O mapa para Nárnia em um passeio com CS Lewis

Para a jornalista viajante que está sempre atrás de lugares novos para conhecer, o maior sonho era achar uma passagem para Nárnia. Demorei, mas finalmente encontrei o famoso guarda-roupa que dá entrada ao reino fantástico criado pelo escritor CS Lewis e claro que vou compartilhar o caminho aqui no blog, fechando a primeira série de posts sobre viagens inspiradas por livros no Reino Unido.

O roteiro literário começa justamente na terra onde Lewis nasceu: a Irlanda do Norte, país que faz parte do Reino Unido junto com a Escócia e a Inglaterra. A história do escritor teve início em 1898 na cidade de Belfast. É possível ir até os endereços onde ele viveu na infância com a família, apenas para conferir por fora a placa azul que registra a trajetória do autor pela capital irlandesa.  Nas redondezas, ainda estão a igreja onde o autor foi batizado e uma das escolas (Campbell College) que frequentou, onde curiosamente existe um charmoso poste de luz com ares narnianos.

O grande presente para os fãs de Nárnia, entretanto, está em uma construção recente na região: a CS Lewis Square. O espaço ao ar livre foi inaugurado em novembro de 2016 e nos permite sentir como as crianças ao descobrir os arredores do reino mágico.

Além de uma estátua do escritor a bisbilhotar o interior do cobiçado guarda-roupa, a praça reúne esculturas dos principais personagens da história, inclusive o próprio Aslam, os castores e o fauno senhor Tumnus. Se a sua visita for no inverno, a neve pode tornar o cenário ainda mais fantástico para se sentir dentro do livro O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa! #ficaadica

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Mas a homenagem à obra de CS Lewis não se limita à nova praça. O escritor também vem sendo homenageado em diversos murais espalhados pelas ruas residenciais de Belfast. Os muros pintados são uma marca da cidade e recontavam parte da história da capital irlandesa, que por anos foi assolada por um intenso conflito armado entre católicos e protestantes.

Desde o cessar fogo, as pinturas paramilitares vêm sendo substituídas por imagens da cultura do país e retratos de Nárnia já são vistos na vizinhança. Então, vale a pena incluir no passeio uma passagem por Dee Street, Pansy Street e Convention Court para conferir alguns desses exemplares.

A rota inspirada em CS Lewis ainda pode te levar a uma viagem pela costa litorânea da Irlanda do Norte para visitar dois lugares que fizeram parte da infância do escritor. Um dos destinos fica ao sul de Belfast, na vila de Kilbroney. E não é suposição: o próprio autor revelou ao irmão que a floresta que contorna a pequena cidade era como imaginava a paisagem de Nárnia. Com essa dica, uma trilha foi criada no parque para dar vida ao mundo mágico. Você pode atravessar a porta do guarda-roupa, encontrar o lampião no caminho e ainda visitar a casa dos castores.

Já um passeio ao norte de Belfast chega a Cair Paravel, quer dizer, as ruínas de Dunluce Castle à beira-mar. Lewis costumava passar as férias na região. Por isso, dizem que o local alimentou as ideias para a criação do palácio narniano anos mais tarde.  Confesso que a vista é realmente igual ao cenário utilizado nos filmes da saga.

Depois de curtir o cenário irlandês, os passos de CS Lewis levam para uma das cidades mais conhecidas da Inglaterra: Oxford. O roteiro pode incluir desde a faculdade (Magdalen College) onde o escritor lecionou até o pub (Eagle and Child) onde costumava se reunir com Tolkien e outros amigos escritores para discutir literatura.

No caminho, vale procurar por uma porta especial na rua Catte Street. Com esculturas de fauno nos umbrais, a porta de madeira maciça tem a figura de um leão esculpida no centro e foi intitulada de “Narnia Door” (porta de Nárnia), pois dizem que a imagem serviu de inspiração para o guarda-roupa mágico. Não é difícil acreditar nessa teoria porque CS Lewis passava pelo local com frequência rumo à faculdade e, curiosamente, também tem um lampião bem familiar a poucos metros da porta.

