Cinco conselhos para a 1ª viagem sozinha fora do país

Há anos você sonha conhecer um novo país e já tem até dinheiro guardado para a viagem, mas vem adiando o embarque por um simples detalhe: ainda não encontrou alguém para ir com você. Então, talvez seja a hora de deixar o medo de lado e seguir para uma aventura solo!

Não vou negar que é bom demais ter alguém do lado para compartilhar experiências, rir dos perrengues e garantir cliques especiais do passeio, porém nem sempre é possível. Se já está difícil conciliar a agenda na vida adulta para um jantar com amigos, quanto mais dar a sorte de conseguir marcar as férias na mesma data.

Sim, tem gente que vai te olhar com cara de dó porque você decidiu ir sozinha. Também é verdade que você dependerá muito da boa vontade de estranhos para não ter um álbum exclusivo de selfies e ainda ficará sem ombro amigo para te tranquilizar quando estiver perdida na rua, sem bateria no celular… Mas preciso te dizer que existe um lado bom de voar solo.

Já pensou ficar três horas explorando o museu que achou interessante e não ter ninguém emburrado para ir embora? Ou evitar uma batalha todo dia para decidir o roteiro e escutar reclamação porque o passeio que você escolheu deu errado? E que tal o privilégio de desfrutar o silêncio para absorver a cultura de um país estrangeiro enquanto se encanta com um belo pôr-do-sol?

Por essas e outras, a falta de companhia não pode ser uma desculpa para deixar de viver uma aventura. Agora se partir sozinha para fora do Brasil ainda te dá frio na barriga, eu desenvolvi um guia com cinco dicas básicas para facilitar o início da caminhada e preparar a primeira viagem por conta própria.

  1. Comece pelo Brasil

Antes de aprender a correr, a gente precisa engatinhar, né?! Uma boa forma de se preparar para desbravar outro país sozinha é começar organizando uma viagem solo dentro do Brasil. Eu, por exemplo, fiz um “treinamento” passando as férias em Curitiba, antes de embarcar para a Inglaterra no ano seguinte.

O desafio é justamente concentrar em se tornar a sua melhor companhia, já que não haverá distrações com a língua falada e nem mistérios sobre os procedimentos em caso de eventuais emergências.

Lá no fundo, a gente sabe que consegue muito bem se virar sozinha. Falta só um empurrãozinho. Por isso, escolha uma cidade, aproveite um feriado prolongado, compre as passagens e explore o destino por conta própria.

  1. Opte por países que você entenda a língua

Se correu tudo tranquilo na etapa anterior, chegou o momento de voar mais longe. Então, comece a explorar o mundo por lugares onde você não terá problemas para se comunicar. Acredite: entender os anúncios de metrô e a conversa das pessoas ao redor ajuda a controlar o medo de estar só no exterior pela primeira vez.

Isso não significa que é preciso falar inglês ou espanhol. Mesmo quem não sabe outro idioma pode encontrar destinos onde a língua não será um total enigma, afinal o português é falado – com pequenas variações – em Portugal, em países do continente africano e até regiões da Ásia. Além disso, o portunhol também abre as portas para aventuras na América Latina e na própria Europa. Pesquise e garanta logo o primeiro carimbo desse passaporte.

  1. Escolha bem a hospedagem

Não reserve um hotel apenas porque é o mais barato. Confira localização, acesso a transporte público na região, segurança do bairro e procure resenhas de quem já se hospedou no estabelecimento. É melhor prevenir do que remediar, certo?

Para ajudar na tarefa, existe um site chamado TripAdvisor que reúne avaliações do mundo todo, inclusive com fotos reais dos quartos para te alertar de propagandas enganosas. A própria ferramenta de busca do Google também traz resenhas de clientes, além de permitir consultar o mapa para ver se o endereço não fica longe de todas as atrações da cidade.

Outro ponto importante é escolher um tipo de hospedagem em que você se sentirá confortável. Não precisa compartilhar um quarto com desconhecidos num hostel ou dividir apartamento com um estranho pelo AirBNB logo na primeira viagem, só porque todo mundo indicou para economizar. Já vai ter muita novidade para processar.  Vá com calma!

  1. Planeje seu roteiro

Não precisa sair do Brasil com cada minuto da viagem planejado, mas é legal fazer a lista com os lugares que não podem ficar fora do roteiro. Com essas ideias na mão, dá até para bolar um rascunho de itinerário juntando as atrações que ficam na mesma região e aproveitar melhor o tempo.

Ao fazer o seu mapa, você ainda pode planejar como será o deslocamento e se organizar para fazer passeios a pé ou utilizando o transporte público local. A propósito, sempre dou preferência a cidades com redes eficientes de transporte público para ter mais autonomia na locomoção e evitar a necessidade de andar sozinha de taxi/uber com um motorista desconhecido.

  1. Faça um seguro viagem

Imprevistos acontecem e – como o nome já diz – não tem como adivinhar quando eles vão aparecer. Um mal-estar ou problema de saúde pode virar uma complicação enorme para quem está em outro país sem nenhum amigo ou familiar para socorrer, pois nem todo lugar tem atendimento médico gratuito como o Brasil.

