Tudo que você precisa para chegar a Machu Picchu

Machu Picchu é o principal ponto que desejamos riscar da lista de lugares para visitar em uma primeira viagem ao Peru. A imagem das ruínas já está tão disseminada na internet que é comum a ilusão de que o cartão-postal peruano pode ser avistado facilmente como o Cristo Redentor no Rio de Janeiro, mas a verdade é que só para dar uma espiada na cidadela perdida dos incas será preciso percorrer um longo caminho.

Assim como as pirâmides do Egito estão em uma região afastada da capital Cairo, Machu Picchu não fica perto das principais cidades do Peru. O complexo arqueológico está cercado por mata e incrustado em uma cadeia de montanhas, perto de um vilarejo chamado Águas Calientes (ou Machu Picchu Pueblo), localizado há mais de 70 quilômetros de Cusco e sem ligação por rodovia duplicada.

Além disso, para ter acesso às ruínas é preciso comprar um ingresso com antecedência porque o número de visitantes passou a ser limitado por dia e o tempo de permanência também está sendo controlado.

Nada disso que estou falando é para te desanimar de conhecer o lugar, até porque existe toda uma estrutura organizada para o acesso à cidadela. No entanto, saber os detalhes é importante para planejar bem, evitar contratempos e se deslocar com segurança rumo ao topo da montanha onde está Machu Picchu.

Melhor época para ir a Machu Picchu

O período entre os meses de maio a setembro é o mais indicado para a visita à cidade inca, pois corresponde à estação seca no Peru. A probabilidade de chuva e neblina será menor nesta época do ano, o que é ideal para uma boa visibilidade das ruínas e para os melhores cliques da clássica paisagem de Machu Picchu entre as montanhas.

É verdade que tem gente que foi no verão entre dezembro e fevereiro, no meio da estação chuvosa, e deu tudo certo, até com sol durante todo o dia da visita. Porém, o fato é que as chances de chuva são maiores nesse período. Será que vale arriscar pagar uma viagem para chegar ao ápice do passeio e correr o risco de dar de cara com a paisagem coberta por nuvens?

Quanto custa o ingresso para Machu Picchu?

Existem três tipos de ingresso para Machu Picchu. O mais básico dá acesso apenas ao sítio arqueológico e custa 152 soles (algo em torno 45 dólares). Os outros dois combinam a visita à cidadela com trilhas pelas montanhas Waynapicchu ou Machupicchu, com preço de 200 soles (cerca de 60 dólares).

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Onde comprar os ingressos para Machu Picchu

O mais recomendado é comprar os ingressos com antecedência pela internet na data da sua viagem, já que o número diário de visitantes em Machu Picchu é limitado. O planejamento é ainda mais recomendado se a viagem for entre julho e agosto, período das férias escolares na Europa e que atrai vários turistas às ruínas incas.

A compra pode ser feita pelo site oficial de Machu Picchu. Os ingressos são disponibilizados para até cinco meses adiante e é possível verificar quantas vagas ainda restam em cada data. No entanto, há uma pegadinha: até o momento, o site só aceita cartões da bandeira Visa.

Outra opção é comprar o bilhete por agências de turismo locais. Já existem empresas que oferecem o produto pela internet para garantir o ingresso antes de sair do Brasil, como a Ingresso Machu Picchu e a Easy Peru. Porém, se você não planejou e deixou para última hora pode arriscar presencialmente e visitar os escritórios locais em Cusco e Águas Calientes para verificar as datas ainda com vagas disponíveis.

  • Em Aguas Calientes:
    • Num quiosque na Av. Pachacutec, cuadra 1, s/n
    • Segunda a sábado das 5h20 às 20h45

Quanto tempo posso permanecer dentro do complexo?

Desde o ano passado, o tempo máximo de permanência no interior do sítio arqueológico é de 4 horas e na hora da compra do ingresso será preciso escolher se a entrada será no período da manhã ou da tarde.

Quando eu estive no Peru em 2018, não era preciso especificar a hora de início da visita, mas as regras mudaram a partir de 1º de janeiro de 2019 e os ingressos agora estão sendo vendidos com horário marcado. Ao todo, são 9 horários disponíveis: a primeira entrada às 6h, e a última, às 14h.