Ainda na região de Oxford, outra parada interessante é The Kilns, a casa onde o autor escreveu todos os livros sobre Nárnia. A propriedade fica na zona rural e está aberta a visitação, basta agendar o tour (link em inglês). O cenário tranquilo da casa de campo serviu como pano de fundo para a história das crianças que foram evacuadas de Londres por causa da guerra.

Nos arredores da casa, uma esticadinha até a igreja Holy Trinity permitirá conhecer a congregação da qual CS Lewis se tornou membro após a conversão ao cristianismo e onde foi enterrado junto com a esposa Joy. O ponto mais emocionante da visita, entretanto, é uma das janelas. Anota essa dica e preste atenção para encontrar os vitrais com a figura de Aslam e do castelo Cair Paravel, que foram colocados justamente no lado da igreja em que o escritor costumava se sentar durante os cultos de domingo.

A jornada poderia até terminar em Oxford, mas quem chegou até aqui não resistiria a dar um pulinho em Londres, né?! Por mais que a biografia de Lewis não tenha tantos acontecimentos na capital da Inglaterra, um dos pontos turísticos mais famosos da terra da rainha, a Abadia de Westminster, reserva uma homenagem especial ao criador do reino de Nárnia e seu testemunho de fé hoje está gravado em meio à arquitetura grandiosa da catedral. Eu não resisti às lágrimas quando encontrei o memorial no canto dos poetas e voltaria só para ver de novo.

A rota do morro dos ventos uivantes com Emily Brontë

Quando fui fisgada pelas páginas do clássico “O Morro dos Ventos Uivantes” nem sequer imaginava que os cenários dramáticos da história de Catherine e Heathcliff existiam na vida real, mas ao começar a pesquisar lugares interessantes na Inglaterra não demorou muito para encontrar a bucólica cidade de Haworth, conhecida como o lar da autora Emily Brontë e das suas duas irmãs, Charlotte e Anna, também escritoras.

Por isso, o destino não poderia faltar na primeira série de posts sobre os meus roteiros de viagem inspirados em livros. As paisagens da região são tão marcantes na obra que o local é conhecido como “Bronte Country” e você pode conhecer tanto as colinas pantanosas que inspiraram a criação do morro dos ventos uivantes quanto a casa onde foi escrito um dos maiores romances da literatura mundial. A história de paixão, vingança e desespero é o único romance escrito por Emily.

Chegar a Haworth por conta própria não é uma tarefa tão fácil e a gente se sente como o visitante que se aventura pelo território descampado da propriedade de Heathcliff. Se conseguir organizar o roteiro, você pode se encaixar em tours regulares que saem de York semanalmente e levam grupos para conhecer as principais atrações em Bronte Country. Já para quem não está com a agenda flexível, alugar um carro e se arriscar na mão inglesa pode ser uma opção simples – em teoria!

Agora se faltar coragem para a roadtrip, o jeito será recorrer a conexões de trem e ônibus. A malha ferroviária da Inglaterra te levará sem complicação a cidades próximas como Bradford, Keighley e Leeds, de onde é possível pegar o bus para desembarcar em Haworth.

Uma vez no destino final, a primeira parada é justamente na casa ondem viveram as três irmãs escritoras e onde hoje funciona o museu dedicado à memória das Brontë. Ali, na sala de estar, os membros da família se reuniam e as irmãs concretizaram seus romances, circulando pela mesa inúmeras vezes e lendo trechos em voz alta uma para as outras.

A uma curta distância, os curiosos podem ver a estátua do trio Brontë e depois visitar a igreja de St Michael’s, onde o pai das escritoras foi pastor e hoje estão os túmulos da própria Emily Brontë e da irmã Charlotte, autora de Jane Eyre.

