em conta e a variedade é bem maior.

Para a gente que pensa no feijão como companheiro inseparável do arroz, é uma experiência engraçada arriscar umas mordidas na iguaria japonesa. Mas garanto que o gosto não é nada assustador e foi perfeito para adocicar a minha visita relâmpago por São Paulo!

5 pontos turísticos para visitar em São Paulo

São Paulo é um lugar que vez ou outra entra na rota de todo mundo, seja por causa de um curso, para curtir um show ou mesmo para embarcar no aeroporto de Guarulhos rumo a alguma aventura fora do país.

Apesar de receber tantos visitantes, a cidade que nunca para nem sempre é lembrada como um destino turístico. Tem tanta gente querendo uma pausa da muvuca do trânsito e da rotina paulistana atarefada, que é mais comum encontrar opções para fugir da terra da garoa… Mas não desta vez!

Eu sou apaixonada por São Paulo e tenho convicção que a cidade oferece bem mais que cursos, shows ou o terminal de embarque do aeroporto. Então, juntei algumas dicas para quem quiser se aventurar e aproveitar ao máximo a estadia na capital paulistana. Pode ser que ela até se torne o seu próximo destino de viagem. Afinal, há sim turismo em SP!

1 – Liberdade

Abrigo dos primeiros imigrantes japoneses que vieram tentar a vida no Brasil, o bairro Liberdade é um pedaço da Terra do Sol Nascente bem no meio de São Paulo. O toque nipônico está na arquitetura, no murmúrio das ruas, nas lojas e até na sinalização de trânsito.

O bairro mais japonês de São Paulo não recebeu o título à toa. Basta entrar nas lojas e mercadinhos para um mergulho na cultura asiática, às vezes tão profundo que sequer é possível entender o que está nas prateleiras.

Então, perambule pelo comércio, se divirta tentando desvendar os rótulos dos produtos, sinta os cheiros da gastronomia japonesa ou simplesmente pare um pouco nos bancos da calçada para absorver um pouco do ar oriental. Se for um domingo, a praça Liberdade recebe uma feirinha onde é possível encontrar bonsais, cerâmicas, pinturas e diversas peças de artesanato japa.

Como chegar: estação Liberdade (linha azul do metrô)

2 – Avenida Paulista

Palco de protestos políticos e eventos culturais, muitas atrações estão espalhadas ao longo dos três quilômetros de extensão da avenida Paulista: tem casarão histórico, parque com área verde, museu e ainda um gostinho da arte viva presente nas ruas de SP.

Um dos atrativos mais conhecidos é o Masp – Museu de Arte de São Paulo AssisChateaubriant. Não bastasse o acervo permanente com obras de grandes artistas como Van Gogh, Degas, Monet, Rembrandt e Portinari, o prédio por fora é cartão-postal da cidade e ainda abriga feirinha de artesanato e antiguidades aos domingos (Até uma armadura completa de cavalheiro eu já encontrei à venda).

Para quem decidir explorar a Paulista, também vale uma parada no centro cultural Casa das Rosas.  A mansão em estilo clássico francês é o lugar para apreciadores de literatura e poesia, contando com saraus, cursos exposições e concertos na programação. O local ainda tem orquidário e um café para os interessados em apenas curtir a arquitetura histórica do casarão.

Outro ponto interessante é a imponente Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Mesmo quem não curte livros, vai gostar de se perder lá dentro. A loja tem coleções de discos de vinil, dvds e ainda sedia eventos bacanas para o público geek.

Além disso tudo, a avenida oferece refúgio para quem deseja uma pausa na agitação de Sampa. O parque Trianon fica ali no meio dos arranha-céus, com 46.800 m² de área verde e caminhos de pedras portuguesas para os interessados em encontrar um pouco de sossego no meio da selva de pedra.

Como chegar: estação paulista  (linha amarela) ou estação Trianon masp (linha verde)

3 – Pinacoteca/Estação Luz

Fundada em 1905, a Pinacoteca de São Paulo é o museu de arte mais antigo da cidade e reúne a produção artística brasileira do século XIX aos dias atuais. Seja para dar uma olhada no acervo ou conhecer o prédio histórico, a visita é uma boa pedida durante a estadia em São Paulo. É possível inclusive alugar um audioguia e ouvir trechos sobre a história do local.

Se quiser incrementar o passeio, pode ir ao Memorial da Resistência de São Paulo que fica a apenas cinco minutos a pé da estação da Luz. O museu criado na parte do edifício que sediou o Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops/SP) durante o regime militar reúne documentos e relatos para não deixar esquecer os horrores do período da ditadura no Brasil.

O roteiro nos arredores da estação Luz também poderia passar pelo Museu da Língua Portuguesa, mas o espaço está fechado para reconstrução depois de pegar fogo em dezembro de 2015. Enquanto as obas de restauro estão em andamento, a visita só pode ser feita virtualmente. A previsão é que o serviço seja concluído somente em dezembro de 2019 para a reabertura da exposição.

Como chegar: estação luz (linhas amarela e azul)

4 – Parque Ibirapuera

Entre os 10 melhores parques no ranking do TripAdvisor, o Ibirapuera é o queridinho dos paulistanos e está entre os parques mais visitados da América do Sul. Os amplos jardins e a paisagem verde são um convite para a prática de exercício físico ou para desfrutar um piquenique em boa companhia em qualquer horário do dia.

Além disso, os 158 hectares do parque abrigam o Museu Afro, planetário e vários pavilhões e auditórios para receber os principais eventos e atrações de São Paulo, sem contar as esculturas e monumentos históricos espalhados pelo caminho.

Há também diversas atividades para o público, incluindo passeios culturais e educativos como caminhadas monitoradas e grupos de observação de pássaros. Mesmo se não tiver programação oficial no dia, só saborear uma água de coco é motivo suficiente para colocar o Ibirapuera no seu itinerário.

Como chegar: As estações de Metrô próximas são Paraíso (linha azul e verde) e Vila Mariana (linha azul).

5 – Beco do Batman

Considerada uma espécie de galeria espontânea de “street art”, a travessa de paralelepípedos cheia de grafites coloridos na Vila Madalena é o pedaço mais fotogênico de Sampa. O nome foi dado por causa de um grafite do homem morcego, que hoje nem existe mais no beco.

Os muros carregam a obra de novos talentos e artistas já renomados, exibindo a arte do grafite para qualquer um que passar na rua. Ao vagar especialmente pelas ruas Gonçalo Afonso e Medeiros de Albuquerque, os olhos são atraídos por dezenas de grafites que disputam qualquer milímetro de parede livre e são um prato cheio para quem gosta de se aventurar nos clicks.

Depois da imersão na arte de rua, ainda é possível bater perna pelo bairro boêmio da zona oeste da cidade e cair na gandaia explorando a programação da noite na Vila Madalena.

Como chegar: As estações de metrô próximas são Sumaré (linha verde) e Fradique Coutinho (linha amarela).