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Outra mudança é que agora não é mais permitida a segunda entrada (#chateada). Até o fim do ano passado, você podia ingressar com o guia e ter uma visão geral do complexo, sair e depois entrar novamente para apreciar o lugar com mais calma. Esse benefício era importante porque em determinados pontos do circuito você é obrigado a seguir em sentido único para a saída e pode passar batido em alguma área importante.

Não sei se os fiscais na portaria vão seguir à risca a nova regra, mas em todo caso é bom dar uma conferida prévia no mapa de Machu Picchu para não passar reto nos principais destaques do complexo arqueológico.

Como chegar a Machu Picchu?

Para responder essa pergunta, é preciso considerar que existem três formas de se deslocar de Cusco para o vilarejo de Águas Calientes, que fica aos pés da montanha onde está Machu Picchu. A mais convencional e simples é pela ferrovia.

Você pode embarcar no trem pelas companhias Inca Rail e Peru Rail tanto da estação de Poroy (30 minutos de táxi do centro de Cusco) quanto da estação de Ollantaytambo. Os preços são por trecho (só ida ou só volta) e variam conforme dia e horário da viagem, mas o custo gira em média de 70 dólares (lanche incluso).

O caminho entre Cusco e Águas Calientes também pode ser feito por trilha e há empresas especializadas nesta experiência pela mata, com pacotes de três a cinco dias. As trilhas mais conhecidas são a trilha inca clássica e a salkantay, mas é necessário contratar o tour por agência de turismo e o preço do pacote completo não sai por menos de 400 dólares.

A alternativa mais barata, entretanto, é o percurso pela hidrelétrica: parte do roteiro é feito de van de Cusco até a estação da hidrelétrica de Santa Maria e depois o restante do trajeto será percorrido a pé até Águas Calientes. A passagem da van custa em torno de 25 dólares (ida e volta), mas é preciso levar em consideração que a viagem de van dura em torno de 7 horas até a hidrelétrica e depois mais duas horas de caminhada para chegar a Águas Calientes.

De Águas Calientes, é possível subir ao complexo de Machu Picchu por uma trilha de aproximadamente uma hora. O percurso é basicamente por escada e demanda um certo nível de preparo físico.

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Se preferir guardar o fôlego para desbravar o interior de Machu Picchu, existem micro-ônibus com saídas a cada 20 minutos da avenida Hermanos Ayar. O preço é 24 dólares (ida e volta) e a passagem pode ser reservada pela internet ou presencialmente no stand da Consettur na mesma avenida. Apesar do ingresso para Machu Picchu ter agora hora marcada, os ônibus não são vendidos por horário.

É necessário contratar guia?

Até o ano passado, não era obrigatório um guia para o acesso a Machu Picchu. No entanto, as novas regras de visitação para 2019 falam sobre a proibição da entrada sem guia a partir de agora. Não sabemos se a questão será realmente fiscalizada na portaria, mas é fácil contratar guia.

Os hotéis em Águas Calientes geralmente têm contatos de guias para contratar. Além disso, há guias que ficam posicionados junto à porta de entrada e cobram entre 120 e 150 soles para guiar grupos de até 4 pessoas. Você não terá dificuldade em se encaixar num grupo.

Dá para fazer sem pacote de agência?

Sim e sem muita dificuldade. Eu viajei sozinha e fiz todo o processo de compra dos bilhetes de trem, passagens de ônibus para Machu Picchu e o ingresso para o sítio arqueológico por conta própria. Além de ficar mais barato que o pacotão da agência, também pude ter mais flexibilidade no roteiro.

Gisele Barcelos

Jornalista por profissão e planejadora compulsiva de viagens. A mesma dedicação que tenho para conseguir um furo de reportagem, também uso para pesquisar sobre novos destinos e roteiros. Amo compartilhar dicas para ajudar quem sonha começar uma aventura, mas não tem ideia de como planejar. Estou sempre em busca do próximo embarque, com uma mala tamanho P e uma playlist caprichada no celular.

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