Mas a verdadeira experiência na mente da autora começa quase ao lado da igreja, por uma trilha que leva às colinas desoladas por onde a imaginação de Emily Brontë correu solta durante a juventude para contar a história trágica do morro dos ventos uivantes.

O caminho é todo sinalizado por placas para quem quiser desbravar os campos pantanosos do Norte da Inglaterra, inclusive com instruções em japonês por causa do grande número de fãs nipônicos. A região é bem tranquila e muitas mulheres fazem o percurso sozinhas para apreciar a melancolia do cenário que é quase um dos personagens da história de Brontë.

A rota inspirada no livro te levará para fora de Haworth até a pitoresca cachoeira Brontë Falls, onde há uma pedra intitulada de Brontë Chair. A queda d’água não tem nada de espetacular, mas dizem que as irmãs escritoras costumavam se revezar para sentar na pedra enquanto absorviam a paisagem e escreviam suas primeiras histórias.

A caminhada segue depois morro acima para uma casa de campo em ruínas chamada Top Withens, que supostamente foi o lugar que atiçou os pensamentos da autora e serviu de modelo para compor a residência dos Earnshaw ao longo das páginas do romance. O local foi destruído por um raio anos depois em 1893, mas passar um tempo naquele cantinho solitário faz a gente se sentir na fazenda onde a história se desenrola.

Seguindo pelos charcos britânicos, o roteiro literário chega até Ponden Hall, outra propriedade que parece ter sido retratada no romance de Emily Brontë. O local é considerado a inspiração para criar o ambiente da luxuosa mansão da família Linden, Thrushcross Grange, onde Catherine mora depois de se casar com Edgar.

O imóvel foi preservado e hoje funciona como um hotel temático, onde cada quarto leva o nome de um dos personagens principais do livro. Depois de quase 13 quilômetros de peregrinação, o dia de aventura pode terminar na pousada ou encarando o trajeto de volta até Haworth para curtir o fim de dia charmoso na vila.

Aventure-se com Jane Austen em um roteiro pelo interior da Inglaterra

Autora de livros que continuam encantando gerações há dois séculos, Jane Austen se consagrou entre os maiores nomes da literatura britânica. As mulheres fortes dos seus romances de época se destacam ainda hoje e até inspiraram uma novela brasileira (recheada de esdrúxulas adaptações), além de inúmeros filmes e séries de televisão.

Apesar de Londres estar sempre presente na obra de Austen, as histórias geralmente mostram outro lado da Inglaterra: o campo. O enredo leva os personagens por cidades peculiares do interior do país e se esbalda nos contrastes da sociedade britânica para conquistar os leitores curiosos. (Veja aqui mais viagens pelo Reino Unido inspiradas em livros)

Alguns cenários são meramente fictícios como o vilarejo Meryton de Elizabeth Bennet em Orgulho e Preconceito, mas outros lugares relatados nas páginas dos livros são endereço do mundo real e podem ser desbravados por quem topar uma aventura pelo interior da Inglaterra. Então, confira um roteiro com as quatro principais cidades que marcaram a vida e a obra de Jane Austen:

Bath

Para caminhar pelas ruas dos romances de Austen, a rota principal começa pela cidade de Bath, cenário para as histórias de Abadia de Northanger e Persuasão. A visita é como um passeio no tempo, de volta ao século XVIII, já que várias construções mantem o visual clássico do passado.

Nas andanças pela cidade das termas romanas, a primeira parada pode ser o pequeno museu dedicado à escritora. Além de várias curiosidades sobre o tempo em que Jane Austen viveu em Bath, o acervo traz informações sobre as relações sociais, os costumes e o entretenimento no início do século XIX. Dá até para experimentar os trajes de época para garantir uma bela foto de viagem.

Não bastasse isso, você ainda será recepcionado no Jane Austen Centre por guias devidamente caracterizados e tem a oportunidade de desfrutar um chá da tarde como Jane Austen e suas heroínas no salão de chá Regency. Dizem inclusive que o próprio Mr. Darcy passa por ali para cumprimentar as visitantes.

