Águas Calientes: parada estratégica antes de Machu Picchu

Machu Picchu é impressionante e não pode faltar no roteiro de primeira viagem ao Peru, mas preciso dizer uma coisa que poucas pessoas lembram de avisar: o passeio pela cidadela inca demanda um certo grau de esforço físico.

Só para chegar ao local de observação onde são clicadas as fotos mais populares nas redes sociais já será necessário encarar uma baita subida e o sítio arqueológico tem muito mais a oferecer a quem estiver com disposição para movimentar o corpo. Então, estar descansado é fundamental para aproveitar o máximo da visita ao lugar.

Justamente por isso, Águas Calientes ocupa uma posição estratégica no roteiro básico de viagem ao Peru. O vilarejo com pouco mais de 6.000 moradores fica localizado aos pés da montanha onde as ruínas repousam, ou seja, é a parada ideal para quem precisa de uma boa noite de sono antes de encarar os altos e baixos no interior de Machu Picchu, com incontáveis degraus adaptados para a estatura dos incas – cuja a fama é que eram bem maiores do que nós.

Sendo sincera, além da parada para descanso, Águas Calientes não tem outros grandes atrativos. O vilarejo possui apenas fontes de banhos termais (entrada: 10 soles) para oferecer aos turistas, o que pode ser uma boa pedida para quem gastou energia o dia todo em trilhas por Machu Picchu. No entanto, eu preferi mesmo foi de vagar pelas ruas pequenas do povoado no tempo livre,  observar os moradores locais e admirar as imponentes montanhas ao redor.

Como chegar em Águas Calientes

Não há rodovias que ligam diretamente Águas Calientes a Cusco e Ollantaytambo. O meio de transporte mais prático é o trem, que deixa os visitantes na estação dentro do povoado. O único problema da ferrovia é o preço. O percurso ida e volta custa a partir de 150 dólares.

A alternativa para quem quiser economizar pode ser o caminho da hidrelétrica, que custa em torno de 30 dólares. O trajeto combina transporte de van e uma caminhada até Águas Calientes.  Entretanto, leve em consideração que a viagem de van dura em torno de 6 horas até a hidrelétrica e depois mais quase duas horas a pé para chegar ao vilarejo.

Águas Calientes: Hotéis perto de Machu Picchu

Com o fluxo intenso de turistas para conhecer Machu Picchu, muitas opções de hospedagem se disseminaram pelas ruelas de Águas Calientes. Há desde aluguel de quartos em casas de família até grandes hotéis de luxo para atender a todos os orçamentos de viagem.

Águas Calientes é cortada por um riacho e se divide em duas partes: o lado da estação com o mercado de artesanato e o lado da avenida principal Hermanos Ayar – de onde saem os micro-ônibus que levam até Machu Pícchu.  Na minha passagem pelo vilarejo, optei por ficar perto da avenida, tanto pela proximidade do ponto de ônibus quanto por ser uma área mais movimentada durante a noite – estava viajando sozinha e me senti mais segura.

Entre as diversas alternativas próximas à avenida Hermanos Ayar, minha escolha foi o Mantu Boutique Hotel e super recomendo. A estrutura é novinha, a cama muito confortável, banheiro moderno e tudo estava perfeitamente limpo.

O preço não é tão caro. A diária sai por volta de R$ 250, com café da manhã incluso. Se você sair de madrugada como eu para pegar os primeiros horários de ônibus para Machu Picchu, a equipe prepara uma marmita com lanche para você. A única ponderação que faço é para quem tiver problemas de locomoção, pois o hotel não tem elevador.

Quem procura opções mais baratas e com boa estrutura na região pode conferir: Angie’s Inn, El TamboHostal Urpi, Margarita’s House e Varayoc Bed & Breakfast. As diárias giram em torno de R$ 150.

Os interessados em hotéis cinco estrelas também tem como opções: Casa del Sol, Inti Punku Hotel & Suites, Hatun Boutique Machu Picchu, Tierra Viva Machu Picchu e o ultrarenomado (e mega caro!) Sumaq Hotel.  O preço das diárias varia de R$ 300 a mais de R$ 1300.

Onde comer em Águas Calientes

Por causa da enxurrada de turistas, encontrar alimentação boa e barata pode  ser um desafio no vilarejo. Para fugir de armadilhas, recomendo sempre olhar antes o cardápio que fica disponível do lado de fora e perguntar sobre taxas adicionais de serviço.

Faço um alerta para os restaurantes da avenida Imperio de Los Incas (perto da estação de ônibus e do letreiro de Machu Picchu Pueblo). Deixei quase um rim (mais de 30 soles) para pagar um almoço sem nada demais e uma garrafinha de inca cola.

Uma dica de preços melhores são os restaurantes chifas, que misturam a culinária oriental e peruana. Tem algumas coisas exóticas no cardápio, mas, em geral, será possível encontrar pratos simples como frango na chapa com batata frita (pollo a la plancha, con papas fritas).

Eu experimentei o Yakumama (103, Antisuyo), onde tem menu econômico com entrada e prato principal a partir de 15 soles. Com o meu copo de chica morada (adoro!), a conta saiu por menos de 20 so-les na época e a comi-da estava gostosa.

O Yakumama fica numa pequena tra-vessa que dá acesso à praça principal e on-de tem vários restau-rantes e cafés com valores interessantes. São diversos estilos e tem até espetinhos para quem estiver com saudade de um churrasquinho.

Além disso, tem muitos mercadinhos e pequenas padarias espalhadas pela avenida principal e também nas pequenas ruas de Águas Calientes que podem suprir com lanchinhos para enganar o estômago.

Gisele Barcelos

Jornalista por profissão e planejadora compulsiva de viagens. A mesma dedicação que tenho para conseguir um furo de reportagem, também uso para pesquisar sobre novos destinos e roteiros. Amo compartilhar dicas para ajudar quem sonha começar uma aventura, mas não tem ideia de como planejar. Estou sempre em busca do próximo embarque, com uma mala tamanho P e uma playlist caprichada no celular.

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