Por isso, contrate um seguro viagem para contar com assistência e um contato para recorrer caso alguma coisa dê errado. A gente sempre torce para não usar, mas se precisar é bom saber que está à disposição.

Dependendo do serviço contratado, o viajante pode ter suporte (e reembolso!) até mesmo para resolver complicações por atraso em voos ou perda de bagagem. Algumas apólices cobrem  inclusive as despesas de viagem para um familiar te encontrar no destino, caso você fique doente. Então, leia as letras miúdas com atenção antes de assinar o contrato e diminua as chances de dor de cabeça.

Primeira viagem internacional: tire o projeto do papel

A primeira vez que a ideia de conhecer o mundo acendeu uma faísca na minha mente, eu ainda nem estava com o diploma de jornalista na mão. Ali, recém-saída da adolescência, andava  com a cabeça deslumbrada pelos cenários dos meus filmes e seriados favoritos… E nenhum deles era em solo tupiniquim!

Cresci na época que cinema nacional era mato e sequer existia essa moda de séries brasileiras. Então, retratos do Central Park em Nova York, do Big Ben em Londres, da Torre Eiffel em Paris e de tantos outros cantos famosos do globo imperavam no imaginário da garota aqui. Porém, eu nunca achei que esses lugares seriam mais do que paisagens conhecidas por fotografias.

Tudo parecia fora do alcance para quem não era de uma família com dinheiro sobrando e ainda morava bem no interior de Minas Gerais, longe das mil possibilidades que grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro podem oferecer.

Em meio a esses pensamentos, veio a correria da faculdade, depois o estresse para concluir o curso,  logo substituído pelo desespero de ser lançada sem experiência no mercado de trabalho e a pressão para conseguir o primeiro emprego. Muitas cinzas abafaram aquela faísca adolescente,  mas a brasa continuou viva lá embaixo… Até que um dia, há três anos, parece que jogaram gasolina e o braseiro voltou a pegar fogo.

Sendo bem sincera, o combustível foi a chegada dos trinta e poucos anos. Entrar nessa nova etapa da vida sem cumprir o roteiro básico de marido e filhos não era exatamente o que havia planejado, mas não dependia apenas de mim para mudar essa realidade, né? Afinal, qualquer relacionamento exige uma segunda parte interessada na gente kkkk

Por outro lado, organizar a tão sonhada viagem internacional era um projeto que precisava apenas do meu esforço. Foi assim o pontapé para tirar o passaporte e começar a pesquisa sobre o roteiro, preço das passagens, hospedagem e dinheiro para levar.

Coloquei tudo no papel em 2015, fiz as contas de acordo com meu orçamento e me preparei para embarcar só dois anos depois na primeira aventura fora do país. Sem pressa, de acordo com o meu ritmo e minhas condições financeiras.

É claro que dinheiro não foi o único desafio ao longo do caminho. A falta de companhia e o medo de estar sozinha quase me fizeram desistir. Até chamei amigos para ir junto e mostrei que o investimento não era impossível, mas ninguém aceitou o convite. Cada um estava ocupado com as próprias batalhas. O jeito então foi me contentar em estar comigo mesma.

Os milhares de planos rascunhados na cabeça se transformaram em fato real assim que comprei as passagens aéreas com destino a Inglaterra. Quase 30 dias sozinha em outro país (bem ousada, né!).

O bilhete sem cancelamento grátis eliminou a possibilidade de voltar atrás e, a partir do clique para confirmar, o restante foi acontecendo: defini quais cidades fariam parte do roteiro, reservei hotéis, consultei mapas, comprei os bilhetes de trem, garanti o ingresso para o teatro e atrações turísticas… De repente, já era hora de fazer as malas e seguir rumo ao aeroporto.

Enquanto eu conferia pela trigésima vez os documentos, o dinheiro e checava se nada estava faltando, um turbilhão de perguntas agitava os pensamentos: será que meu inglês estava bom? O que eu faço se me barrarem na imigração? Que ideia maluca foi essa de me enfiar sozinha em outro continente?

As dúvidas sumiram assim que eu me vi cruzando o rio Tâmisa pela primeira vez. Sabe aquele mico de chorar no busão? Eu paguei, mas nem fiquei com vergonha porque eu tinha acabado de perceber como era possível realizar o sonho de conhecer novos lugares mundo afora, mesmo para nós, pobres mortais, que tem alguns poucos reais na conta bancária. Basta planejamento, paciência e dar o primeiro passo para colocar o projeto em execução.

Hoje faz exatamente um ano do início dessa aventura. Para comemorar a data, vou trazer nos próximos posts bastante conteúdo para ajudar quem se encontra com as mesmas perguntas e dúvidas que eu tive. Então, fique ligado que vai ter guia com o passo a passo para organizar a primeira viagem internacional sozinha, dicas para driblar o dólar caro e até estratégias para montar roteiros de viagem personalizados.