Se a sua viagem for em setembro, você ainda terá a chance de participar do Festival de Jane Austen, que transforma Bath em palco para uma série de eventos teatrais e gastronômicos. Junto com a programação cultural, a atração são as pessoas desfilando em vestidos clássicos dos períodos de Regência e os bailes de máscaras. #ficaadica

Mas o roteiro em Bath vai além do museu e do festival. Com um mapa na mão, você pode traçar seu caminho aos Assembly Rooms, onde aconteciam os bailes que movimentavam a vida social da própria escritora e de suas personagens, e à região do The Royal Crescent, uma rua espetacular com várias casas georgianas dispostas em formato de meia-lua.

De Royal Crescent, é possível refazer os passos dos protagonistas de Persuasão até a Queen Square e a praça The Circus, um dos conjuntos arquitetônicos mais bonitos do Reino Unido. Ou ainda esticar até o jardim da Igreja St. Swithin’s para ver a lápide do pai da escritora, George Austen.

Para fechar o roteiro em Bath, não poderia faltar uma passado no Pump Room, onde as pessoas costumavam se reunir nos dias de Jane Austen para  serem vistas e saberem as últimas fofocas da alta sociedade. O local hoje funciona como restaurante, mas parece ter sido frequentado até pelo irmão da autora, Henry, interessado nas águas termais terapêuticas. O passeio pelas termas romanas ao lado também vale um espaço na agenda durante a visita.

Apesar da família Austen ter morado em vários endereços pela cidade, nenhuma das casas é aberta à visitação. Hoje os turistas podem apenas contemplar a fachada das residências e, de todas, a mais interessante em Bath seria a número 4 da rua Sidney Place, onde foi colocada uma placa para relembrar o período em que o local fez parte da história da escritora.

Chawton

Quem quiser estar debaixo do teto onde Austen morou pode se deslocar até o vilarejo de Chawton. Na casa simples, ela viveu os últimos oito anos e e escreveu outros quatro livros antes de morrer em 1817. Hoje o espaço virou um museu público, que proporciona um olhar mais detalhado sobre a vida e a carreira literária da escritora britânica.

Em cada quarto, é possível se emocionar com fatos da história pessoal de Austen que foram transferidos para a biografia de suas fortes personagens, ver a mesa onde vários livros foram escritos à pena e ainda se aprofundar mais na mente de uma mulher que até hoje é aclamada por seu trabalho.

Seguindo a indicação da equipe do museu, você ainda pode se aventurar pelos jardins como era o hobby da autora e caminhar até a casa do irmão dela, transformada em biblioteca. O local abriga inclusive um centro de pesquisa e aprendizagem para o estudo das escrituras femininas iniciais de 1600 a 1830.

Lyme Regis

Outra pequena cidade que talvez mereça a atenção dos fãs mais apaixonados é Lyme Regis. Jane Austen teria visitado pelo menos duas vezes a exótica cidade litorânea na costa sul da Inglaterra e chegou a relatar suas agradáveis caminhadas à beira-mar em cartas para a irmã Cassandra.

As experiências por lá são notadas em Persuasão – provavelmente a mais autobiográfica das obras de Austen. A companhia Literary Lyme realiza caminhadas temáticas na cidade o ano todo para quem quiser conhecer o calçadão ao longo da enseada de Cobb, ver os degraus do famoso muro dos quais a protagonista Louisa Musgrove teria caído e sentir a mesma brisa revigorante do mar que a escritora apreciava.

Winchester

Seguindo os passos de Jane Austen, a jornada pelo interior da Inglaterra terminaria em Winchester, cidade que por algum tempo foi considerada o ponto de encontro do rei Arthur e os cavalheiros da Távola Redonda.

Mitos à parte, Winchester foi o lugar onde Austen passou as últimas semanas de vida. A escritora sofreu com uma doença ainda não identificada e a causa da morte é um mistério até hoje, mas a esperança de cura fez com que ela deixasse o vilarejo de Chawton para buscar um tratamento médico melhor.

Apesar dos esforços, a escritora morreu pouco tempo depois em uma casa alugada perto da Universidade Winchester e foi enterrada na catedral da cidade. A residência dos últimos dias de vida de Austen não está aberta a visitação, mas a histórica está contada na pequena placa azul colocada na fachada (8, College Street).

Já na igreja, os visitantes podem contemplar o túmulo da escritora na ala norte e também outros dois memoriais em homenagem aos seus livros. A visita fica ainda mais mágica no horário do ensaio do coral, quando as vozes repercutem na acústica da catedral.

 

Uma viagem pela Inglaterra de Harry Potter

Não lembro exatamente quando o hábito da leitura me conquistou. Só sei que meu relacionamento com os livros começou cedo e permanecemos firmes até hoje. Confesso, porém, que não me interessei pelos clássicos no início. Os enredos juvenis da saudosa Coleção Vagalume me atraíram para as bibliotecas a princípio e depois é que fui tentada a me aventurar por narrativas mais complexas, aclamadas por gente grande.

Justamente por isso resolvi começar a série de posts sobre os roteiros literários com uma escritora novata e desbravar a Inglaterra que inspirou JK Rowling na criação do mundo mágico de Harry Potter. É fato que a obra gera controvérsia. Enquanto a trama encanta os fãs devotos do bruxinho, os leitores mais críticos olham para a história infanto-juvenil até com um pouco de desprezo.

Apesar disso, não há dúvidas que a autora conseguiu trazer a atenção de toda uma nova geração, viciada em telas vibrantes de celulares e computadores, novamente para as silenciosas páginas amareladas de um bom livro. Hoje, nos grupos de leitura, é comum até encontrar depoimentos de jovens que declaram em caixa alta que devem à escritora britânica o gosto cultivado pelo universo literário.

Por causa dessa contribuição, o trabalho de Rowling foi celebrado pela British Library no ano em que o primeiro livro completou 20 anos de lançamento. A data foi marcada pela exposição ‘Harry Potter: Uma História de Magia’, que destrinchou o embasamento teórico por trás da inspiração da escritora.

Nascida em Yate, na Inglaterra, Rowling teve a ideia de escrever a série Harry Potter enquanto estava num trem indo de Manchester para Londres, em 1990. Em um período de sete anos, Rowling vivenciou a morte da mãe, o nascimento da primeira filha, divórcio e uma crise financeira pessoal até finalizar o primeiro dos livros da saga, Harry Potter e a Pedra Filosofal, em 1997.

Antes mesmo de botar os pés em Hogwarts, o encontro entre o protagonista e a magia acontece bem no meio da capital britânica, no zoológico de Londres. O momento inclusive  está estampado na parede da ala dos repteis, onde Harry lançou – sem nem saber – um dos primeiros feitiços contra o primo Duda. O local foi utilizado na gravação do filme de estreia, mas hoje o tanque das cobras está vazio para ser preservado para posteridade (Sim, os ingleses levam a sério a criação de JK Rowling).

Depois de descobrir que não era um trouxa, Harry dá o próximo passo da aventura e embarca para Hogwarts na plataforma 9 e ¾ da estação Kings Cross, uma das mais antigas do metrô de Londres. A arquitetura da estação ferroviária já é de encher os olhos e o local ainda reserva aos fãs a oportunidade de empurrar também o seu carrinho para atravessar a parede rumo ao trem que leva à escola de magia. Há inclusive fotógrafos de prontidão para registrar o momento épico e até oferecem acessórios como o cachecol na cor da sua casa preferida (Grifinoria rules!) para você sair bem no retrato.

De King’s Cross, ainda há a possibilidade de esticar até os estúdios da Warner Bros na Inglaterra e pular dos livros para os cenários onde a história ganhou vida nos cinemas. Não é um parque com várias opções de atividades interativas, mas você vai poder tirar fotos incríveis dentro da casa dos Dudley na Rua dos Alfeneiros, bisbilhotar a sala de Dumbledore e perambular pelo Beco Diagonal olhando as vitrines das lojas. Vale a pena!

A uma curta viagem de Londres, há também cidades como Oxford, Gloucester e Lacock que foram utilizadas como set de filmagem para a saga. A visita é uma ótima oportunidade não só para desvendar um pouco mais do mundo mágico, mas também para conhecer lugares que retratam o charmoso visual do passado da Inglaterra. #ficaadica

Outros lugares tem ligação não tão óbvia com a história do bruxinho. Na minha visita a Londres, eu fiz um passeio a pé que levou até alguns pontos do setor financeiro. O guia, vestido com um cachecol nas cores de Grifinória, explicou que o banco da Inglaterra  pode ter sido o prédio que inspirou a arquitetura de Gringotes.

Para comprovar a teoria, o especialista potteriano cita a própria descrição usada por Rowling no primeiro livro, que apresenta Gringotes como um edifício imponente muito branco e com degraus de pedra branca na fachada. Exatamente o que vemos ao observar a arquitetura do banco da Inglaterra.

Do Gringotes na vida real, seguimos para o Mercado Leadenhall. A entrada foi por uma ruela estreita, como aquelas que vemos nos filmes que retratam o passado de Londres. O mercado é justamente uma coleção dessas vielas apertadas e fica numa das regiões mais antigas da cidade, onde inclusive encontramos um pub que abriu as portas em 1792. Esse cenário pitoresco é considerado uma das inspirações de Rowling para o visual do Beco Diagonal e do próprio Caldeirão Furado, segundo o guia.

Mas não existe um consenso sobre a fonte de inspiração do beco mágico. Já li alguns sites que apontam as ruazinhas Goodwin’s Court e Cecil Court, no entorno de Charing Cross e da Trafalgar Square, como o lugar que aguçou a imaginação da escritora. Seja verdade ou não, são cantinhos charmosos da capital inglesa e não custa incluir uma parada no roteiro.

Há também quem defenda que o verdadeiro Beco Diagonal estaria fora de Londres, no norte da Inglaterra. Mais conhecida por ser a cidade Viking do Reino Unido, a pequena York recebe milhares de pottermaníacos que querem botar os pés em Shambles, a rua mais antiga da cidade e hoje consagrada pela semelhança com o lugarejo mágico.

Não é difícil acreditar que a autora foi contagiada por esse pedacinho medieval de York para desenvolver o cenário da principal rua comercial do mundo potteriano. Afinal, JK Rowling morava em Edimburgo quando escreveu o primeiro livro da saga e as duas cidades ficam a apenas 2 horas de distância de trem.

Além disso, a ligação entre York e o Beco Diagonal ficou ainda mais forte porque os produtores do filme foram até a cidade viking para estudar o visual de Shambles e desenhar o projeto para a construção dos sets de filmagem de Harry Potter.

De todos os becos visitados, eu também aposto na estreita viela de York como a inspiração da escritora. Não só pelo calçamento rústico de paralelepípedos e as construções caricatas do século XIV em ambos os lados do caminho, mas pela atmosfera acolhedora das lojinhas onde você encontra de tudo e sempre é atendido com simpatia pelos vendedores. Me senti como o próprio Harry, encantado na primeira visita ao Beco Diagonal.

Subindo um pouco mais no mapa, a capital da Escócia, Edimburgo, é uma parada interessante para quem quiser sentar no lugar onde grande parte das páginas sobre a vida do mago foram escritas: o Elephant House Cafe. Por fora, não tem nada de referência a Harry Potter, mas recomendo uma visitinha ao toalete. Calma, não é uma dica de mau gosto ou uma crítica aos pratos da casa.

É que as paredes do banheiro foram tomadas por mensagens e feitiços de fãs de todo o mundo. Já pintaram várias vezes para tentar apagar os rabiscos, mas no dia seguinte sempre havia novos recadinhos. Então, a equipe desistiu e se rendeu ao “memorial”. A homenagem curiosa até virou notícia no Daily Mail, um dos maiores jornais do Reino Unido.

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Outras referências usadas por JK Rowling estão escondidas entre os túmulos o Cemitério Greyfriars. A escritora tomou emprestados os nomes dos finados para vários personagens da saga. Entre as lápides você encontra o próprio Tom Riddle, mais conhecido como Voldemort, e o professor Severo Snape. O cemitério escocês parece também ter inspirado o ambiente fantasmagórico do retorno do Lorde das Trevas após o torneio Tribruxo.

Se bater o medo de desbravar o local sozinho, fique tranquilo porque não faltam opções de passeios a pé por Edimburgo para quem quiser conferir as curiosas ligações da capital da Escócia e o mundo de Harry Potter. Para os caçadores de referências, a cidade também é o ponto de partida de inúmeras excursões para conhecer mais paisagens do norte da Inglaterra ou das Highlands escocesas que inspiraram a história nos livros e nas telas de cinema.

Anote as dicas e vá mais longe!

1 – Quer conhecer o castelo que foi usado para as filmagens externas de Hogwarts e aprender a voar na vassoura? Siga de Edimburgo para o castelo Alnwick em Nothumberland.

2 – Deseja se sentir a caminho da escola de magia, embarque em um passeio para o viaduto de Glenfinnan e depois suba no trem a vapor Jacobite para desbravar de trem as paisagens rurais da Escócia.

3 – Para experimentar o que é estar nos corredores de Hogwarts com Harry, Ron e Hermione, faça um bate-volta até Durham e visita a catedral que serviu de cenário para as áreas externas da escola.

Das páginas dos livros para os roteiros de viagem

Outubro será uma oportunidade para unir duas grandes paixões: literatura e viagens! Como o calendário traz datas reservadas no mês para comemorar o Dia Nacional da Leitura e o Dia Nacional do Livro, nada mais justo que criar uma série de posts e começar a falar sobre os meus roteiros literários favoritos.  Para marcar a estreia desse tema aqui no blog, escolhi o Reino Unido como o primeiro destino da nossa aventura.

A Terra da Rainha tem um lugarzinho especial no meu coração, pois foi a minha primeira viagem internacional e fiquei encantada com a cortesia do povo britânico e a dedicação para manter cada pedaço da história vivo. O cuidado pode ser visto não só nas antigas construções bem preservadas, mas também no interesse em eternizar a produção artística nacional.

Na minha visita, observei um país que celebra os seus escritores e tem orgulho em contar tanto sobre as obras quanto sobre a trajetória dos autores, sejam artistas renomados do passado ou recém-descobertos.

É possível encontrar museus que reúnem material sobre os contadores de histórias e incontáveis passeios turísticos que recriam os passos deles e dos personagens mais famosos. Isso sem contar que as próprias paisagens da Inglaterra serviram de inspiração para os livros e são pontos turísticos sensacionais para conhecermos como turistas que somos.

Vários roteiros de viagem inspirados em livros podem ser feitos na Inglaterra
Com diversos sucessos literários, a Inglaterra oferece muitas opções de roteiros de viagem inspirados em livros

A lista de escritores britânicos vai longe. Se considerarmos apenas a prosa, temos nomes como Tolkien, C.S Lewis, Jane Austen, Charles Dickens, JK Rolling, William Shakespeare, Artur Conan Doyle, Agatha Christie, Oscar Wilde, Lewis Caroll, Emily Brontë, Mary Shelleye e muitos mais. Alguns criaram histórias que tem mais de 200 anos e continuam como livro de cabeceira para leitores experientes e iniciantes.

Na primeira série sobre as viagens inspiradas na literatura, convido você para passear comigo ao longo das próximas semanas para conhecer um pouco da Inglaterra de Emily Brontë, C.S Lewis, Jane Austen e JK Rowling, mergulhando pelos cenários de livros que marcaram a jornalista que vos fala.

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